Governo de Israel aposta em imagens chocantes para conquistar apoio externo

centroGrandeAFPGIL COHEN MAGENO premier de Israel, Benjamin Netanyahu, fala sobre os ataques na Sinagoga, em entrevista coletivaJERUSALÉM - Após o atentado na sinagoga de Jerusalém, quando dois palestinos abriram fogo contra todos que estavam dentro do prédio religioso, matando quatro rabinos, um policial, e deixando sete feridos, três em estado grave, o governo de Israel divulgou fotos dos corpos de duas das vítimas para a imprensa. As imagens foram feitas com exclusividade pelo fotógrafo do Departamento de Imprensa do Governo, Kobi Gideon, que teve acesso irrestrito ao interior da sinagoga. São cenas fortes.
A decisão de distribuir as imagens cruas partiu da área de comunicação nacional do gabinete do primeiro-ministro. "Este é um evento excepcional, então os meios utilizados também são excepcionais", informou o setor. Para as autoridades, o objetivo é conseguir mobilizar a opinião pública internacional favoravelmente a Israel. Há mais de uma década, numa série de atentados suicidas de homens-bomba, fotos de corpos dentro de ônibus carbonizados também foram enviadas à imprensa local e estrangeira.
O problema é que o tiro pode sair pela culatra, caso as fotos, ao contrário de cativar apoio fora do país, inflame a população interna contra os palestinos, despertando um sentimento de revanche e aumentando as hostilidades contra os árabes. Além disso, a distribuição dessas fotos demonstra a radicalização do gabinete do premier israelense, Benjamin Netanyahu, e dos porta-vozes e ministros do governo, que muitas vezes deixam de lado o discurso discreto e adotam um coro incendiário.
Essa atitude se evidencia no comunicado do do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, divulgado ontem, quando ele informa que as missões diplomáticas israelenses no exterior têm sido instruídas a trabalhar junto à imprensa mundial para corrigir eventuais incorreções ou distorções sobre o ataque em Jerusalém. Alguns veículos, como a rede americana de TV CNN, o jornal britânico "Telegraph" e o diário francês "Le Monde" publicaram manchetes falando apenas em "seis mortos" em tiroteio em Jerusalém, ou que dois palestinos tinham sido mortos pela polícia israelense sem a contextualização correta. A CNN chegou a divulgar uma errata.
"Da nossa perspectiva, reportagens tendenciosas e falsas são destinadas a distorcer a realidade, denegrir o Estrado de Israel e praticamente - apesar de nem sempre intencionalmente - apoiar o terrorismo", escreveu Nahshon na nota.