terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Recente simpatia e apoio do governo argentino ao Hamas quando Israel precisou se defender deste, soma nas evidências de motivação antissemita e criminosa na gestão desta na presidência.


"manuel Nahshon, em um comunicado.
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Kirchner defende ações do governo para apurar atentado contra a Amia
No Facebook, presidente falou pela 1ª vez após a morte de Alberto Nisman. Promotor que acusou governo de encobrir o caso foi achado morto domingo.
20/01/2015 04h22 - Atualizado em 20/01/2015 04h22
Agencia EFE
Da EFE
Presidente postou sobre o caso na noite desta segunda-feira (19) (Foto: Reprodução/Facebook Oficial Cristina Fernandez de Kirchner)
Presidente postou sobre o caso na noite desta segunda-feira (19) (Foto: Reprodução/Facebook Oficial Cristina Fernandez de Kirchner)
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, denunciou nesta segunda-feira (19) a existência de uma história "muito sórdida e cheia de dúvidas" após a morte de Alberto Nisman e defendeu as tentativas de seu governo para esclarecer o atentado contra a associação mutual isrealita Amia, em 1994, em sua primeira reação após a morte do promotor.
"No caso do suicídio do promotor responsável pelo caso Amia, Alberto Nisman, não só há espanto e dúvidas, mas uma história longa demais, pesada demais, dura demais e, sobretudo, muito sórdida. A tragédia do maior atentado terrorista que aconteceu na Argentina", afirmou a presidente.

Cristina, em uma extensa carta publicada em sua página do Facebook, também denunciou tentativas de "ludibriar, esconder e confundir" o caso do atentado contra a Amia, e investiu contra os serviços de Inteligência e a imprensa opositora.

À espera do julgamento por acobertamento do atentado, promovido por Nisman contra o ex-presidente Carlos Menem, o ex-juiz do causa Amia e ex-responsáveis dos serviços de Inteligência, a presidente denunciou o papel dos agentes no primeiro julgamento sobre a tragédia.
"Naquele julgamento desapareceram fitas cassete que provariam que a Side (Secretaria de Inteligência do Estado) tinha conhecimento de que um atentado estava sendo preparado, agora aparecem fitas com gravações de personagens publicamente simpáticos ao Irã, pessoas das quais sequer é necessário 'grampear' um telefone para saber o que fazem ou o que pensam", acrescentou.
"Hoje, mais do que nunca, não se deve permitir que, mais uma vez, se tente fazer com o julgamento de acobertamento o mesmo que foi feito com a causa principal. Os autores do atentado serão descobertos quando se souber quem os acobertou", insistiu.
"De maneira curiosa e sugestiva", disse Cristina, se tenta transformar o governo "que mais fez para tentar esclarecer o atentado" em "acobertadores por tentar fazer com os acusados iranianos sejam interrogados mediante um tratado internacional aprovado por lei no Congresso", prosseguiu, em alusão ao acordo alcançado com o Irã em janeiro de 2013.
O procurador argentino Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em atentado a centro judaico em 1994. (Foto: Reuters/Marcos Brindicci/File)
O promotor argentino Alberto Nisman, de 51 anos
(Foto: Reuters/Marcos Brindicci/File)
"Para mim é demais. Não se pode violar a lei com a aprovação do Congresso. Não se pode violar a lei quando o que se quer é que os acusados sejam interrogados, sobretudo, porque esta é a única maneira de fazer a causa avançar, após a estagnação e o retrocesso de quase 21 anos", opinou.
A presidente também coloca uma longa série de dúvidas sobre as circunstâncias em torno da morte de Nisman, entre elas questionou por que o promotor solicitaria uma arma - que utilizou para atirar em si mesmo - a um de seus colaboradores, alegando defesa pessoal, quando dispunha de dez policiais para sua segurança e vivia em um edifício com vigilância privada.
"Acho que nós argentinos não merecemos ser tão subestimados em nossa inteligência e muito menos quando 85 vítimas e seus familiares ainda esperam por justiça após 21 anos", concluiu.

Investigação da morte
A autópsia do corpo do promotor federal argentino Alberto Nisman, que foi encontrado morto em seu apartamento em Puerto Madero na madrugada desta segunda-feira (19), foi concluída e resultados preliminares indicam que "não houve participação de terceiros" na morte do promotor. Os resultados estão nas mãos da justiça.

A promotora a cargo da investigação, Viviana Fein advertiu em comunicado à imprensa que espera "os resultados de um conjunto de provas destinadas a descartar qualquer outra hipótese". Os estudos mais complexos feitos nas mãos do promotor, que determinarão a existância ou não de restos de pólvora, deverão chegar entre hoje e amanhã, afirma Fein.

O comunicado de Viviana indica ainda que a procuradoria continua à espera de resultados de medidas técnicas encomendadas à prefeitura e à divisão de apoio tecnológico da polícia federal sobre o material apreendido no apartamento de Nisman.

Mais cedo, Viviana havia confirmado que foi encontrada uma arma de calibre 22 na residência de Nisman em Buenos Aires, mas pediu prudência e cautela à espera das conclusões das investigações.
Manifestante com o cartaz Eu Sou Nisman durante protesto realizado na Praça de Maio, em Buenos Aires, na noite desta segunda-feira (19) (Foto: Rodrigo Abd/AP Photo)
Manifestante com o cartaz Eu Sou Nisman durante protesto realizado na Praça de Maio, em Buenos Aires, na noite desta segunda-feira (19) (Foto: Rodrigo Abd/AP Photo)

Manifestações
Milhares de pessoas tomaram as ruas em diferentes cidades da Argentina nesta segunda-feira (19) para expressar sua comoção e reivindicar que se esclareça a morte do promotor Alberto Nisman, encarregado da causa do atentando contra a instituição israelita Amia, que deixou 85 mortos em 1994.

As manifestações foram convocadas espontaneamente através das redes sociais em cidades como Mar del Plata, Mendoza, Córdoba, Santa Fé, La Rioja e San Luis, mas, a maior de todas, aconteceu em Buenos Aires, onde houve confronto e quatro pessoas sofreram ferimentos leves.

Denúncia
Nisman, de 51 anos e que estava à frente da Promotoria Especial de Investigação do Atentado à Amia desde 2004, tinha afirmado que tinha provas que demonstravam que, tal como apontava a investigação e a comunidade judaica, o Irã e o Hezbollah estiveram por trás do planejamento e da execução desse ataque.

O promotor denunciou Cristina e vários de seus colaboradores na semana passada pela assinatura de um acordo com o Irã, que supostamente acobertaria alguns dos principais acusados do atentado contra a instituição israelita.

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