Netanyahu se desculpa publicamente por declarações sobre árabes israelenses

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que venceu as eleições parlamentares de 17 de março, apresentou nesta segunda-feira um pedido de desculpas por suas declarações sobre os árabes israelenses durante a campanha eleitoral, muito criticadas especialmente pelos Estados Unidos.
"Eu sei que minhas declarações na semana passada ofenderam alguns cidadãos israelenses e membros da comunidade árabe-israelense. Esta nunca foi minha intenção. Peço desculpas por isso", disse Netanyahu.
Essas declarações, expressas durante uma reunião com árabes israelenses em Jerusalém, foram transmitidas pela televisão.
Poucas horas antes do fechamento das urnas, Netanyahu lançou um forte apelo para incentivar os partidários do Likud, o seu partido, a votar.
"O poder da direita está em perigo. Os eleitores árabes chegam em massa às urnas. As associações de esquerda os levam em ônibus", declarou na ocasião.
O apelo foi ouvido e Netanyahu venceu o seu terceiro mandato consecutivo, contrariamente ao que as pesquisas apontavam.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou as palavras de Benjamin Netanyahu. "Este tipo de retórica é contra a mais pura tradição israelense", acrescentou.
Ayman Odeh, número um da lista árabe que obteve um recorde de 13 assentos de um total de 120 nas legislativas, rejeitou as desculpas de Netanyahu.
"Elas não são aceitáveis porque Benjamin Netanyahu prevê não só aprovar leis racistas, mas com suas declarações, ele contestou o direito fundamental dos árabes israelenses de voltar", afirmou a um canal de televisão.
"Netanyahu não pode estar sendo sincero, uma vez que não convidou os representantes legítimos que obtiveram mais de 90% dos votos da comunidade árabe para apresentar suas desculpas", acrescentou.
Segundo a emissora, os árabes israelenses recebidos nesta segunda-feira por Benjamin Netanyahu fazem parte da minoria desta comunidade, que é favorável ao Likud.
Os árabes israelenses, descendentes dos 160.000 palestinos que permaneceram em suas terras depois da criação do Estado de Israel, em 1948, representam cerca de 20% da população israelense.