Netanyahu diz que radicais são inimigos do mundo

JIM HOLLANDER/AFP'Queríamos vocês vivos.' Ao fundo, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, discursa, diante dos corpos das vítimasJERUSALÉM - Cerca de 2.000 pessoas foram ontem ao Cemitério Har Menuhot (Monte do Descanso, na tradução literal), em Jerusalém, prestar a última homenagem aos quatro judeus franceses mortos numa loja kosher em Paris, na última sexta-feira, assassinados por um fundamentalista islâmico. Entre elas estavam dezenas de judeus franceses, recém-imigrados ou que viajaram apenas para a cerimônia. Hebraico e francês predominavam no ambiente de comoção. Yohan Cohen, de 21 anos, Yoav Hattab, de 22, Philippe Braham, de 45, e François-Michel Saada, de 64, foram baleados e mortos pelo extremista Amedy Coulibaly, no mercado Hyper Casher. O primeiro-ministro e o presidente israelenses, Bejmanin Netanyahu e Reuven Rivlin, também compareceram, dando um caráter político ao funeral ao discursarem sobre a ameaça extremista e conclamaram judeus franceses a migrarem para Israel.
- Eu tenho falado por anos, e vou dizer novamente hoje: eles não são somente inimigos do povo judeu, mas inimigos da Humanidade. Chegou a hora de todo o mundo civilizado se unir e extirpar esses inimigos do meio de nós - declarou Netanyahu, que esteve com dezenas de chefes de Estado e governo na marcha republicana em Paris, no domingo. - Finalmente, estão começando a entender que o terror do extremismo islâmico é uma ameaça real.
Netanyahu volta a convocar imigração
Assim como havia feito em discurso na Grande Sinagoga de Paris, Netanyahu voltou a dizer que judeus ao redor do mundo serão sempre bem-vindos a imigrarem para Israel. O funeral, que começou ao meio-dia de uma ensolarada terça-feira em Jerusalém, também contou com a presença de Isaac Herzog, líder da oposição no Knesset, o Parlamento de Israel, além de outros integrantes do Legislativo. Os enterros em solo israelense foram solicitados pelas próprias famílias das vítimas. Indignado, Rivlin afirmou que "não pode ser, em 2015, 70 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, que judeus devam ter medo de andar com um solidéu em suas cabeças nas ruas da Europa".
- Isso não é como queríamos recebê-los na Terra Santa, ao Estado de Israel e sua capital, Jerusalém - discursou Rivlin à multidão. - Queríamos vocês vivos. Estou diante de vocês agora com um coração que está partido, tremendo e com dor, e uma nação inteira está chorando comigo. Os líderes europeus devem firmemente e ativamente restaurar o senso de segurança para os judeus na Europa.