segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cada negociação de paz com os palestinos não foi seguida por intensa preparação militar dos mesmos? O resultado da retirada unilateral de Israel de Gaza em desrespeito a todo povo de Israel não facultou que Gaza se tornasse o maior reduto terrorista deste século? Crianças, idosos e mulheres palestinos não são treinados e voluntários em destruição total de Israel? Eles nunca deram passos por paz, não são refugiados de fato, vem de nações árabes às quais se uniram pelo extermínio judeu e suas orientações vão de nazistas e antissemitas a imperialistas e terroristas... Com todas as sábias colocações conscientes e irrefutáveis do entrevistado ele ainda clama por um estado de terroristas praticantes e apoiadores, determinados à destruição de Israel enquanto falam superficialmente da metade de Jerusalém e racha de Israel... Só pode haver estado palestino em território de nações árabes, jamais Israel. Israel não tem porque imitar a Irlanda pois a Inglaterra era colonizadora e os judeus são Israel por todo direito adquirido múltiplas vezes. Netanyahu deve ser apoiado na hegemonia do Israel soberano, e todo aquele que for terrorista ou pró terrorista tem que deixar Israel incondicionalmente.

Hilik Bar: "A questão da Palestina é a maior ameaça para Israel"

Uma das principais vozes moderadas em Israel, o líder do Partido Trabalhista diz que faltam lideranças corajosas para levar adiante as negociações de paz com os palestinos

RODRIGO TURRER
07/12/2014 10h00 - Atualizado em 07/12/2014 10h33
MODERADO Hilik Bar, em  Jerusalém, onde vive com a família. Para ele, Israel deve reconhecer o  Estado palestino (Foto: Divulgação)
Hilik Bar é a maior esperança do Partido Trabalhista de Israel para retomar um protagonismo há muito perdido. Os trabalhistas dominaram a política em Israel dos anos 1970 até o começo dos anos 2000. Seus líderes – entre eles Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Ehud Barak – estiveram à frente das mais bem-sucedidas negociações de paz com os palestinos. Com a ascensão da direita israelense, os trabalhistas, assim como as negociações de paz, perderam espaço. Aos 39 anos, Hilik Bar é a aposta dos trabalhistas para mudar esse  cenário. “O impasse político em Israel é maior do que nunca”, afirma Bar. “Israel precisa tirar a cabeça da areia, reconhecer o Estado palestino e voltar a negociar.”
ÉPOCA – A recente onda de violência emJerusalém e as disputas entre judeus e muçulmanos pelo Monte do Templo agravam o conflito entre israelenses e palestinos?
Hilik Bar –
 O impasse político em Israel é maior do que nunca, enquanto Jerusalém queima. A polarização e as agressões entre israelenses e árabes são cada vez mais fortes. O governo não tem solução e não tem visão, e Benjamin Netanyahu  (primeiro-ministro de Israel) só consegue resmungar sobre um “horizonte político” que está mais distante do que nunca. É preciso acalmar os ânimos. Podemos e devemos produzir um horizonte político e voltar à mesa de negociações. Quanto mais cedo, melhor.
ÉPOCA – Com as negociações de paz congeladas e agressões verbais e físicas de ambos os lados, isso pode ser feito?
Bar –
 Claro que pode. Quando o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, declarou sua intenção de pedir à ONU o reconhecimento de um Estado palestino, eu disse no Parlamento: Israel tem de ser o primeiro a reconhecer o Estado palestino na ONU. Ainda acho isso. Nenhum Estado é construído apenas com palavras. O sonho palestino de um Estado próprio também deve ser o sonho de Israel. Não apenas para fazer os palestinos felizes, mas para garantir um futuro melhor para os israelenses. Israel precisa tirar a cabeça da areia, reconhecer o Estado palestino, voltar a negociar e criar um verdadeiro “horizonte político”. Só assim enterraremos a visão destrutiva de “um Estado para dois povos”.
ÉPOCA – O historiador israelense Benny Morris costuma dizer que não existe solução para a questão Israel-Palestina, porque se trata de uma guerra de civilizações. O senhor concorda?
Bar –
 Por causa dessa guerra de civilizações, a solução de um Estado para dois povos, um Estado binacional em que palestinos e israelenses convivam de forma harmoniosa, é impossível. Basta olhar o que acontece entre os próprios muçulmanos: assassinatos, decapitações, ataques com armas químicas. Eu não gostaria de testar a experiência de judeus e palestinos vivendo num mesmo país. Concordo com a tese de Morris, mas uma solução é possível. Está em nossas mãos. Israel precisa juntar forças com o lado esclarecido e moderado do islã para combater as forças bárbaras, como o Estado Islâmico, a Frente al-Nusrah e outras organizações terroristas. Israel precisa fazer uma coalizão com o Ocidente e com os árabes moderados para combater o mal e destruir esses elementos que querem viver em Israel sem os judeus.
ÉPOCA – Suécia e Reino Unido reconheceram recentemente os territórios palestinos como Estado, assim como a maioria dos 193 países da ONU. Esse tipo de reconhecimento unilateral é eficaz?
Bar –
 Na prática, serve apenas para emperrar as negociações de paz. Os palestinos precisam entender que de nada adianta obter reconhecimento no papel de Suécia, Reino Unido ou mesmo das Nações Unidas, porque eles precisam negociar com Israel. Eles têm de sentar à mesa com os líderes israelenses. Ações unilaterais promovidas pelos dois lados só prejudicam as verdadeiras negociações. O conflito entre Irlanda e Inglaterra demorou 700 anos para ser resolvido. No fim, os dois lados tiveram de se comprometer para chegar a um acordo. Não quero que Israel tenha de esperar 700 anos para chegar a uma solução. Em dois anos, podemos chegar a um acordo definitivo e viável, porque 95% do acordo já é conhecido.
ÉPOCA – Sim, mas os 5% que restam são espinhosos, não?
Bar –
 O problema não são os 5%, nem os 95%. O problema é a falta de lideranças corajosas e comprometidas para seguir adiante com as negociações. Lideranças como Menachem Begin (primeiro-ministro de Israel entre 1977 e 1983) e Anwar El Sadat (presidente do Egito de 1971 a 1981), que começaram os acordos de Camp David; como Hussein (rei da Jordânia entre 1953 e 1999) e Yitzhak Rabin (primeiro-ministro de Israel de 1992 a 1995), que conduziram os Acordos de Paz de Oslo. Conseguimos a paz em duas ocasiões. Por que não agora? Porque faltam lideranças corajosas, que cruzem o Rubicão e deem o difícil passo para chegar a uma paz duradoura. Temos de perceber que, para chegar à paz, é necessário fazer concessões, é preciso tomar decisões dolorosas. Enquanto os dois lados não perceberem isso, não teremos um acordo sério.
"A direita israelense quer um inimigo perfeito: sionista
e fã de Israel. Não achará nunca"
ÉPOCA – A atual coalizão que governa Israel, formada por partidos de direita, não parece disposta a dar esse passo.
Bar – 
Não. Este governo tem muitos obstáculos internos para negociar. A coalizão formada por Netanyahu tem políticos que não concordam e não aceitam a solução de dois Estados, que a encaram como uma ameaça a Israel. Alguns defendem até a solução de um Estado binacional. Com essa coalizão, será difícil alcançar qualquer acordo. Netanyahu precisa decidir se acredita mesmo na solução de dois Estados e tomar uma atitude corajosa de seguir em frente com as negociações, com essa coalizão ou com outra.
ÉPOCA – Na última ofensiva do Exército de Israel na Faixa de Gaza, entre julho e agosto, 1.486 civis morreram, entre eles centenas de crianças. O senhor defende esse tipo de operação?
Bar –
 Desculpe-me, mas até mesmo eu, que sou da esquerda moderada, acredito que o Hamas é 100% responsável pelas mortes e pelos ferimentos de inocentes nesses incidentes. E digo o motivo: o Hamas é o único governo no mundo que é, ao mesmo tempo, uma organização terrorista. Em 2005, Israel se retirou de forma unilateral de Gaza, para permitir que as pessoas de lá tivessem o direito de se governar. O Hamas se elegeu e o que fez? Em vez de construir casas, hospitais e escolas, gastou bilhões de dólares dados pelo Catar para comprar armamentos e foguetes. Usou 800.000 toneladas de cimento para construir túneis e aterrorizar os israelenses. O Hamas não se importou com o povo de Gaza, mas se importou com a infraestrutura do terror. O Hamas escolheu de forma deliberada atirar mísseis em Israel de locais densamente habitados, de escolas, de hospitais, de mesquitas, de abrigos das Nações Unidas, para forçar um revide. Israel tinha duas opções: revidar, ou não revidar e deixar que mísseis atingissem cidades israelenses. Israel escolheu defender sua população, como qualquer outro governo, do Brasil, da Argentina, da Alemanha, faria. É um direito inalienável de qualquer nação querer seus céus livres de foguetes.
ÉPOCA – O Hamas governa Gaza. É possível negociar uma paz duradoura sem incluir o Hamas nas conversações?
Bar –
 Enquanto o Hamas for uma organização terrorista com o objetivo formal de destruir Israel, enquanto falar com Israel via mísseis e ataques terroristas, o Hamas não será um parceiro. O Hamas tem de fazer a metamorfose que o Fatah fez anos atrás, deixar de ser uma organização terrorista para se tornar um ator político legítimo. Senão, teremos de chegar a um acordo apenas com Mahmoud Abbas, o presidente de fato de todos os palestinos.
ÉPOCA – Abbas é um parceiro confiável?
Bar –
 Sim, sem dúvida. Abbas pode não ser o parceiro perfeito ou sonhado por Israel, mas você não pode encontrar o inimigo perfeito. A direita de Israel busca desesperadamente pelo parceiro perfeito, mas esquece que esse parceiro é um inimigo. Ele nunca será perfeito. Se esse inimigo quer negociar com você com palavras, com diplomacia, mesmo que sejam palavras duras, não com atos terroristas como o Hamas, é preciso abraçar essa oportunidade e entender que, mesmo sendo um inimigo, ele é um parceiro. O rei Hussein, da Jordânia, era um inimigo, mas levou os palestinos a negociar com Israel. Sadat era um inimigo, mas também negociou conosco. A direita de Israel quer um inimigo que seja sionista, que seja fã de Israel. Não achará nunca e não conseguirá negociar. Os palestinos precisam entender que a direita governa Israel, e negociar com eles.
ÉPOCA – O que é mais perigoso para Israel: a ascensão do Estado Islâmico ou um Irã com uma bomba nuclear?
Bar –
 A questão da Palestina é a maior ameaça para Israel. É preciso acabar com esse conflito, chegar a um acordo que permita a solução de dois Estados, caso contrário o Estado de Israel como o conhecemos estará ameaçado. Essa deve ser a principal prioridade para Israel diante de qualquer outro perigo. O radicalismo extremo do Estado Islâmico e um Irã nuclear são questões essenciais, mas com que Israel pode lidar. A ameaça mais urgente para Israel, sem dúvida, é a questão palestina.






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