quinta-feira, 2 de abril de 2015

"O governo da Autoridade Palestina, que tem se associado ao movimento terrorista assassino do Hamas, que comete crimes de guerra (...) é o último que pode ameaçar com processos perante o Tribunal Internacional de Haia", afirma o comunicado. "As ações unilaterais palestinas, com a adesão ao TPI à frente, são violações dos princípios estabelecidos entre as duas partes com o apoio da comunidade internacional para resolver o conflito israelense-palestino" - Diz o bom senso.



Israel denuncia entrada da Palestina no TPI como decisão 'política e cínica'
Medida abre caminho para que Israel seja julgado por crimes de guerra. Comunicado diz que adesão também é 'hipócrita'.
01/04/2015 13h24 - Atualizado em 01/04/2015 15h27
France Presse
Do G1, em São Paulo
Israel denunciou nesta quarta-feira (1º) a adesão da Palestina ao Tribunal Penal Internacional (TPI), chamando esta decisão de "política e cínica", segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores israelense, informa a agência France Presse.
"A decisão palestina de aderir ao TPI a fim de iniciar processos judiciais contra Israel é política, cínica e hipócrita", afirma o comunicado.
"O governo da Autoridade Palestina, que tem se associado ao movimento terrorista assassino do Hamas, que comete crimes de guerra (...) é o último que pode ameaçar com processos perante o Tribunal Internacional de Haia", afirma o comunicado.
"As ações unilaterais palestinas, com a adesão ao TPI à frente, são violações dos princípios estabelecidos entre as duas partes com o apoio da comunidade internacional para resolver o conflito israelense-palestino", disse o Ministério israelense.
A adesão da Palestina constitui mais uma etapa na ofensiva diplomática e judicial iniciada em 2014 pela liderança palestina.
Também representa um avanço de consequências incertas: no momento parece pouco provável que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e outros dirigentes israelenses compareçam algum dia a Haia.
Irritados com décadas de negociações em vão, sem qualquer perspectiva de ver a criação em breve do Estado que aspiram há muitos anos, os palestinos decidiram partir para uma ofensiva diplomática internacional.
No fim de 2014 decidiram aderir ao TPI, que tem por objetivo julgar os acusados de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra, depois que o Conselho de Segurança da ONU rejeitou um projeto de resolução para acabar com a ocupação israelense em três anos.
Ao mesmo tempo que solicitou a adesão ao TPI, o presidente palestino Mahmud Abbas enviou à corte um documento para autorizar a promotora do TPI, Fatou Bensouda, a investigar os supostos crimes cometidos nos territórios palestinos desde 13 de junho de 2014, a partir de quando houve um conflito em Gaza.
Pedido de investigação
Os palestinos, que se tornaram os 123º membros do tribunal permanente para crimes de guerra, disseram que dariam tempo aos procuradores para completar um inquérito inicial sobre o conflito de Gaza do ano passado, mas iriam pedir formalmente uma investigação caso demorasse.

"Se demorar mais (tempo) que o esperado ... nós vamos ... fazer um pedido", disse o ministro das Relações Exteriores palestinos, Riyad al-Maliki, em entrevista à agência Reuters, acrescentando que seu governo não hesitaria em entregar suspeitos palestinos caso o tribunal pedisse.
A participação no TPI faz parte da campanha palestina para ganhar reconhecimento global como Estado, mas Israel diz que tais movimentos unilaterais danificam projetos de uma solução negociada do conflito que já dura décadas.
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