quinta-feira, 12 de março de 2015

10 BILHÕES * STEPHEN EMMOTT * CONCLUSÃO DESTA EXCELENTE OBRA RECOMENDAVEL PARA ESTAR EM TODAS AS BIBLIOTECAS COLETIVAS E INDIVIDUAIS, ENSINADO NAS SALAS DE AULA, LIDO ENTRE OS LIVROS DO GINÁSIO BÁSICO JUNTO COM A BÍBLIA JUDAICO-CRISTÃ COMO OBRAS INFORMATIVAS E ESSENCIAIS, ALÉM DE ABORDADO E REAPLICADO TODOS ANOS DE APRENDIZAGEM. LEVANDO EM CONTA QUE SEU CUSTO HABITUAL NO BRASIL É DE R$ 20,00 - DEVE SER BEM RECOMENDADO E USADO







Então os políticos optaram por uma diplomacia sem resultados. Por exemplo:

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, cuja função é, há vinte anos, garantir a estabilização dos gases de efeito estufa na atmosfera da Terra: Fracasso.

A Comissão das Nações Unidas de Combate à Desertificação, cuja função é, há vinte anos; impedir que as terras entrem em deterioração e se tornem desérticas: Fracasso.

A Convenção sobre a Diversidade Biológica, cuja função é, há vinte anos, reduzir a taxa de perda de biodiversidade: Fracasso.

Esses são apenas três exemplos de iniciativas globais malsucedidas. A lista é longa e desanimadora.

Recentemente, tanto a Rio+20 quanto a 18° Conferência das Partes (COP-18), na cidade de Doha, produziram retóricas ainda mais fracas do que todas as outras convenções, promessas e "compromissos" anteriores.

Parece que vinte anos de palavras e inércia darão lugar a mais 20 anos de palavras e inércia. Enquanto isso, caminhamos em direção a problemas cada vez maia profundos.

E os governos justificam esse nível de inércia por meio da exploração da opinião pública e da incerteza científica.

Antes era aceitável pensar: "Precisamos esperar até que a ciência prove que a mudança climática está acontecendo." Agora ninguém mais duvida disso.

Então passou a ser: "Precisamos esperar até que os cientistas sejam capazes de nos dizer quais serão os impactos e os custos " e "Precisamos esperar o apoio da opinião pública ".

Mas os modelos climáticos nunca estarão livres de incertezas.

E, quanto à opinião pública, os políticos não tem receio de ignora-la quando lhes convém - seja par declarar guerras, ajudar bancos ou reformar a área da saúde, apenas para dar três exemplos.

O que os políticos e os governos dizem sobre o compromisso com o combate às mudanças climáticas é completamente diferente de suas ações.

E quanto ao mundo dos negócios? Em 2008, um grupo de economistas e cientistas altamente respeitados liderados por Pavan Sukhdev, na época economista sênior do Deutsche Bank, realizou uma análise econômica sólida sobre o valor da biodiversidade. A conclusão? O custo das atividades das três mil maiores empresas do mundo em perdas ou danos à natureza e ao meio ambiente em termos de ecossistemas florestais que perdemos a cada ano é estimado entre 1,3 e 3,1 trilhões de dólares por ano. E só faz aumentar.

Esses custos são "externalidades" - como as que mencionei antes ao falar sobre o preço de um carro: o preço das atividades empresariais para a sociedade que não está sendo pago atualmente. O custo dos danos ambientais, das mudanças climáticas, da poluição e da perda de ecossistemas.

Custos que terão que ser pagos no futuro.
Pelos seus filhos e netos.

Em termos de negócios, a única esperança de abrandar remotamente alguns dos problemas que enfrentaremos é uma transformação radical da cultura corporativa. Para citar Pavan Sukhdev:

"As regras de negócios precisam ser alteradas com urgência, para que as empresas passem a competir com base na inovação, na conservação de recursos e na satisfação das múltiplas demandas das partes interessadas e não com base em quem é mais capaz de influenciar a regulamentação do governo, evitando impostos e obtendo subsídios para atividades prejudiciais a fim de maximizar o retorno para apenas uma das partes interessadas - os acionistas."

Se eu creio que isso vá acontecer? Não.

E quanto a nós?

Confesso que achava divertido, mas agora estou farto de ler nos jornais celebridades dizendo: "Me livrei do meu 4x4 e agora dirijo um híbrido. Viram como estou fazendo a minha parte pelo meio ambiente?"

Eles não estão fazendo coisa alguma pelo meio ambiente. Mas não é culpa deles. O fato é que eles - nós - não estão bem-informados.

Isso é parte do problema. Não temos acesso às informações necessárias. A dimensão e a natureza do problema simplesmente não estão sendo repassadas para nós. E, quando nos aconselham a fazer algo em relação ao problema, mal chega a ser uma gota no oceano.

Eis algumas mudanças que certas celebridades que adoram se manifestar a esse respeito e governos, os quais deveriam saber que não é certo divulgar tais absurdos como "solução", nos pediram que fizéssemos:

Desligue o carregador do seu celular; faça xixi durante o banho (o meu favorito); compre um carro elétrico (não, não compre); use duas folhas de papel higiênico ao invés de três.

Todos esses gestos simbólicos omitem o fato essencial de que a dimensão e a natureza dos problemas que enfrentamos são imensas, sem precedentes e possivelmente insolúveis.

As mudanças comportamentais exigidas de nós são tão cruciais que ninguém quer fazê-las.
Quais são elas?

Precisamos consumir menos. Muito menos.
Menos comida, menos energia,
menos coisas?
Menos carros, menos carros elétricos, menos camisetas de algodão, menos notebooks, menos celulares novos. Muito menos.

Mesmo assim, a cada década, o consumo mundial continua a aumentar incessantemente.

E cabe aqui ressaltar que "nós" se refere às pessoas que vivem no ocidente e no hemisfério norte do globo. Existem, atualmente, quase três bilhões de pessoas no mundo que precisam urgentemente consumir mais: mais água, mais comida mais energia.
E, até o final do século, haverá cinco bilhões que vão precisar consumir mais.

Dizer "não tenha filhos" é totalmente ridículo.

Isso contradiz cada informação geneticamente codificada que possuímos, e um dos impulsos mais importantes (e divertidos) que temos. Dito isso, a pior coisa que podemos fazer - em nível mundial - é ter filhos no ritmo atual.

Mesmo que um programa de energia nuclear global fosse criado, mesmo que a geoengenharia de alguma forma cuidasse do problema da mudança climática, e mesmo que consumissemos, ainda assim atingiriamos o fim da linha se a população humana continuar crescendo da forma como cresce hoje.

Todos sabemos que existe uma relação entre a educação das mulheres no mundo em desenvolvimento e a redução da taxa de natalidade. Mas não existem muitas provas de que isso esteja acontecendo nas regiões onde a população está crescendo mais rápido, por uma série de motivos políticos e religiosos.

E a contracepção não é uma solução viável, em parts pelos mesmos motivos políticos e religiosos e também por causa do simples fato de que as normas culturais em muitos países ditam que ter três ou cinco filhos é o "Ideal".

Por exemplo, os métodos contraceptivos são permitidos e amplamente disponibilizados na República do Níger há anos, assim como programas de educação estão em vigor há muito tempo; apesar disso; sua taxa de natalidade média é de sete filhos por mulher.

De acordo com as Nações Unidas, a previsão é de que a população de Zâmbia terá aumentado 941% até o final do século. E o crescimento da posa Nigéria deve aumentar 349% - para 730 milhões de pessoas. O da população

do Afeganistão será de 242%
da República Democrática do Congo, 213%
da Guatemala, 369%
do Iraque, 344%
do Quênia, 284%
da Libéria, 300%
do Malaui, 741%
De Mali, 408%
De Níger, 766%
da Somália, 663%
de Uganda, 396%
do Iêmen, 299%

Até mesmo a população dos Estados Unidos  deverá crescer 53% até 2100, de 315 milhões em 2012 para 478 milhões.

Quero apenas salientar que, se a atual taxa global de reprodução continuar, até o final deste século não haverá 10 bilhões de nós.

Haverá 28 bilhões.

AONDE ISSO VAI NOS LEVAR?

Vejamos a coisa desta forma: se descobrissemos amanhã um asteroide em rota de colisão com a Terra e - porque a física é uma ciência relativamente simples - fossemos capazes de calcular que ele atingiria a Terra em 3 de junho de 2072 e soubéssemos que seu impacto acabaria com 70% de toda a vida na Terra, os governos iriam mobilizar o planeta inteiro como nunca.

Todos os cientistas, engenheiros, universidades e empresas serim recrutados: metade para encontrar uma forma de parar o asteroide e a outra metade para encontrar uma maneira de a nossa espécie sobreviver e se reerguer caso a primeira opção não fosse bem sucedida.

Estamos quase exatamente nessa situação agora, exceto que não há uma data específica ou um asteroide.

O problema somos nós.

Eu simplesmente não consigo entender por que não nos empenhamos mais em lidar com a situação em que nos encontramos - dadas a dimensão do problema e a urgência necessária.

Estamos gastando 8 bilhões de euros na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN) para descobrir provas de uma partícula chamada bóson de Higgs, que, no fim, poderá ou não explicar o conceito de massa e nos fornecer uma confirmação parcial para o modelo padrão da física de partículas.

E os físicos sa CERN adoram dizer que esse é o maior e mais importante experimento na Terra.

Não é.

O maior e mais importante experimento na Terra é o que estamos realizando agora mesmo, na própria Terra.

Só um idiota poderia negar que existe um limite para o número de pessoas que nosso planeta consegue suportar. A questão é: será que o número é sete bilhões (nossa população atual), dez bilhões ou 28 bilhões? Acho que já ultrapassamos o número. Bastante.

Poderiamos mudar a nossa situação. O mais provável é que não consigamos resolver isso usando a tecnologia, mas é possível fazê-lo transformando nosso comportamento radicalmente.

Contudo, não há sinal algum de que isso esteja acontecendo ou prestes a acontecer.

Acredito que os interesses econômicos irão prevalecer como sempre.

Como cientista, o que penso a respeito da nossa situação?

A ciência é essencialmente o ceticismo organizado. Passei a vida tentando comprovar que meu trabalho estava errado ou procurando explicações alternativas para meus resultados. Isso até tem um nome. Chama-se a teoria da falseabilidade de Popper.

Espero estar errado. Mas a ciência indica o contrário.

Como eu disse no início, podemos dizer que a situação em que nos encontramos é de uma emergência sem precedentes.

Precisamos, com urgência, fazer - e fazer de verdade - algo radical para evitar uma catástrofe global. Mas não acho que isso vá acontecer.

Acho que estamos ferrados.

Perguntei a um dos ciências mais racionais e brilhantes que conheço, um jovem cientista do meu laboratório que trabalha nessa área: se houvesse apenas uma coisa que tivesse que fazer quanto à situação que enfrentamos, o que seria?

A resposta dele?

"Ensinar meu filho a usar uma arma".