sexta-feira, 25 de julho de 2014

Comunidade judaica faz ato em SP pelo direito de Israel se defender

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/07/comunidade-judaica-faz-ato-em-sp-pelo-direito-de-israel-se-defender.html
24/07/2014 23h26 - Atualizado em 25/07/2014 07h53

Evento foi realizado na noite desta quinta-feira em praça de Higienópolis.
Organizadores consideram que governo errou no tratamento a Israel.

Marcelo MoraDo G1 São Paulo
Ato da comunidade judaica em praça de Higienópolis, na região central de São Paulo, reuniu cerca de 600 pessoas, segundo a PM (Foto: Marcelo Mora/G1)Ato da comunidade judaica em praça de Higienópolis, na região central de São Paulo, reuniu cerca de 600 pessoas, segundo a PM (Foto: Marcelo Mora/G1)
 Ato da comunidade judaica a favor da paz e pelo direito de Israel se defender reuniu ao menos 600 pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, na noite desta quinta-feira (24), na região central de São Paulo.
Convocado pela Juventude Judaica Organizada (JJO) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo, o evento foi realizado na Praça Cinquentenário de Israel, em Higienópolis. As vias no entorno da pequena praça foram bloqueadas para o trânsito pela Polícia Militar e por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Durante todo o ato, o advogado Pérsio Bider, integrante da JJO, insistia em deixar claro que não se tratava de um ato político, mas a favor da paz. “Nossos atos não são nada políticos, nada religiosos. E este ato já havia sido marcado previamente, mas acabou coincidindo”, ressaltou Bider, referindo-se ao imbróglio diplomático envolvendo as chancelarias de Brasil e Israel.
Depois do ato, os organizadores deixaram claro que o governo brasileiro errou ao não dispensar o mesmo tratamento aos dois lados do conflito: israelenses e os terroristas do Hamas. No entender de Persio Bider, o governo, inclusive, estaria “importando o conflito” para o Brasil.
“É uma situação que preocupa bastante, pincipalmente porque, infelizmente, o Planalto não quer ter o conhecimento necessário dos dois lados do conflito. Foi uma situação totalmente unilateral, que condena Israel, mas não condena o Hamas. Então, para a gente é muito triste, pelo fato de que o Brasil está importando o conflito para cá. E a gente não precisa que importe conflito. Nós vivemos em paz aqui, judeus e árabes”, justificou.
O advogado considera que é o Brasil que age de maneira desproporcional ao tratar Israel de forma distinta com que lida com o Hamas. A diplomacia brasileira condenou o uso desproporcional da força por Israel em Gaza.

“Eu vejo como desproporcional como o Brasil trata o conflito entre Israel e a Palestina. Na verdade, não é entre Israel e Palestina, isso que tem de ficar muito claro. É entre Israel e Hamas, um grupo terrorista que prega a destruição dos judeus. Infelizmente, o governo brasileiro errou muito e nós somos muito críticos em relação a isso, porque eu sou brasileiro, não sou israelense. Errou por quê? Porque tem de ouvir as duas partes. Desproporcional é como eles estão tratando esse tema”, concluiu.
Persio Bider, da Juventude Judaica Organizada (Foto: Marcelo Mora/G1)Persio Bider, da Juventude Judaica Organizada
(Foto: Marcelo Mora/G1)
Henry Gherson, assessor executivo da federação israelita de São Paulo, também cobrou maior equidade por parte do Brasil ao tratar com os dois lados do conflito.
“Se posicionando contra Israel e contra as ações israelenses, o Brasil ignorou completamente o grupo terrorista Hamas, ignorou as suas ações, ignorou toda a sua tática de guerra, que é colocar civis na linha de fogo, para morrerem e mostrar na mídia depois. Que as críticas feitas a Israel também sejam feitas ao Hamas. A gente sabe que toda guerra tem lados errados dos dois lados, mas é muito estranho que um país ignore um grupo terrorista, que em seu estatuto diz que quer destruir o estado judaico, e o Brasil ignora isso”, afirmou.

Segundo ele, Israel busca principalmente uma resolução pacífica do conflito. “Israel quer a paz, o povo judeu quer a paz e a nossa manifestação e de todas as comunidades judaicas no Brasil é para isso. Israel aceitou três cessar-fogo; o Hamas, não”, completou.

Confederação Israelita do Brasil
Por meio de nota, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) manifestou nesta quinta-feira sua indignação com a posição do Ministério das Relações Exteriores, “na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas”.

Segundo a Conib, “fatos inquestionáveis demonstram os inúmeros crimes cometidos pelo Hamas, como utilização de escolas da ONU para armazenar foguetes, colocação de base de lançamentos de foguetes em áreas densamente povoadas e ao lado de hospitais e mesquitas”.

No comunicado, a confederação exortou”o governo brasileiro a pressionar o Hamas para que se desarme e permita a normalização do cenário político palestino” e lamentou “o silêncio do Itamaraty em relação à política do Hamas de construir túneis clandestinos, em vez de canalizar recursos para investir em educação, saúde e bem-estar da população na Faixa de Gaza”.
Para a Conib,  a nota do Ministério das relações exteriores desta quarta-feira “só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira”.