terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DEZ BILHÕES - STEPHEN EMMOT - DESAFIOS DA ALIMENTAÇÃO MUNDIAL




O problema da alimentação também é simples.

Hoje não temos como alimentar dez bilhões de pessoas no nosso atual ritmo de consumo e sistema agrícola.

Na verdade, para termos alimentos para os próximos quarenta anos, vamos ter que produzir mais comida do que toda a produção agrícola dos últimos dez mil anos.

Ainda assim, a produtividade de alimentos deverá diminuir, talvez drasticamente, nas próximas décadas.

Por quê? Existem três motivos.

Em primeiro lugar, a mudança climática. Ela vai aumentar a frequência e a gravidade de eventos climáticos extremos (já vem causando ondas de calor, secas e inundações anormais), resultando na perda de colheitas em diversas partes do mundo.

O segundo é a degradação do solo e a desertificação. Esses problemas estão aumentando com rapidez em muitas partes do mundo. Devem-se ao escoamento superficial da água, à poluição (incluindo o uso de fertilizantes e a salinização resultante da irrigação), aos eventos climáticos extremos, às práticas agrícolas intensivas e ao abuso no pastoreio.

O terceiro é o esgotamento hídrico, decorrente das secas - cada vez mais frequentes - induzidas pelas mudanças climáticas graves, pelo aumento do uso de água e água oculta por uma população em crescimento e pelo aumento no uso de quase tudo.

Mas estão surgindo duas outras crises que ameaçam o futuro de nossa alimentação. A primeira é a crise do fosfato. A produção agrícola mundial depende quase totalmente de fertilizantes à base de fosfato. Mas reservas são finitas, e não há dúvida de que elas vão acabar - é quase certo que aconteça em algum momento deste século. A questão é ''quando'', e não ''se''. E, por sermos tão dependentes dos fosfatos, esse será o fim da comida como a conhecemos para a população humana mundial.

A segunda crise é o surgimento de novos patógenos fúngicos que ameaçam devastar as colheitas (e, potencialmente, o gado).
Na verdade, mesmo para todos os principais patógenos fúngicos conhecidos, apenas uma classe de substâncias químicas chamadas triazóis ainda é eficaz no combate às doenças fúngicas nas lavouras, mas os patógenos estão evoluindo rapidamente e criando resistência a elas. Se, ou quando, isso acontecer, corremos o risco de enfrentar crises de fome em larga escala.