Netanyahu aprova nova definição para Israel

Majdi Mohammed/ APPalestino aponta para grafite em que se lê "Morte aos árabes". TEL-AVIV - Numa medida passível de minar as bases democráticas do país - e os direitos da minoria árabe -, o Gabinete do premier Benjamin Netanyahu aprovou neste domingo uma polêmica proposta que altera a definição do Estado de Israel. Segundo o projeto, aprovado por 14 votos a favor e seis contra, o país passaria de um "Estado judeu democrático" a um "Estado lar nacional do povo judeu". A medida deverá agora ser submetida à ratificação do Parlamento.
A proposta provocativa rachou a base governista. Os ministros de partidos centristas, como a da Justiça, Tzipi Livni, e o das Finanças, Yair Lapid, votaram contra. O procurador-geral de Israel, Yehuda Weinstein, que é conselheiro jurídico do governo, também refutou o projeto, considerando que enfraquecia o caráter democrático do país - mesma crítica feita por opositores ao governo de Netanyahu.
Diante da repercussão negativa, e com apoio dos partidos de direita e dos nacionalistas, o primeiro-ministro afirmou, na abertura da reunião semanal de Gabinete, que a proposta harmoniza dois princípios e é uma garantia de igualdade total para todos os cidadãos:
- Há os que querem que a democracia se imponha ao caráter judeu e os que querem que o caráter judeu se imponha à democracia. Nos princípios da lei que apresento hoje, esses dois princípios são iguais.
A proposta de Netanyahu lista 14 princípios, incluindo a declaração de que "o Estado de Israel é democrático e baseado nos princípios de liberdade, justiça e paz, de acordo com as visões dos Profetas de Israel". O texto não faz referência a um futuro Estado palestino. A redação final do projeto ainda está pendente.
Parlamentares da minoria árabe do país, que representam 20% da população, classificaram o projeto como racista, destacando que pelo menos uma das versões da proposta tornaria o hebraico a única língua oficial de Israel, reduzindo o árabe a um "status especial".
ADVERTÊNCIA À FRANÇA
Alheio às críticas, Netanyahu também aproveitou o encontro para advertir a França contra o possível reconhecimento da Autoridade Nacional Palestina como Estado soberano, sinalizada pelo Parlamento francês no próximo dia 2 de dezembro.
- O reconhecimento de um Estado palestino por parte da França representaria um grave erro - declarou o premier.
Enquanto isso, a tensão ascendente entre árabes e judeus em Jerusalém e na Cisjordânia se manteve ontem. De madrugada, uma casa palestina foi incendiada no vilarejo de Khirbet Abu Falah, ao Norte de Ramallah. Não muito longe dali, muros foram pichados com a frase "Morte aos árabes" escrita em hebraico - levantando suspeitas da ação de grupos de colonos judeus ultranacionalistas.