Ex-generais pedem que primeiro-ministro de Israel retome negociações de paz

Jerusalém, 2 nov (EFE).- Mais de cem generais reformados, ex-chefes de polícia e de outros organismos de segurança pediram ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que retome a negociação para alcançar uma ampla paz na região.
Os ex-altos comandantes, incluídos ex-dirigentes da inteligência israelense, foram, durante anos, reticentes em se manifestar publicamente ou de se envolverem em iniciativas similares, normalmente conduzidas por intelectuais, acadêmicos, artistas ou líderes de opinião israelenses.
No entanto, os 105 ex-membros das forças de segurança solicitaram em carta ao chefe do Executivo que realize um exercício de liderança a favor da paz, garantindo apoio caso a decisão seja tomada.
Na carta, publicada hoje pelo site "Ynet", eles pedem a Netanayahu que não se some aos grupos que usam as ameaças como desculpa para não iniciar um processo político.
Entre os signatários se encontram ex-generais que estão fora da ativa há vários anos, como o ex-chefe do Mossad - serviço de inteligência israelense no exterior - Zvi Zamir. Mas há também quem tenha deixado o exército recentemente, como os ex-membros do Estado-Maior Dani Biton e Avi Mizrahi, que participaram da operação militar "Chumbo Fundido" em Gaza, entre 2008 e 2009.
"Nós, os signatários, comandantes da reserva do exército israelense e oficiais aposentados da polícia, que lutamos em campanhas militares de Israel, sabemos, em primeira mão, do pesado e doloroso preço cobrado pelas guerras", diz a carta.
A iniciativa partiu do general da reserva Amon Reshef, que explicou que estava cansado da realidade e de sucessivas rodadas de enfrentamentos em vez de esforços genuínos para buscar a paz.
Apresentada em 2002 e assinada em Beirute em uma cúpula da Liga Árabe, a proposta defende o reconhecimento de Israel por parte do mundo árabe. Em troca, os israelenses se retiraria às fronteiras prévias à guerra de 1967.
"Lutamos com coragem pelo país com a esperança de que nossos filhos possam viver em paz aqui. Mas obtivemos uma crua realidade. Aqui estamos, novamente enviando nossos filhos ao campo de batalha, vendo-os em seus uniformes de combate, se dirigindo para lutar na operação "Muro Defensivo", a última ofensiva em Gaza no último verão", afirma a carta.
"Essa não é uma questão de esquerda ou direita. O que temos aqui é uma alternativa para resolver o conflito que não esteja baseada unicamente em negociações bilaterais com os palestinos, que fracassaram várias vezes. Esperamos uma mostra de iniciativa valente e liderança de sua parte. Lidera que estaremos o apoiando", completa a carta. EFE