EUA diz a Israel que não negociará "eternamente" com Irã sobre plano nuclear

Washington, 7 dez (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, comunicou a Israel neste domingo que o governo americano e o resto das potências não negociarão "eternamente" com o Irã sobre seu programa nuclear e que as conversas podem ser concluídas antes do prazo estabelecido se não houver avanços "tangíveis".
Em discurso baseado na relação entre Estados Unidos e Israel, Kerry analisou o estagnado processo de paz entre israelenses e palestinos, a luta contra o Estado Islâmico (EI) e as negociações entre o Grupo 5+1 (Estados Unidos, França, Reino Unido, China, Rússia e Alemanha) e o Irã sobre seu programa nuclear.
"Não temos nenhuma intenção de negociar eternamente. Se não houver avanços tangíveis, quem sabe quanto durarão (as conversas)", disse Kerry na conferência anual do Fórum Saban do centro de estudos Brookings, em Washington.
As potências do Grupo 5+1 e o Irã concordaram em 24 de novembro, em Viena, em prolongar em mais sete meses as negociações iniciadas em janeiro para chegar a um acordo estável sobre o programa nuclear iraniano.
Esse prazo inclui quatro meses para se chegar a um acordo político e outros três meses para finalizar os detalhes técnicos que permitam a implementação.
"Com as diferenças significativas que persistem até agora, não sabemos se conseguiremos (o acordo). Mas nas últimas semanas vimos uma flexibilidade (por parte do Irã) que pode ajudar a resolver alguns assuntos", comentou.
Pouco depois que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, compareceu ao fórum por videoconferência e elogiou o papel de Israel ao evitar um "mau acordo" nuclear em novembro, Kerry defendeu as negociações e pediu paciência a Israel.
"Seria o cúmulo da irresponsabilidade nos afastarmos agora da mesa, quando ainda pode haver um acordo. Se tivermos êxito, o mundo inteiro estará mais seguro por isso, incluindo Israel", ressaltou.
Kerry opinou que os Estados Unidos e Israel podem ter desacordos em "detalhes táticos", mas não em seu "objetivo estratégico" de impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
O representante americano deixou clara sua oposição à atividade de assentamentos israelenses nos territórios palestinos, que "minam as perspectivas de paz e isola Israel na comunidade internacional".
"A crescente instabilidade (na região) trouxe novos traumas para todos", disse Kerry, que condenou tanto o disparo de foguetes da milícia islâmica Hamas ao sul de Israel durante a crise de Gaza em agosto como a perda de vidas palestinas na região pelos ataques israelenses.
Em relação às tensões em Jerusalém, pediu para que se faça "tudo o que for possível para conter a tensão imediatamente e que ela não exploda".
Sobre o processo de paz entre israelenses e palestinos, que fracassou em abril após nove meses de conversas mediadas por Washington, o chefe da diplomacia americana disse que repudia "categoricamente a noção que a paz é um sonho impossível".
"A necessidade de um acordo é mais forte hoje que há um ano. A solução de dois Estados é o único caminho para a paz, pela simples razão de que não há alternativa", disse.
Kerry garantiu que os Estados Unidos trabalharão "de perto" com o Executivo que será formado nas eleições antecipadas em Israel em março e que, "quando as partes tomarem as decisões difíceis necessárias", estará disposto a apoiar o retomada das conversas.
O secretário de Estado também disse que foram registrados "avanços constantes e consideráveis" na luta da coalizão internacional contra o Estado Islâmico (EI).
Kerry afirmou que vários "Estados árabes moderados" da região garantiram que "estão preparados para firmar a paz com Israel e acreditam que há uma oportunidade para criar uma aliança regional contra o EI" e outras ameaças. EFE