Biden alerta sobre "antissemitismo" e crescente campanha contra Israel

Washington, 6 dez (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou neste sábado o que considera uma crescente campanha contra Israel e um maior sentimento de "antissemitismo" no mundo, mas também criticou o país aliado por recorrer à "punição coletiva" com a demolição de casas palestinas durante a última crise em Gaza.
Durante a conferência anual do Fórum Saban, no centro de estudos Brookings em Washington, Biden defendeu a solidez da relação entre Estados Unidos e Israel e alertou para uma tendência em escala global.
"Não há nenhuma ameaça que me preocupe mais que a crescente onda de antissemitismo no mundo todo, um esforço para deslegitimar Israel, visto por todas partes. Não pode haver nenhuma tolerância para o antissemitismo", afirmou o vice-presidente em discurso.
Em discurso cheio de afirmações sobre o compromisso americano com Israel e a solidez da relação bilateral, Biden introduziu uma crítica ao Executivo de Benjamin Netanyahu.
"A atividade de assentamentos unida às demolições das casas, ou punição coletiva", são medidas que ameaçam inflamar as tensões, comentou, em referência aos edifícios destruídos em Gaza durante a crise de agosto.
Biden também se referiu à tensão provocada pelo fechamento por parte das autoridades de Israel da Esplanada das Mesquitas em outubro, incidente que foi condenado imediatamente pelos EUA, da mesma forma que os planos israelenses para aumentar a edificação de casas em Jerusalém Oriental.
Essas divergências por parte de Washington, somadas às já manifestadas durante a crise de Gaza, esfriaram a relação entre Israel e Estados Unidos no segundo semestre do ano.
Biden reconheceu que os dois países têm "desacordos táticos", mas que "não há diferenças na perspectiva estratégica" de ambos e não há "absolutamente nenhuma divergência quanto à questão da segurança de Israel", com a qual os EUA têm um "compromisso ferrenho e não negociável".
"Peço para que mantenhamos os desacordos que possamos ter porque não chegam à alma, à essência do que é a relação entre Estados Unidos e Israel. Como amigos, temos a obrigação de falar honestamente", ressaltou.
Biden insistiu na necessidade de avançar rumo a uma "solução de dois Estados" entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), pois "a maioria de israelenses e palestinos acham que a paz é possível, necessária e justa".
O vice-presidente americano afirmou que, "pela primeira vez na história moderna", Israel e "alguns de seus vizinhos árabes" como Egito, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Arábia Saudita estão de acordo em assuntos como a luta contra o Estado Islâmico (EI).
Segundo Biden, isso representa "certamente uma oportunidade para relações mais próximas entre Israel e o mundo árabe" e em último caso pode impulsionar uma negociação de paz com os palestinos.
A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton também discursou a sexta-feira no fórum Saban e fez uma clara defesa da política para Israel do governo de Barack Obama, incluindo sua decisão de proceder com as negociações nucleares com o Irã e outras potências, apesar das advertências de Netanyahu.
Neste domingo, discursarão perante o fórum o próprio Netanyahu, via videoconferência, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry. EFE
llb/vnm

CONTEÚDO RELACIONADO