quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Israel tem um só fundamento: o único monoteísmo puro e ético primaz do planeta. Percebido em duas faces: sabedoria sagrada evoluída entre seus notáveis profetas e sabedoria natural constante entre seus notáveis mestres. Na soma do santo com o sagrado, Netanyahu está praticando e liderando Hebraismo por Iehouah em harmonia com necessidades milenares e múltiplas. Portanto o valor real do artigo abaixo se esconde no seu último parágrafo.



Clima de radicalização nacionalista alimenta tensões em Israel
Atos de violência e endurecimento da atitude do premiê Binyamin Netanyahu elevam tensões e dividem sociedade israelense.
04/12/2014 16h23 - Atualizado em 04/12/2014 16h23
BBC
Por Guila Flint
De Tel Aviv, para a BBC Brasil
Netanyahu defende projeto de lei que classifica país como 'Estado-nação do povo judeu'  (Foto: Reuters)Netanyahu defende projeto de lei que classifica país como 'Estado-nação do povo judeu' (Foto: Reuters)
Atos de violência nas grandes cidades e um polêmico projeto de lei apresentado pelo Executivo são elementos de uma onda nacionalista que acendeu temores na sociedade israelense e alimentou uma disputa política dentro do governo.
Entre os incidentes graves estão um incêndio criminoso contra uma escola bilíngue de Jerusalém - promovido supostamente por extremistas judeus, no último fim de semana - e o ataque realizado por dois irmãos palestinos contra uma sinagoga na mesma cidade, no dia 18, que deixou cinco mortos.
Os ânimos foram acirrados pelo projeto de lei que define Israel como "o Estado-nação do povo judeu" - e "só do povo judeu", nas palavras do premiê. A polêmica gerada pelo projeto levou nesta semana à dissolução do gabinete do premiê Binyamin Netanyahu e à convocação antecipadas de eleições.
De acordo com Netanyahu a nova lei é necessária "pois hoje em dia muitos desafiam" esse caráter do Estado israelense. "Os palestinos se negam a reconhecê-lo e também há oposição de dentro", argumenta.
"O Estado de Israel é o Estado-nação do povo judeu. Há igualdade de direitos individuais para todos os cidadãos e nós a garantimos. Porém só o povo judeu tem direitos nacionais: bandeira, hino, o direito de todos os judeus de imigrarem para Israel e outras características nacionais. Esses direitos são só do nosso povo, em seu único Estado", afirmou o premiê.
Centenas de israelenses protestam contra lei que define 'o Estado-nação do povo judeu'  (Foto: AFP)Centenas de israelenses protestam contra lei que define 'o Estado-nação do povo judeu' (Foto: AFP)
Mas o texto gerou descontentamento em alguns ministros, sendo um dos fatores que colaboraram para a decisão do premiê de dissolver o gabinete na terça-feira. Como isto, as eleições que só deveriam ocorrer em dois anos foram antecipadas para março.
Os críticos acusam Netanyahu de, com a lei, transformar oficialmente árabes e palestinos que vivem em Israel em "cidadãos de segunda classe".
"Trata-se de uma tentativa de alterar profundamente os princípios básicos do Estado, que irá ameaçar não só os direitos da minoria árabe israelense mas também colocará em risco todos os direitos humanos, inclusive das mulheres, dos gays e dos seculares em geral", disse à rádio pública Kol Israel a ex-juíza da Suprema Corte de Justiça, Ayla Prokacha.
Incidentes
Acompanhando a retórica do premiê estão incidentes recentes de violência nas grandes cidades israelenses. Entre eles, ataques de grupos da extrema-direita contra palestinos e até contra uma escola bilíngue em Jerusalém onde estudam juntas crianças árabes e judias.
No fim de semana, bombas incendiárias foram lançadas contra a escola Max Rayne, levando à destruição total de duas salas de aula onde estudam alunos da primeira série. No dia seguinte, pais e alunos se depararam com mensagens hostis escritas nos muros da escola: "morte aos árabes" e "não há coexistência com o câncer".
A escola é um símbolo da aspiração por uma coexistência pacifica e respeitosa entre israelenses e palestinos. As aulas são administradas sempre por dois professores – um palestino e um israelense – e o ensino é conduzido nas duas línguas – hebraico e árabe.
Trabalhador remove quadro de escola incendiada  (Foto: Reuters)Trabalhador remove quadro de escola incendiada (Foto: Reuters)
Para a deputada Zahava Galon, do partido social-democrata Meretz, há uma relação entre o ataque à escola e o projeto de lei de Estado-nação judaico, do premiê Netanyahu.
"O primeiro ministro condena o ataque à escola mas isso não é suficiente. Ele também deve retirar sua lei nacionalista vergonhosa, que só confere legitimidade a fanáticos que se aproveitam da violência e consideram os árabes pessoas de segunda classe", diz Meretz.
Carmi Gillon, ex-chefe do Serviço de Inteligência (Shabak), afirma que "um grupo de piromaníacos liderado por um egomaníaco está nos conduzindo à destruição total". A frase foi dita durante uma manifestação em Jerusalém em frente à residência de Binyamin Netanyahu.
O premiê condenou o ataque à escola mas não retirou a lei. Com a dissolução do Parlamento, ainda não se sabe se Netanyahu irá levá-la à votação ou optará por reapresentá-la após as eleições.
Apoio
Para vários analistas locais o projeto pode ter sido uma estratégia do premiê para agravar a crise governamental e antecipar as eleições - como de fato ocorreu -, já que os lideres de partidos de centro e parceiros da coligação, Tzipi Livni e Yair Lapid, se opuseram ao teor da lei defendida por Netanyahu.
Junto com os partidos ultraortodoxos - Shas e Yahadut Hatorah -, que obteriam 15 cadeiras, Netanyahu poderia formar uma coligação governamental sem politicos de centro e assim eliminaria a oposição dentro do gabinete a futuros projetos de lei semelhantes.
Mascarados, palestinos celebram ataque a sinagoga  (Foto: Reuters)Mascarados, palestinos celebram ataque a sinagoga (Foto: Reuters)
De acordo com enquetes recentes, amplos setores da sociedade israelense apoiam o teor do projeto de lei.
Pesquisas de opinião indicam que os partidos de direita que defendem o princípio da exclusividade de direitos nacionais para judeus - Likud, Habait Hayehudi e Israel Beitenu, liderados por Netanyahu, Naftali Bennet e Avigdor Lieberman - obteriam pelo menos 51 das 120 cadeiras no próximo Parlamento.
O colunista Dror Eidar, do jornal Israel Hayom, que apoia o projeto de lei do Estado-nação judaico, argumentou que "diante de dezenas de fatores, dentro e fora do país, que se uniram nas últimas décadas para dissolver o caráter nacional de Israel em um multiculturalismo formado por diversos grupos nacionais sob o código de 'Estado de todos os seus cidadãos', eis que se ergue uma outra posição, nacional, que visa fortalecer o fundamento judaico".
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