quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Este está o povo que o antissemitismo persegue (oi Mora!) e tenta impedir de viver sua identidade nacional judaica


Judeus ultraortodoxos levam capoeira para Jerusalém
Irmãos israelenses ficaram encantados com a capoeira no Brasil. Eles aprenderam e decidiram que ela tinha tudo a ver com judeus ultraortodoxos.
02/12/2014 11h30 - Atualizado em 02/12/2014 11h30
Recentemente, a capoeira recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Só que a novidade agora é que está fazendo o maior sucesso na Terra Santa.
Dois irmãos israelenses foram para o Brasil, conheceram a capoeira e ficaram encantados. Eles aprenderam com mestres brasileiros, e decidiram que ela tinha tudo a ver com os judeus ultraortodoxos, os que passam o dia rezando e estudando a bíblia judaica.
Eles precisaram pedir o ok para o rabino para ter certeza de que a capoeira não ia contra a religião. E tudo certo, não vai. A moda está pegando.
Será que eles erraram de cenário? A capoeira saiu do Brasil e veio parar na Cidade Santa? No gramado, as acrobacias saem perfeitas, mas as pedras milenares de Jerusalém não ajudam e Miki desiste: “Não foi boa ideia esse lugar”, ele diz.

Quando saltam pelas ruas os judeus ultraortodoxos Miki e Yehuda Hayat mudam de nome.

Bom Dia Brasil: Como é que é o apelido do Miki?
Isaac Benasulim, professor de capoeira: Ele é Gafanhoto e o Yehuda é Grilo. Porque o gafanhoto pula para caramba. Aí veio o irmão dele. Então é grilo, o grilo pula mais ainda que ele.

É sexta-feira, e a Cidade Velha de Jerusalém está cheia e o pessoal de uma produtora veio gravar o videoclipe da dupla. Homens de chapéu preto pelas ruazinhas, normalmente, vão a caminho do Muro das Lamentações. Mas os irmãos que pulam não vieram rezar. Eles querem convencer os homens e principalmente os jovens que leem a Torá, a bíblia judaica, em frente ao muro de que jogar não impede ninguém de rezar.

Vocês têm ideia de como é estranho capoeira na Terra Santa? Uma cidade sagrada para judeus, muçulmanos e católicos. E de repente essa dança, essa arte marcial que nasceu na África e passou pelo Brasil chega a um lugar onde todo mundo esperaria nada mais do que religião. E o mais interessante é que esses dois são superreligiosos.

“Não é comum ver os ortodoxos fazendo esse tipo de coisa”, diz a engenheira Nicole.
“É estranho sim, porque as pessoas não costumam ver caras como eu fazendo capoeira. E o meu projeto é justamente trazer a capoeira para cá”, diz Miki, o Gafanhoto.

“Eu não esperava ver uma coisa dessa aqui. Quando eu vi ele com o berimbau eu falei: 'Nossa!' Eu esperava qualquer outra coisa. Aí eu vi eles fazendo, a gente parou e até filmou”, diz um turista brasileiro.

É a 80 quilômetros de Jerusalém, nos arredores de Tel Aviv, em uma cidade onde a maioria dos moradores segue estritamente a religião judaica, em Bnei Brak, que Grilo e Gafanhoto estão fazendo o maior barulho.

Para abrir a primeira academia em um bairro ortodoxo de Israel, Miki teve que pedir permissão aos rabinos. E, incrivelmente,  já apareceram mais de 200 alunos.

"A capoeira era vista assim como uma coisa. Que que é isso: é uma dança, é uma seita, é religioso?  A gente até brincava que é uma seita que se rola... se rola de rir!", conta o jovem.

Mas agora Grilo e Gafanhoto são pura seriedade. Estão no camarim de uma das maiores casas de show de Jerusalém. Com um colega, eles se preparam para a primeira apresentação pública de uma espécie de coreografia de capoeira. Está todo mundo nervoso. É a primeira vez nos palcos, e tem 7 mil pessoas na plateia.

Em uma dança que é afro-brasileira, coreografada à moda israelense, e ao som de música eletrônica religiosa, com um belo empurrão do ídolo pop Yaakov Shwekey, Grilo e Gafanhoto dão os primeiros saltos para popularizar a capoeira entre aqueles que só pensavam em rezar.
Bom Dia Brasil
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