sexta-feira, 25 de julho de 2014

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“IMORTAIS”. A ETERNA LUTA ENTRE O BEM E O MAL

Resultados parciais divulgados hoje (6/01) pelo Egito indicam que a Irmandade Muçulmana obteve mais de um terço dos votos no último turno das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento. Proibida sob o regime de Hosni Mubarak, a Irmandade emergiu como a maior vitoriosa do levante que o derrubou, explorando uma base de apoio bem organizada para derrotar os demais grupos nas primeiras eleições legislativas livres em décadas no país. O Partido Liberdade e Justiça obteve 37,5% dos votos no terceiro e último estágio da votação. O Partido Nour, islamista linha-dura, ficou em segundo lugar na maior parte dos distritos depois da votação nesta semana. Ontem, os Estados Unidos anunciaram que a Irmandade Muçulmana deu garantias de apoiar o acordo de paz de 1979 entre o Egito e Israel. "Eles assumiram compromissos conosco sobre essas questões", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, quando os jornalistas questionaram se Washington acreditava que o partido iria manter o referido acordo. Em setembro, a Irmandade pediu uma "revisão" das relações com Israel, mas não reclamou o fim do acordo, o primeiro entre Israel e um país árabe. Na véspera, os eleitores egípcios das províncias de Qaliubiya, Gharbiya e Daqahliya, no delta do rio Nilo; na província do Vale Novo e ao sul, em Minya e Qena comparecem às urnas no segundo dia da última rodada das eleições que escolherão o primeiro Parlamento. Também votaram os eleitores da província fronteiriça de Matruh e do Sinai. No domingo (1), a junta militar que governa o Egito divulgou um decreto que apressa o fim das eleições parlamentares, depois que os conflitos com morte no Cairo no mês passado aumentaram a pressão por uma transição mais rápida para um governo civil. A votação final para a câmara alta do Parlamento terminará em 22 de fevereiro, e não mais em 12 de março, como antes planejado. A primeira sessão da casa será em 28 de fevereiro. Em novembro e dezembro passados, 59 pessoas morreram em confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que pediam a saída dos militares do poder. Muitos egípcios expressaram revolta, após a divulgação de vídeos nos quais soldados apareciam batendo em homens e mulheres já caídos no chão. Uma das imagens mostra uma mulher sendo arrastada pela sua vestimenta preta. Sutiã à mostra, ela era chutada. Ontem, a promotoria do Egito pediu à Justiça que o ex-ditador Hosni Mubarak, de 83 anos, seja sentenciado à morte por enforcamento. Ele enfrenta acusações por cumplicidade em ações que resultaram em mortes de manifestantes e por corrupção. Na segunda-feira (2), Mubarak chegou ao tribunal de ambulância e foi levado ao tribunal numa maca (acima). Segundo seus médicos, mesmo que ele seja condenado à morte, ele morrerá antes porque está em tratamento de câncer. Ao mesmo tempo, o cerco ao presidente sírio Bashar Assad também aumentou, apesar da visita de inspetores da Liga Árabe. Segundo as agências internacionais, tropas leais feriram hoje pelo menos três manifestantes em Damasco. A notícia foi divulgada logo após o governo sírio ter denunciado uma explosão como terrorista no centro de Damasco que deixou ao menos 25 mortos e 46 feridos, de acordo com a agência estatal de notícias Sana. No Líbano, o grupo islâmico Hezbollah atribuiu o atentado terrorista no bairro Al Midan de Damasco, às "forças do mal estadunidenses que tentam internacionalizar a crise síria". Em comunicado, o Hezbollah considerou que o crime faz parte de um plano dos Estados Unidos para ocultar seu fracasso no Iraque e constitui "uma nova prova que tentam sabotar a segurança e a estabilidade da Síria, numa tentativa de castigá-la por sua luta, junto à Resistência (libanesa), contra o inimigo sionista (Israel)". O movimento xiita, firme aliado do regime sírio de Bashar Assad, apresentou suas condolências às "famílias dos mártires" e desejou pronta recuperação aos feridos. O atentado também foi condenado pelo ministro de Relações Exteriores libanês, Adnan Mansur, que vê nele "o início de uma nova etapa perigosa que não atingirá somente a Síria, mas também abrirá caminho para outros atentados terroristas que transpassarão as fronteiras". O chefe da diplomacia libanesa assegurou também que "a sensatez das autoridades e do povo sírio permitirão instaurar a estabilidade e apagar a fagulha da crise e do terrorismo". Enquanto isso,  a instabilidade política cresce a cada dia. Na última segunda-feira, o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que os dias do regime de Bashar al Assad estão contados e que restam poucas semanas para sua família no poder. Na véspera, o Parlamento árabe pediu a retirada imediata dos observadores da Liga Árabe atualmente na Síria ao avaliar que sua presença não teve efeito algum sobre a repressão das forças do regime, que mais uma vez atuaram com violência no primeiro dia do ano. "O regime sírio continua matando inocentes. Assistimos a uma escalada da violência, cada vez matam mais pessoas, incluindo crianças, e tudo isso na presença dos observadores", afirmou o chefe desse organismo consultivo da Liga Árabe. A missão foi condenada também pelo chefe do Conselho Nacional Sírio, Burhan Ghalioun, em entrevista à rede de TV Al-Jazeera. O desconforto da oposição com a missão se agravou depois de uma declaração do chefe dos monitores, o general sudanês Mustafa al Dabi, que disse ter tido uma primeira impressão "tranquilizadora" sobre a situação política na Síria. Anteontem, a França também criticou a delegação árabe. "O pouco tempo de sua estadia não permitiu que apreciassem a realidade da situação que prevalece em Homs. Sua presença não impediu a continuidade da violenta repressão nesta cidade, onde importantes manifestações foram violentamente reprimidas, deixando dezenas de mortos", declarou Bernard Valero, porta-voz da Chancelaria francesa.
O ex-chefe do Exército da Turquia Ilker Basbug foi preso hoje (6) acusado de planejar a derrubada do governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. Segundo a agência de notícias Anatólia, a acusação é a de que os militares financiaram dezenas de páginas na Internet para criticar o governo. O advogado de Basbug, Ilkay Sezer, disse que seu cliente é inocente. Na última terça-feira (3), as agências de notícias divulgaram que o ex-ditador Kenan Evren, de 94 anos, poderá ser condenado à prisão perpétua. Ele promoveu nos anos 80 um golpe militar na Turquia sob a alegação de garantir um “Estado laico” no país. Além do ex-ditador, o ex-comandante da Força Aérea da Turquia, Tahsin Sahinkaya, também poderá ser condenado à mesma pena. A impressa assinalou que a ação tomada contra Evren e Sahinkaya, os dois líderes sobreviventes do golpe militar turco que deixou centenas de mortos, ocorre no momento em que o governo de Erdogan, do partido AK, de raízes islâmicas, tenta reduzir a influência dos militares no país. As autoridades turcas também estão abrindo ações judiciais e uma série de julgamentos contra centenas de pessoas acusadas de envolvimento em supostas tentativas mais recentes de golpes de Estado. Ao mesmo tempo, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) apelou na semana passada à "revolta" da população curda da Turquia após a morte de 35 civis num ataque proferido por um avião não-tripulado turco na região autônoma do Iraque. O governo de Erdogan pediu desculpas e prometeu indenizar as vítimas. Ontem, ao lado do chanceler turco, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que a Turquia é o melhor lugar para as futuras negociações entre Teerã e as potências sobre o programa nuclear da república islâmica. A Turquia anunciou que está preparada para hospedar as negociações. Na véspera, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia anunciou que o chanceler Ahmet Davutoglu iria ao Irã para conversar sobre o programa nuclear e também sobre a situação política no Iraque e na Síria.  No sábado, Saed Jalili, principal negociador do programa nuclear do Irã, disse que o país deseja retomar as negociações com as seis potências — Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha. Ancara, no entanto, vive um clima de desavença diplomática com Paris desde que o Parlamento francês decidiu punir a negação de todos os genocídios, incluindo o dos armênios pelos turcos otomanos em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial. Na última terça-feira (3), o líder do movimento palestino Hamas e chefe de Governo em Gaza, Ismail Haniyeh, visitou o Parlamento da Turquia e recebeu uma grande ovação dos deputados do partido islamita que governa o país. Haniyeh chegou ao Parlamento no momento em que o primeiro-ministro turco, Recep Tayip Erdogan, fazia um discurso no qual elogiava a reconciliação das diversas tendências palestinas. Erdogan saudou efusivamente Haniyeh e depois ambos posaram para fotografias de mãos dadas. Esta é a primeira viagem de Haniyeh ao exterior desde que o Hamas chegou ao poder em Gaza, em 2007. Na véspera, ele homenageou em Istambul, diante do navio ‘Mavi Marmara’, as nove vítimas turcas de um ataque israelense contra uma frota que se dirigia a Gaza em maio de 2010 (acima). "Seus mártires são nossos mártires, seu sangue é nosso sangue, suas feridas são nossas feridas", proclamou o líder palestino diante de centenas de simpatizantes da associação humanitária islamita IHH, que fretou o barco no qual morreram nove militantes, reunidos em frente ao "Mavi Marmara". Haniyeh também agradeceu a Turquia, e, em particular, a Erdogan por seu compromisso em favor dos palestinos. As relações entre Turquia e Israel, outrora aliados, se deterioraram consideravelmente depois do ataque lançado em maio de 2010. Ancara, que convocou seu embaixador em Israel e expulsou o seu homólogo israelense, exige desculpas e compensações para os familiares das vítimas como condição prévia para uma normalização das relações. Na quarta-feira (4), o Hamas exigiu que o moderado Fatah cesse "todos os contatos" com Israel, após o encontro na véspera em Amã entre representantes dos dois povos. "O Hamas está surpreso que (o negociador) Saeb Erekat entregue a Israel documentos relacionados com as fronteiras e os mecanismos de segurança", disse em Gaza o porta-voz Sami abu Zuhri por meio de um comunicado. "Os documentos não foram apresentados antes às facções palestinas", acrescentou. Na terça-feira, o presidente palestino Mahmoud Abbas ameaçou tomar "novas medidas" contra Israel se a reunião na Jordânia fracassar na retomada as conversações de paz. Um acordo foi dificultado após a Suprema Corte israelense ter aprovado um acordo que legaliza uma colônia ilegal de Ramat Gilad na Cisjordânia, apesar de reprovar a inação do governo frente a essas construções ilegais. Vizinho da Turquia e da Síria, o Iraque está à beira de uma guerra civil. Hoje o governo iraquiano celebrou o 91º aniversário da criação do país, um dia após um atentado em Badgá que matou 68 pessoas. No domingo (1), a justiça iraquiana decidiu congelar os bens do vice-presidente do país, Tareq Al Hashemi, como primeiro passo para julgá-lo por suposta participação em atividades terroristas. O seu bloco político, o Al Iraqiya, anunciou que boicotará as sessões do parlamento na frágil coalizão de apoio ao governo.