Extremistas judeus convocam passeata em Jerusalém

Extremistas judeus convocaram uma passeata para esta quinta-feira à tarde na Esplanada das Mesquitas, o que deve aumentar ainda mais a tensão em Jerusalém após os episódios de violência no dia anterior.
Os extremistas anunciaram sua intenção de marchar "até as portas do Monte do Templo", nome dado pelos judeus à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental.
Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade anexada e ocupada por Israel, vive em meio à tensão há vários meses que se intensificou nas últimas semanas.
Nove pessoas, incluindo quatro autores ou supostos autores de ataques, foram mortos desde julho nesta zona.
Neste contexto, a convocação para a passeata deve acirrar os ânimos, apesar de a Esplanada estar fechada aos não-muçulmanos neste momento. É pouco provável, aliás, que a polícia deixe os extremistas judeus se aproximarem deste que é o terceiro local mais sagrado do Islã.
Mas, no clima atual, os termos da chamada são vistos apenas como mais uma provocação.
"Queremos um Estado judeu real. Nós queremos ver o Templo (reconstruído) no Monte do Templo. Queremos ver Jerusalém reconstruída", proclama o cartaz da manifestação.
Desafio para Netanyahu
Os extremistas judeus têm indignado os muçulmanos ao reclamar o direito de rezar na Esplanada das Mesquitas, que eles reverenciam como sendo o local do Templo judeu destruído pelos romanos em 70 d.C., e cujo único vestígio é o Muro das Lamentações.
Suas reivindicações cada vez mais contundentes alarmam palestinos e jordanianos, que administram o local. Eles se preocupam com o risco de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ceder à pressão e dar garantias à extrema-direita, em vista das eleições de 2015.
Eles também denunciam o crescente número de visitantes judeus na esplanada e suas provocações. Eles se ressentem das restrições impostas aos muçulmanos, como o fechamento completo da Esplanada na semana passada.
Netanyahu já expressou que não tem intenção de mudar o status quo, que afirma que os judeus estão autorizados a visitar a Esplanada, mas não orar.
À frente de um governo de coalizão instável, Netanyahu trabalha para conter os ânimos.
Colonização de territórios palestinos, guerra na Faixa de Gaza, detenções, assédio, desemprego... Uma combinação de fatores que contribuem para o aumento das tensões e que fazem temer uma terceira Intifada. Mas a Esplanada das Mesquitas e a mesquita de Al-Aqsa representam uma verdadeira "linha vermelha" para os palestinos.
Jovens palestinos entraram em confronto com a polícia israelense novamente na quarta-feira, que chegou a entrar na mesquita de Al-Aqsa.
- Atropelamentos -
Poucas horas antes, um palestino atropelou um policial e vários transeuntes antes de ser morto.
Entretanto, o exército recuou nesta quinta sobre um outro incidente que inicialmente foi chamado de ataque. Peter Lerner, porta-voz militar, sugeriu que os fatos ocorridos à noite perto do assentamento de Gush Etzion, na Cisjordânia ocupada, onde um motorista colidiu contra um grupo de soldados israelenses poderia ser um acidente. É o que diz o motorista, um palestino de 23 anos, que se entrou às autoridades.
Um dos soldados feridos está em estado crítico.
Os confrontos que se espalharam quarta-feira em vários bairros de Jerusalém Oriental continuaram nesta madrugada. A polícia montou bloqueios nas estradas em vários bairros e forças adicionais foram implantadas nos principais cruzamentos, de acordo com um fotógrafo da AFP.
As forças de segurança também começaram a dispor blocos de concreto para proteger os pontos de trem de novos ataques com carros.
Desde o primeiro ataque em 22 de outubro, "188 pessoas, incluindo 71 menores, foram presos" em Jerusalém Oriental, informou a polícia. Desde o verão, quase mil palestinos foram presos.
Para o primeiro-ministro israelense, a situação em Jerusalém também é um desafio diplomático. A Jordânia, um dos dois únicos países árabes a ter um tratado de paz com Israel, convocou seu embaixador.
Amã expressou sua intenção de acionar a ONU para deter as ações israelenses "graves e escandalosas" na Esplanada.
Mas Netanyahu garantiu ao rei jordaniano Abdullah II que Israel não planeja alterar o status quo de Al-Aqsa.
Neste contexto, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, acusou membros da extrema-direita de fazer um "uso político cínico de uma situação particularmente complexa".