A questão palestiniana continua a ser uma das mais polémicas dos nossos tempos, tendo o antagonismo mútuo entre palestinianos e israelitas iniciado já diversos incidentes violentos, que dividem as opiniões públicas acerca do que sentir em relação ao assunto. Apesar da ameaça de ataques por parte de organizações terroristas palestinianas, a verdade é que Gaza é uma cidade sitiada, e a Cisjordânia é ocupada aos poucos pelos colonatos judeus. Esta postura por parte de Telavive tem sido desculpa suficiente para diversos governos de índole islâmica na região fundamentarem tomadas de posições mais extremistas e moverem agendas populistas que tentam justificar a tirania dos mesmos, enquanto os palestinianos são apanhados no fogo cruzado das grandes jogadas políticas no Médio Oriente, das quais tentam ser mais do que peões para qualquer um dos lados.
Com isto dito, não pode ser afastada a ameaça que reveste grupos como o Hamas,que ocupa a Faixa de Gaza, e continua a ser maioritariamente hostil perante Israel, não obstante o acordo feito com a Fatah no ano passado com vista ao estabelecimento de um Estado da Palestina. A paranóia israelita terá alguns fundamentos e o ódio entre ambos os lados é bem real. Isto leva-nos para a questão de uma interessante personagem que é Lina Khattab. Com 17 anos, é estudante de Jornalismo na Universidade de Birzeit e também uma ativista pelos direitos do povo palestiniano, bastante conhecida entre os seus pares. No passado dia 13 de Dezembro, aquando da marcha do aniversário dos 47 anos da Frente Popular para a Libertação da Palestina (classificada em vários países como organização terrorista), Lina foi presa pelas autoridades israelitas, que avançaram com acusações de comportamento hostil (arremessamento de pedras, segundo foi descrito pelas mesmas) e de participação em manifestação ilegal. Segundo uma entrevista feita à mãe de Lina pela agência de notícias Al-Quds, a jovem teria sido espancada e torturada pelos seus captores nas prisões de Ofer e HaSharon.
Desde a sua prisão que grupos ativistas palestinianos e internacionais têm tentado fazer pressão para a libertação da jovem, declarando que as acusações seriam forjadas e que este seria apenas mais um caso de prisões aleatórias feitas com o fim de atemorizar a juventude palestiniana. Esta semana, contudo, Lina Khattab foi finalmente julgada e condenada a três meses de prisão com multa de 1500 Euros, com base nos testemunhos de três polícias israelitas. Será ainda sujeita a três anos de vigilância.
O facto de que Lina é ainda conhecida por ser uma praticante de dança folclórica apenas ajuda a criar uma mais completa imagem mediática em redor da mesma. Movimentos palestinianos tentam utilizar esta figura para chamar a atenção para a sua luta. E essa é uma questão que complica ainda mais a situação da jovem Lina. É sabido que o conflito entre Israel e a Palestina leva a muitas posições extremas de ambos os lados (os tribunais israelitas recentemente passaram uma lei segundo a qual o arremessamento de pedras contra figuras da autoridade pode levar a 20 anos de prisão). Jovens como Lina, em ambos os lados da metafórica vedação, tornam-se assim peões na guerra de propaganda. Enquanto reais hipóteses de entendimento não forem apresentadas, então a tendência será para o extremar de posições, do qual resultarão poucos resultados positivos.