sexta-feira, 25 de julho de 2014

O HAMAS TEM QUE SER COMBATIDO E ELIMINADO ATÉ A ÚLTIMA PESSOA QUE APOIÁ-LO: ESSE ASSASSINO COVARDE ESTÁ BRINCANDO DE PERVERTER INFORMAÇÕES REAIS A PONTO DE CUSPIR EM TODAS AS FAMÍLIAS CORRETAS DO MUNDO - GAZA E CISJORDÂNIA É ISRAEL, OS ÚNICOS INVASORES DE FATO SÃO POUCOS ÁRABES PÓS 1967 QUE TENTARAM EXTERMINAR ISRAEL COM APOIO DO MUNDO ÁRABE, QUEBROU A CARA E FICOU PENANDO ENTRE SEUS FALSOS AMIGOS PRA ENTÃO SUPLICAR ASILO DE ISRAEL E O SUJO HAMAS SOMENTE NASCEU E CRESCEU PORQUE ISRAEL COMETEU O ERRO DE DAR CONFIANÇA A QUEM NÃO MERECE VENDO NESTE UMA POSSIBILIDADE DE EDUCAÇÃO E CIVILIDADE PARA PESSOAS CHAMADAS DE PALESTINAS; ERDOGAN É UM OUTRO ASSASSINO INTERNACIONAL CRUEL E DIGNO DE NÃO ESTAR VIVO - DESPERTA BRASIL - EI ISRAELENSES-ISRAELITAS: ASSUMAM ISRAEL OU SUMAM DE ISRAEL

BBC



http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/lider-do-hamas-condiciona-tregua-a-garantia-de-fim-de-cerco-a-gaza.html

25/07/2014 08h03 - Atualizado em 25/07/2014 08h03

Líder do Hamas condiciona trégua a garantia de fim de cerco a Gaza
Em entrevista à BBC, Khaled Meshaal afirma que povo de Gaza vive 'na maior prisão do mundo' e contesta acusação de colocar civis em risco.

Da BBC






Khaled Meshaal afirmou que os moradores de Gaza não querem um cessar-fogo sem o fim do bloqueio (Foto: BBC)




O líder do Hamas, Khaled Meshaal, afirmou em entrevista exclusiva à BBC que o grupo palestino quer uma trégua com Israel o mais rapidamente possível. Mas ele condicionou a trégua a uma garantia genuína do fim do cerco de oito anos a Gaza.


Na entrevista concedida na tarde de quinta-feira ao programa HARDtalk no Catar, onde vive, Meshaal disse que os palestinos em Gaza querem viver sem os bloqueios israelense e egípcio e se abrir para o mundo.





CONFLITO EM GAZA


Combates são os mais graves desde 2012


veja os motivos de israel
veja os motivos dos palestinos
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"A população de Gaza está sendo punida com uma morte lenta na maior prisão do mundo", disse. "Estamos ansiosos para que o banho de sangue termine em Gaza."


Mais de 800 palestinos e 35 israelenses já morreram desde o início do atual conflito, em 8 de julho.


Na quinta-feira (24), o bombardeio a uma escola onde funcionaava um abrigo administrado pela ONU em Gaza deixou pelo menos 15 pessoas mortas. Várias outras ficaram feridas.


Cerca de 10 mil pessoas participaram de uma passeata de Ramallah até o leste de Jerusalém, onde foram contidos por forças israelenses.


O governo israelense diz que as ações em Gaza são uma resposta à ameaça do Hamas, a quem acusa de disparar foguetes contra o território israelense e de usar túneis para infiltrar pessoas com o intuito de cometer atos terroristas em Israel.


O líder do Hamas contesta a acusação e diz que os fatos mostram que a ação israelense é desproporcional. "Os números contam uma história diferente", afirma. "Nós temos mais do que 700 mártires. Muitos deles são civis e isso é confirmado por Israel", diz.


Leia a seguir a entrevista concedida por Meshaal à BBC:


BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar?
Khaled Meshaal: O sofrimento e a catástrofe humanitária são a essência do Estado de Israel. Nós somos as vítimas. Espero que esse confronto acabe o mais rápido possível. Essa é uma guerra que Netanyahu (Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel) lançou contra Gaza sem qualquer justificativa. Ele usou o argumento dos assentamentos na Cisjordânia e está se vingando de nós. Ele quis se vingar de Gaza e agradar seus oponentes políticos usando para isso o sangue palestino.


BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar mesmo depois de uma trégua?
Khaled Meshaal: Não rejeitamos nenhuma iniciativa que atenuasse o ataque e o cerco a que somos submetidos. O que nos ofereceram foi um cessar-fogo que, pelo contrário, fortaleceria o bloqueio – e os moradores de Gaza já estão cansados de um isolamento forçado que já dura oito anos. Esse bloqueio injustificável já matou mais do que guerras anteriores.


BBC: O senhor defende o fim do bloqueio a Gaza. Mas uma trégua não seria a melhor opção nesse momento?
Khaled Meshaal: Não. Essa é a posição dos moradores de Gaza, do Hamas, da Jihad Islâmica, da Frente Popular e dos palestinos em geral. Todos estão nos dizendo: "Não aceitem um cessar-fogo". Queremos que, em primeiro lugar, esse bloqueio seja suspenso. Os bancos mundiais vêm pressionando os bancos palestinos para não enviar dinheiro a Gaza. Os moradores de Gaza estão morrendo. Imagine a Grã-Bretanha – a maior ilha do Atlântico – sendo submetida a cerco semelhante. O que os britânicos fariam?


BBC: O Hamas é acusado pelo governo de Israel de, deliberadamente, colocar em perigo a vida de civis. Qual é a sua opinião sobre isso?
Khaled Meshaal: Os números contam uma história diferente. Você pode usar as estatísticas da forma como quiser. Nós temos mais de 700 mártires. Muitos deles são civis e isso é confirmado por Israel.


BBC: Mas o senhor é acusado de deliberadamente colocar em perigo a vida de palestinos na Faixa de Gaza.
Khaled Meshaal: Quem deve assumir a culpa pelo que está acontecendo? Os ocupantes, os colonos – esse é o terceiro ataque contra Gaza – ou aquele que se defende? Quando a Grã-Bretanha abrigou de Gaulle (o general francês Charles de Gaulle), que, usando a BBC, lançou uma guerra de resistência contra os nazistas de Paris, seria ele o responsável pela morte dos franceses? Ou simplesmente tentou apontar o caminho para liberá-los da ocupação nazista? O que está acontecendo em Gaza é um problema do mundo. Tal como os sul-africanos, os palestinos querem viver sem ocupação, sem assentamentos. É hora de a comunidade internacional colocar um fim à última ocupação na história, a ocupação palestina.


BBC: Mas o Hamas é acusado de deliberadamente colocar em perigo as vidas dos palestinos ao usá-los como escudos humanos.
Khaled Meshaal: Isso é mentira. O Hamas está se defendendo, está sacrificando a sua própria liderança em consideração por seu povo. O único responsável pela morte de palestinos é Israel, que usa (jatos) F16 e armas ocidentais e americanas. Quando o Hamas ou qualquer outro membro do movimento de resistência se defende contra os ocupantes, estão protegendo o seu próprio povo. Permita-me voltar à comparação com de Gaulle. Ao lançar um apelo pela resistência, o general francês queria destruir o seu povo ou proteger os franceses da ocupação nazista? Estamos fazendo o que qualquer um faria se submetido a essa opressão.


BBC: Qual seria então a justificativa para colocar foguetes em uma escola?
Khaled Meshaal: Sem sombra de dúvida, isso é mentira – olhe para Israel e veja onde estão os lançadores de foguetes de Gaza.


BBC: Eles estão em uma escola...
Khaled Meshaal: Os lançadores de foguetes de Gaza pertencem à resistência. Eles estão debaixo da terra e Israel não consegue atingi-los. No entanto, o governo israelense finge que essas armas estão em áreas civis para que continue atacando hospitais, mesquitas, torres e construções. Israel cometeu um massacre em Shujaiya e em Tufah. Nesta manhã (quinta-feira), o mundo testemunhou um novo massacre em Khuzaa. Gaza se transformou em um abatedouro. O mundo está inerte e ainda acusa o Hamas.


BBC: Por que tantos civis estão morrendo? Por que quando o Exército israelense alerta as pessoas para que saiam de casa devido aos ataques, o ministro do interior do Hamas pede que elas fiquem?
Khaled Meshaal: Você quer que a liderança palestina peça às pessoas que abandonem sua terra? Qual governo pediria às pessoas que deixassem suas casas?


BBC: Mas qual direito o Hamas tem sobre os civis de Gaza de modo a orientá-los a não dar ouvidos às advertências de Israel, o que, em última análise, provocará sua morte?
Khaled Meshaal: Os palestinos são os únicos que permanecem firmes à sua própria terra. Nós estamos há 18 dias em guerra e você ouviu falar de algum palestino deixando Gaza? Os palestinos têm o direito de permanecer em sua terra e em suas casas. Você sabe qual é o tipo de alerta que Israel dá às pessoas? Israel nos envia um sinal e três minutos depois manda um F16 destruir nossas casas. Que tipo de advertência é essa? Israel fracassou militarmente em atingir a resistência e agora está atacando civis. Esse é o quadro atual de Gaza.


BBC: O Hamas instou a população de Gaza a proteger suas casas de "peito aberto". Isso é um ato sensato?
Khaled Meshaal: É assim que as famílias palestinas vivem. Os palestinos estão em sua própria terra. Um palestino construiu sua casa com o suor do seu próprio dinheiro. Os israelenses esperam que ele saia dela sem mais nem menos? O Hamas não dá ordens às pessoas que permanecem dentro de suas casas. O Hamas encoraja as pessoas a não ceder à pressão de Israel e mostra a cada palestino sua perseverança. Vá a Gaza e você vai ver pessoas em hospitais. Veja as áreas destruídas. As vítimas não devem ser culpadas. A culpa deve recair sobre Israel, que cometeu esse massacre. Já são mais de 700 mortos do lado palestino. Muitos deles são civis. Enquanto isso, o Hamas se concentra em matar soldados israelenses. Essa é a diferença ética entre a resistência palestina e o ataque israelense.


BBC: O presidente de Israel, Shimon Peres, diz que nenhum Estado aceitaria terroristas emergindo de túneis para matar pessoas inocentes.
Khaled Meshaal: Algum país aceitaria um invasor que ocupa sua terra? Pois isso é o que Israel faz com a Palestina. Não se trata de uma ocupação sionista? Não é Israel quem está ocupando? A Cisjordânia não é um território ocupado? Como reagiu a comunidade internacional? A crise e os problemas que os palestinos sofrem são todos decorrentes dessa ocupação. A lei internacional deve ser aplicada a Israel, à sua ocupação e a seus assentamentos. À sua matança irrefreável. A deixar pessoas desabrigadas. Por que, em vez disso, as pessoas insistem em olhar os foguetes vindos de Gaza? Por que você não criticou os mísseis sofisticados construídos ao redor do mundo e que estão atingindo o território palestino?


BBC: Não há dúvida de que Israel tem um aparato militar muito superior ao do Hamas. Mas o Hamas lança foguetes indiscriminadamente contra Israel. Israel não teria o direito de se defender?
Khaled Meshaal: E o povo palestino cuja terra é ocupada por Israel e que está repleta de assentamentos? Não temos direito de nos defender? Por que só Israel tem o direito de se defender? O invasor é o opressor. Israel tem um Exército gigante. Metade da população palestina vive sob ocupação e outra metade em diáspora. Nosso povo tem o direito de se defender, mas o mundo está sendo hipócrita e a favor de Israel. O mundo nos diz que devemos abraçar a democracia. Por que o mundo não respeita a democracia na Palestina quando o Hamas venceu as eleições?


BBC: Neste momento, as duas partes envolvidas nesse conflito parecem não querer ceder. O Hamas continuará lançando foguetes em direção a Israel? É essa a estratégia do grupo?
Khaled Meshaal: Nossa estratégia é recuperar a terra que nos foi roubada pelo invasor e estabelecer um Estado tal qual qualquer outro país independente do mundo, sem qualquer ocupação ou assentamento. Nossa estratégia é defender as nossas pessoas. Confesso que a batalha é árdua, e Israel é mais forte do que nós militarmente. Mas nós lutamos por uma causa justa. E a História já nos ensinou que as pessoas que têm razão são vitoriosas, não importa o quanto tempo a luta durar.


BBC: Quanto mais vidas terão de ser perdidas até o Hamas aceitar as tropas israelenses em Gaza?
Khaled Meshaal: Cada vida de um palestino é importante para nós. Cada gota de sangue também. São os nossos filhos. São os filhos de Israel. A ocupação é um crime, a ofensiva é um crime, o bloqueio é um crime e todos contradizem a lei internacional. O único que pode parar com o banho de sangue palestino deve interromper a ocupação e o bloqueio de Gaza.


BBC: O que é preciso para o Hamas aceitar um cessar-fogo?
Khaled Meshaal: Nós queremos um cessar-fogo assim que possível. Mas isso tem de ser concomitante à suspensão do bloqueio contra Gaza. Essa é a demanda do povo. Eu faço um apelo à ONU, aos Estados Unidos e ao Reino Unido que vão a Gaza e perguntem à população o que ela quer. Eu posso garantir que essa será a resposta do povo de Gaza.


BBC: Os americanos estão tentando um acordo de duas etapas, que inicialmente envolva um cessar-fogo – e posteriormente contemple uma flexibilização do bloqueio a Gaza. Qual é a sua opinião sobre isso?
Khaled Meshaal: Independente do mecanismo, o importante para mim é que haja uma garantia genuína de suspender o bloqueio a Gaza. Essas promessas já foram feitas no passado, mas nada foi feito. Gaza faz parte da Palestina. Nossa população é de 1,8 milhão de pessoas. Elas precisam viver sem um bloqueio. Nós queremos um aeroporto, um porto, nos abrir ao mundo. Não queremos ser controlados toda vez que cruzamos a fronteira, o que nos torna a maior prisão a céu aberto no mundo. As pessoas não podem comprar medicamentos ou trabalhar. A população de Gaza está sendo punida com uma morte lenta na maior prisão do mundo. Nós queremos um basta nessa agressão e o fim do bloqueio. Estamos ansiosos para que o banho de sangue termine em Gaza.


BBC: O senhor é o líder político do Hamas. O senhor fala em nome do Hamas. O senhor é a favor de interromper o lançamento de foguetes enquanto negocia uma mudança na economia de Gaza?
Khaled Meshaal: Por que você insiste em uma solução por etapas? Arafat (Yasser Arafat, líder palestino morto em 2004) tentou solução similar em Oslo e o que aconteceu depois de cinco anos? Nada. Queremos comprometimento internacional para interromper as agressões para suspender o bloqueio. Queremos um acordo genuíno e não algo que seja construído em etapas. Também queremos colocar fim à ocupação. Os palestinos têm o direito de ser livres na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Nós temos o direito à autonomia e a viver em nossa terra.


BBC: Suas forças militares estão sendo enfraquecidas, hora a hora, pelas forças israelenses em Gaza. Sua população civil está sofrendo bastante. O que o faz pensar que tem tempo ou espaço para ditar os termos da negociação? Certamente o que vocês precisam é uma trégua.
Khaled Meshaal: Preservar as vidas das pessoas é um objetivo ético e a responsabilidade de qualquer liderança. Mas ninguém poderia aceitar que nós protegêssemos as vidas das pessoas enquanto elas vivessem ainda em vergonha, humilhação e ocupação. As pessoas querem viver e não morrer. Mas elas querem liberdade e vida. Os palestinos são iguais, mas têm uma escolha. Morrer ou viver sob ocupação como escravos, sem liberdade ou dignidade. Os palestinos querem viver, mas com liberdade. Veja o que aconteceu na Cisjordânia. Eles queimaram um jovem. Esses são crimes.


BBC: Percebo que o senhor está absolutamente determinado a não retornar ao status quo. Mas não é verdade que o Hamas em muitos sentidos está mais fraco hoje do que esteve por muito tempo? Vocês perderam aliados importantes, como o governo da Irmandade Muçulmana no Egito, ou o Irã, que não está mais tão próximo a vocês como antes. Vocês enfrentam graves problemas financeiros, não conseguem nem pagar os salários dos funcionários públicos em Gaza. O Hamas está numa posição muito fraca agora.
Khaled Meshaal: Mas não vamos nos render. Sim, o Hamas está passando por um período difícil. Mas este é um perigo que Netanyahu calculou mal - de achar que o Hamas foi enfraquecido pelo bloqueio. E então ele ficou surpreso em ver que a população de Gaza e o Hamas estão mais fortes. As circunstâncias difíceis não nos levam à rendição. O Hamas não luta somente para ter aliados. Lutamos porque temos uma causa.


BBC: Mas dizer que não importa e que vocês simplesmente vão continuar a resistir parece quase suicida.
Khaled Meshaal: Quando você se aferra ao seu direito está cometendo suicídio? Nós somos submetidos à vontade de Israel. Todos os povos do mundo lutaram batalhas desiguais. Os vietnamitas. Ou na África do Sul. Os franceses enfrentaram os nazistas, e foram vitoriosos. Eles lutaram por seus princípios de liberdade e dignidade. As pessoas não lutam somente porque a balança de poder está a seu favor. O poder está sempre com o ocupante. Mas o povo vence.


BBC: O senhor ligou a violência às consequências do assassinato de três adolescentes israelenses na Cisjordânia. O senhor está preparado para reconhecer que os assassinatos foram uma ação do Hamas?
Khaled Meshaal: Não tenho nenhuma informação sobre quem fez isso. Até agora. Israel acha mais fácil acusar o Hamas, mas a questão é: eles estavam vivendo em sua terra? A terra na Cisjordânia é ocupada, de acordo com a lei internacional. Então o palestino que está se defendendo dos colonos armados é acusado de assassinato. Vamos falar sobre as circunstâncias.


BBC: Qual é a estratégia do Hamas? É somente recorrer à violência e acreditar que no fim esses instrumentos podem dar o que vocês chamam de liberação? Vocês realmente acreditam nisso?
Khaled Meshaal: Temos um objetivo e temos os meios de alcançar isso. O objetivo é o direito à autodeterminação, a colocar um fim à ocupação israelense, aos assentamentos judaicos e à agressão. Temos três escolhas. Nós preferimos a escolha pacífica. Somos forçados a recorrer à via militar. Por anos o povo palestino vem tentando a solução pacífica e não obtiveram nada da comunidade internacional. Se tivermos uma chance de resolver a situação pacificamente, sem violência e sem armas, o faremos. Mas somos forçados a lutar contra a ocupação de Israel.


BBC: Os membros do Hamas estão falando em uma terceira intifada, em espalhar a violência pelos territórios ocupados. Isso vai ajudar o povo palestino?
Khaled Meshal: Por que não responsabilizar Netanyahu por essa escalada? Netanyahu foi o responsável pelo fracasso do plano de Kerry (John Kerry, secretário de Estado americano) durante as negociações com Abbas (Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina). Se os americanos e os europeus dessem uma chance para que o plano fosse bem sucedido, e abrissem uma janela para o povo palestino, esta escalada não teria acontecido. Mas todas as janelas de esperança foram fechadas na cara do povo palestino.


BBC: Nós já conversamos várias vezes nos últimos anos, e todas as vezes você me diz que a estratégia de resistência do Hamas e a recusa em aceitar Israel levará à libertação dos palestinos, mas veja o que aconteceu. A situação parece pior e mais sombria do que jamais esteve. Não há uma pequena parte sua que questiona se essa estratégia faz sentido?
Khaled Meshaal: Sim, os cidadãos palestinos estão sofrendo e vivem em condições duras, mas isso é por causa da ocupação, não por causa do Hamas. Não é uma resistência armada como fim em si. Mas é um meio para encerrar a ocupação. Se eu não for capaz de colocar um fim à ocupação por meios pacíficos, sou forçado a pegar em armas, como todos os outros países. As pessoas estão vivendo sob ocupação, e não tivemos a chance em mais de 60 anos de resolver esse problema. O mundo está injustamente contra nós. Sim, nós sofremos, mas todos os povos sob ocupação sofrem. No fim de tudo, seremos vitoriosos. Esperamos que um dia nós nos encontremos em Ramallah, Jerusalém e Gaza. Porque o tempo não está do lado dos israelenses. Mesmo os serviços secretos dos Estados Unidos acham isso. Kissinger (Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano) disse que Israel não tem futuro porque (é um Estado) baseado em agressão.


BBC: O senhor está falando sobre uma visão de longo prazo. Quando o senhor acha que o atual conflito em Gaza vai terminar?
Khaled Meshaal: Se Deus quiser, espero que termine hoje à noite ou amanhã, mas como palestino gostaria que isso terminasse o mais rápido possível. Gostaria de dizer aos moradores de Gaza que eles avançaram politicamente. Mas deixe o presidente Obama e eu e Abbas e toda a liderança ajudá-los a colocar um fim na agressão, e então a comunidade internacional terá cumprido seu papel ético e humanitário.


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/saiba-quem-sao-os-judeus-que-condenam-politica-de-israel-em-gaza.html




25/07/2014 06h51 - Atualizado em 25/07/2014 06h51

Saiba quem são os judeus que condenam a política de Israel em Gaza
Maioria destas pessoas são de esquerda e formam uma parte minoritária e bastante diversificada da sociedade israelense.



Da BBC







A ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, que em pouco mais de duas semanas tirou a vida de cerca de 700 palestinos e ao menos 30 soldados israelenses, é condenada por muitos na comunidade internacional. Mas também há dentro do país quem se oponha à operação.

Estas pessoas formam uma parte minoritária e bastante diversificada da sociedade israelense, segundo especialistas.










Integrantes do grupo Combatentes pela Paz, formado por israelenses e palestinos, pedem o "fim da guerra" (Foto: Getty)
Um sinal do descontentamento de um segmento da comunidade judia com a postura de seu governo é um vídeo que se popularizou na internet nos últimos dias. Nele, um jovem judeu americano que protesta em defesa dos palestinos e critica o papel dos Estados Unidos no conflito é preso pela polícia.

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O vídeo foi feito há alguns anos, mas a mensagem ainda se mantém válida e reflete o sentimento de judeus que repudiam as ações israelenses contra os palestinos.

Ainda que não necessariamente apoiem o Hamas, o grupo palestino engajado em combates com Israel, estes ativistas argumentam que não há provas de que o movimento seja culpado pela morte dos três adolescentes israelenses que serviu de estopim para o recente conflito.

'Ocupação'
Uma das organizações críticas a Israel é a Rompendo o Silêncio, formada por soldados israelenses decepcionados com sua experiência. Seu porta-voz, Eran Efrati, um ex-soldado de 29 anos que vive em Jerusalém, considera um "massacre" a campanha de seu país em Gaza.

Para ele, "há um cerco de mais de dez anos a Gaza e uma ocupação de mais de 65 anos". "Estamos oprimindo seres humanos e, claro, devemos esperar resistência", afirmou.



Criado em 2009, o grupo Shministim é formado por estudantes do último ano do ensino médio que se opõem não apenas às ações israelenses contra Gaza, mas também ao serviço militar obrigatório, que deve ser cumprido quando se completa 18 anos.

Com a atual crise em Gaza, o governo israelense convocou 75 mil reservistas. Os membros do grupo não querem fazer parte do que definem como um "Exército de ocupação".

"O Hamas é um movimento de resistência. Como qualquer povo ocupado, os palestinos resistem, às vezes com violência, a uma ocupação muito violenta", disse à BBC Maya Wind, que pertecenceu a esse grupo e esteve presa em 2010 por se negar a prestar o serviço militar.






Artistas em Tel Aviv, um dos principais alvos dos foguetes do Hamas, também protestaram contra invasão (Foto: Maria Luiza Delgado/BBC)
Wind ressalta que não concorda com o Hamas. "Não gosto deles por várias razões, mas reconheço que haverá resistência enquanto houver ocupação."

Por outro lado, pondera que o Hamas não foi a causa da ocupação, e sim a sua consequência. "Quando a ocupação terminar, o Hamas acabará."

Hai Ashkenazi, membro do grupo Combatentes pela paz - integrado por israelenses e palestinos que se reúnem uma vez por mês - disse à BBC que o "Hamas é um movimento muçulmano extremista, mas há movimentos ainda mais extremistas".

"Muitos em Israel pensam que é preciso aniquilar o Hamas, mas pode surgir algo pior, como a al Qaeda", afirmou.

"Acredito que devemos dialogar com o Hamas. Acho que eles aceitariam o cessar-fogo e, ainda que não aceitem Israel como país, teríamos uma trégua de dez ou 20 anos, o que seria muito bom."

Pouca influência
Para o coordenador do Instituto Nacional de Estudos de Segurança, em Tel Aviv, Yehuda Ben Meir, os grupos que se opõem à ação em Gaza "são muito pequenos".

"Duvido que representem sequer 5% da população, se tanto", disse ele à BBC.

Ben Meir, coautor de um artigo sobre a opinião pública israelense no tema dos palestinos, afirma que "segundo todos os estudos feitos e as pesquisas mais recentes, mais de 90% da população judia de Israel apoiam a estratégia militar do governo e mais de 80% apoiam a invasão por terra".

Ainda assim, destacou Ben Meir, sendo Israel uma sociedade democrática e plural, os grupos tidos como de "extrema esquerda" são livres para se manifestar.

Mas nem todos que se opõem à estratégia de Israel estão à esquerda. Também há um grupo de judeus ultraortodoxos, chamado Neturei Karta (Guardiões da Cidade).

São antissionistas, por assim dizer, que se opõem à existência do Estado israelense por razões religiosas: eles acreditam que, até a vinda do Messias, estão proibidos de ter seu próprio Estado.

Assim como outros grupos de oposição, eles rechaçam o serviço militar obrigatório.

Segundo Ben Meir, "representam uma porcentagem insignificante, de menos de 1% da população".

"Há duas pequenas comunidades em Nova York, nos Estados Unidos, e em Toronto, no Canadá, e talvez 2 mil ou 3 mil pessoas em Israel."

Diferentes visões
Se os grupos que se opões às ações israelenses em Gaza são pouco numerosos, eles apresentam uma variedade de soluções que acreditam ser adequadas para resolver o conflito.

"Temos que abrir a fronteiras, permitir que as pessoas trabalhem, consigam alimentos e outras mercadorias", diz o ex-soldado Eran Efrati. "(Precisamos) dar a eles o controle de seu mar, de entrar e sair à vontade, e então poderíamos esperar algum tipo de processo de paz."

Sydney Levy, da organização americana Voz Judía pela Paz, avalia que "o mais importante obviamente é um cessar-fogo".

"Mas isso não é suficiente. Precisamos acabar com a ocupação israelense em Gaza, libertar os presos políticos e criar condições básicas para a igualdade e para os direitos humanos."

Levy está de acordo com o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto ao direito de Israel de defender seus cidadãos, mas acrescenta que "os palestinos também" estão no mesmo direito.

Glyn Secker, diretor do grupo britânico Judeus pela Justiça para os Palestinos disse à BBC que a possibilidadede de existirem dois Estados, um israelense e outro palestino, é aceita por 67% da população de Israel.

"Claro que existem discussões difíceis sobre os limites destes dois Estados, mas há uma base para um acordo negociado", afirmou.

Já Maya Wind acredita que a solução de dois estados não é viável.

"A Cisjordânia já tem um milhão de colonos judeus e ninguém os tirará de lá. Enquanto isso, cerca de 20% da população israelense são palestinos com cidadania: é impossível separá-los", argumenta.

"O que buscamos é uma democracia de verdade, na qual palestinos e israelenses tenham os mesmos direitos e cidadania em um Estado unificado."








http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/premie-turco-pede-autocritica-aos-eua-sobre-conflito-na-faixa-de-gaza.html








20/07/2014 11h29 - Atualizado em 20/07/2014 11h30

Premiê turco pede 'autocrítica' aos EUA sobre conflito na Faixa de Gaza
Erdogan acusa Israel de fazer 'terrorismo de Estado' contra palestinos.
Diplomata americana criticou declarações do líder turco.

Da AFP

O primeiro-ministro da Turquia chamou neste domingo (20) os Estados Unidos a fazerem uma "autocrítica", após as declarações americanas considerando "ofensivas" as palavras do premiê turco contra a ofensiva israelense em Gaza.
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"Se a América continua a dizer que Israel utiliza seu direito de autodefesa é, inegavelmente, a América que deve fazer uma autocrítica", declarou ao canal de notícias TGRT o premiê, cujo país é um aliado dos Estados Unidos no âmbito da Otan.

Erdogan, um forte defensor da causa palestina, denunciou com veemência as operações militares israelenses em Gaza, acusando Israel de "terrorismo de Estado" e "genocídio" contra os palestinos.

Na sexta-feira, a porta-voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, criticou os comentários de Erdogan, chamando-os de "ofensivos e falsos".

"Acreditamos que as suas declarações são ofensivas e falsos, e, claro, este tipo de retórica é desnecessária e distrai os esforços urgentes para concluir um cessar-fogo", disse ela.

Erdogan declarou sua irritação com as críticas dos Estados Unidos.