Netanyahu afirma que em breve EI, Hezbollah e Al Qaeda recorrerão ao TPI

Jerusalém, 17 jan (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado que é "escandaloso" que o Tribunal Penal Internacional (TPI) "persiga Israel" e "em breve o EI (Estado Islâmico), Hezbollah e Al Qaeda" vão recorrer ao tribunal.
"É absurdo que o TPI ignore a lei e acordos internacionais, sob os quais os palestinos não têm um Estado e só podem conseguir um por meio de negociações diretas com Israel. As regras do TPI são claras: Não há Estado, não há caso", afirmou em um comunicado oficial.
Ontem, a promotora do TPI Fatou Bensouda anunciou a abertura de um exame preliminar por possíveis crimes cometidos nos territórios palestinos. Em 2 de janeiro, dirigentes palestinos solicitaram a adesão da Palestina ao tribunal.
Netanyahu disse hoje que Israel, que não reconhece o TPI, "mantém os mais altos padrões da legislação internacional" e "se defende legitimamente de terroristas palestinos que de forma rotineira cometem múltiplos crimes de guerra".
"Lançam milhares de foguetes contra nossos civis enquanto se escondem atrás de civis palestinos que usam como escudo humano", acusou.
Para Netanyahu, Israel é "líder mundial na luta contra o terrorismo", o que transforma em absurdo que "criminosos de guerra como o Hamas apresentem acusações".
"Não me surpreenderia se EI, Al Qaeda e o Hezbollah seguirem seus passos em breve", acrescentou. O primeiro-ministro lembrou que o TPI "foi fundado para prevenir que se repitam os piores crimes da história, o principal deles o genocídio de seis milhões de judeus".
"Agora os palestinos manipulam cinicamente o TPI para negar ao Estado judeu os direitos de se defender dos mesmos crimes de guerra e do mesmo terror que motivaram a criação do tribunal", acrescentou o chefe do governo.
As autoridades palestinas, no entanto, expressaram satisfação diante da decisão anunciada ontem em Haia (Holanda).
"A Palestina considera que este é um passo positivo para se conseguir a justiça e garantir o respeito à lei internacional", afirmou o Ministério das Relações Exteriores palestino em um comunicado.
O TPI esclareceu que um exame preliminar "não é uma investigação, mas um processo para examinar a informação disponível" antes de, se houver fundamento, abrir uma investigação, "conforme aos critérios do Estatuto de Roma", legislação que rege o tribunal. EFE