Israel pedirá a congressistas dos EUA cancelamento de ajuda para Palestina

Jerusalém, 5 jan (EFE).- Israel pedirá ao Congresso dos Estados Unidos que interrompa a ajuda financeira aos palestinos caso recorram ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para processar militares ou governantes israelenses, segundo uma fonte do governo citada nesta segunda-feira pelo jornal "Haaretz".
A fonte, que pediu anonimato, afirmou que o governo de Benjamin Netanyahu entrará em contato em breve com congressistas pró-Israel para pedir que cumpram uma lei já aprovada nos EUA que estabelece o bloqueio da ajuda à Autoridade Nacional Palestina (ANP) nessas circunstâncias.
Os EUA, que concedem uma ajuda oficial aos palestinos de cerca de US$ 400 milhões ao ano, aprovou a lei no mês passado, segundo o "Haaretz".
Na sexta-feira, um funcionário do Departamento de Estado americano alertou sobre possíveis "consequências" se os palestinos continuarem o processo para ingressar ao TPI, que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, iniciou na semana passada com a assinatura dos documentos para pedir a adesão ao tribunal.
Isso pode abrir caminho para a apresentação de denúncias dos palestinos contra governantes e altos comandantes israelenses por violação dos direitos humanos e crimes de guerra nos territórios ocupados.
Em resposta a esse pedido, Israel anunciou no domingo o congelamento das transferências mensais do dinheiro que o país arrecada para a ANP em impostos e taxas de alfândegas, neste momento de aproximadamente 500 milhões de shekels (cerca de US$ 127 milhões).
O jornal israelense afirma que Netanyahu espera conseguir o respaldo da nova maioria republicana, tanto no Congresso como no Senado dos EUA, para que a ajuda de Washington seja bloqueada.
Segundo o jornal, após o reajuste em ambas as câmaras, vários cargos importantes ficaram em mãos de políticos pró-Israel e a legislação é muito rígida para impedir qualquer tipo de intervenção por parte do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
A Casa Branca vê a suspensão da ajuda com preocupação porque colocaria a ANP em dificuldades na hora de pagar os salários de dezenas de milhares de funcionários. EFE