quinta-feira, 9 de abril de 2015

Porque, além de não aprender com homens assim, a comunidade religiosa ainda priva os demais homens de tal aprendizado? O retorno é transmutado em caos e confusão global







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Yehudah Halevi
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Estátua de Yehudah Halevi em Israel.


Yehudah ben Samuel Halevi (em árabetransl. Abu-I-Hasan ibn Levi; Tudela,Navarra, c. 1070/75 - Jerusalém, c.1141) foi um filósofo e médico judeu doAl-Andalus e, sobretudo, junto com Ibn Gabirol e Samuel ibn Nagrela, um dospoetas judeus mais excelsos daliteratura hebraico-espanhola, inventor do gênero "sionida", no qual exprimia o amor pela lonjana Jerusalém; a sua obra poética foi tanto religiosa como profana.[1]


BiografiaEditar


Os dados sobre a sua vida são difusos. Nascido em Toledo ou em Tudela[2] ; muito jovem, receberia o influxo da vida cultural da taifa de Saragoça, regida então pelos Banu Hud, e em cuja corte literária se encontravam intelectuais judeus, como Ibn Gabirol, ibn Yannah,Bahya ibn Paquda, Levi ibn Tabban, poetas e pensadores, e o botânico ibn Buklaris. A isso se tem de acrescentar que, simultaneamente a Ibn Nagrella emGranada, em Saragoça o cargo de vizirfoi ocupado por judeus: Yekutiel ben Isaq (sob Al-Mundir II) e Abu al-Fadl ibn Hasdai (sob Al-Muqtadir, Al-Mu'tamin eAl-Musta'in II).


Rapaz ainda, para chegar à Andaluziateve de atravessar Castela, donde lhe veio o amor pela língua castelhana. DeCórdova deslocou-se a Granada, ondeMoses ibn Ezra ocupava um posto importante e mandou-o chamar. Os distúrbios políticos do Al-Andalusobrigaram-no a voltar à Castela cristã, assentando-se em Toledo, onde travou amizade com o magnata de Afonso VI,Yosef ibn Ferrusel, funcionário público de Afonso VI, que o protegeram; dessa época é a kharxa em romance escrita por ocasião da reconquista deGuadalajara em 1080. O emprego de versos da língua popular terminando uma composição literária era frequente no Al-Andalus entre os poetas arábigo-andaluzes.


Tendo sido discípulo de Yishaq Al-Fasi, um dos mais famosos talmudistas do Al-Andalus,[3] conhecia em profundidade o Talmude, a literaturarabínica, a poesia árabe, a filosofia grega e a medicina[carece de fontes].


Na sua estadia em Toledo escreveuDivan (Dìwan), uma coleção de poemas profanos escritos em hebraico, nos quais fez um canto à amizade, ao amor e à natureza. Nesta obra incluiu também poemas religiosos, os quais posteriormente seriam empregues na liturgia judaica, nos quais expressa o seu anseio de Deus e Sião e a sua esperança na redenção messiânica do povo judeu. Escreveu também o Livro do Kazar, diálogo em árabe no que explica o judaísmo a um converso.


Após 1108 parece ter voltado para Córdova, quando o poderio almorávida se desmoronava. Apesar da situação pouco segura dos judeus, não quis regressar a Toledo, onde exercera a medicina entre os cristãos[carece de fontes], e decidiu seguir a rota que marcara numa obra composta entre 1130 e 1145 na defesa do judaísmo; assim, partiu para a Terra Santa (1135-45?). Não é seguro, porém, que o autor de tantos suspiros por Sião chegasse ao seu destino. Vários anos ficou perto, noCairo, festejado pelos notáveis judeus da cidade. A ideia de Yehudah assaltado e morto por um bandido às portas de Jerusalém enquanto recitava uma "sionida" não é mais que uma bela lenda; a sua morte foi datada entre 1161 e 1178.

A sua poesiaEditar


É considerado como o melhor poeta medieval em língua hebraica. A sua obra poética é muito extensa, inspirando-se nos temas mais variados: o amor, a amizade e o mar. Do Diwanescrito em Toledo conservam-se panegíricos, cantos de casamento, elegias e composições autobiográficas.


Poeta culto, autor duma poesia lírica rica em metáforas e descrições, na qual abundam as reflexões filosóficas e religiosas. Utiliza diversas métricas e estrofes. São famosas algumas das suas kharxas profanas escritas no nascente romance, no final dasmuwashshahas e de gueulot e ahavot de temática religiosa, entre as que se destaca Quesudá ou Hino da criação.


Também é famosa a sua descrição de uma tempestade no mar, quando viajava para o Egito. Foi o criador do gênero poético-religioso das "sionidas".


No seu pensamento confluem as civilizações hebraica, árabe e cristã, e representa a posição judaica ortodoxa frente às religiões cristã e muçulmana, mas também frente ao pensamento filosófico-teológico de origem grega.


A sua principal obra é o chamado Kuzariou, no seu texto árabe original, Kitab alhuyya wa-l-dalil fi nusr al-din al-dalil, ou seja, Livro da prova e do fundamento sobre a defesa da religião menospreciada, escrito entre 1130-1140, e composto de cinco discursos. O nome dado ao livro,Kuzarí, é devido a que o autor apresenta na sua obra um rei pagão —o rei dos Cazares— que quer conhecer a verdadeira religião e que, após ter acudido a filósofos aristotélicos, a cristãos e a muçulmanos, apenas encontra a verdade nas fontes bíblicas do judaísmo, das quais já tinha ouvido, mas que somente um sábio judeu ortodoxo lhe revela em toda a sua verdade e integridade. Assim, faz uma apologia do judaísmo e do que chama "a verdadeira revelação" e, ainda sendo uma obra de caráter nomeadamente edificante e apologético, abundam nela os conceitos teológicos e filosóficos. Constitui um extraordinário compêndio de tradições orais e costumes semitas.


A facilidade de improvisação poética, a fundura do pensamento e do acendrado amor pelo judaísmo são as notas mais características de Yehudah.


Homem de caráter amável, destacava-se sua facilidade para compor versos de tema ou rima forçada; esta era uma habilidade estimada entre os árabes, que gostavam de organizar competições de improvisação nas suas tertúlias literárias, e igualmente o foi entre os judeus espanhóis, fortemente arabizados.


Durante o califado de Córdova, Dunas ben Labrat introduzira na poesia hebraica a métrica árabe e a temática profana, anacreôntica, da escola deBagdade, chamada "moderna" para a distinguir da antiga beduína pré-islâmica. Nesta poesia "moderna" cantava-se a formosura masculina e feminina, a beleza das flores, a alegria do vinho e do prazer dos banquetes, e tem numerosas poesias hebraicas deste gênero, embora sem chegar à procacidade de alguns autores árabes, regra de moderação que em geral seguiram todos os poetas hispano-hebraicos.


Com o passar do tempo começam a abundar em Yehudah as elegias pelos amigos que falecem e impõem-se os temas filosóficos e religiosos. O gênero zuhd dos árabes, carregado de tópicos sobre o desprezo do mundo e do elogio do ascetismo, está em frase de Millás Vallicrosa, "entonado por uma emoção bíblica" e não falta a influência da poesia moral de Ibn Gabirol. O tema messiânico torna-se mais presente com a ocupação pelos cruzados de Jerusalém e a aparição em Córdova do falso messias Moseh Drai, em 1130, a data precisamente que sonhara Yehudah como a do começo da Idade messiânica, provavelmente influenciado pelo cientista Abraham bar Hiyya que a calculara para 1135. Um século depois, Nahmánides faria outro cálculo semelhante.


O amor a Sião levou a Yehudah a dirigir-se a Terra Santa e na sua viagem marítima compôs uma série de poesias sobre o mar. Chegado a Alexandria, encontrou excelente acolhida e, embora ao cabo de muito tempo prosseguiu a sua viagem até Damieta, ficou ali perto de dois anos e voltou para Cairo. A sua estadia no Egito reviveu nele o gosto pela poesia profana, que alternou com a de nostalgias por Terra Santa.

Gêneros poéticosEditar


Yehudah é o criador do gênero "sionida", poesia geralmente de modo qasida, na que manifesta um ardente desejo de se encontrar em Jerusalém. Cultivou também um gênero já existente, o da ahabah ou amor entre Deus, amante esposo, e do povo eleito, a amada ao jeito do Cantar dos Cantares. Entre outras poesias de caráter religioso, figuram também as de lamuria pelo desterro, geulah, e os hinos de louvor ao Criador. Nesse tipo de poesia sobressaíra Selomoh ibn Gabirol com a sua "Coroa real" (Kéter Malkut), imbuída de filosofia neo-platônica e conhecimentos astronômicos; Yehudah tem menos força filosófica e menos cienticismo, pois interessa mais a Bíbliaque a Filosofia e as Ciências, mais vontade em linguagem poética e sentimento religioso, como no seu famoso "Hino da Criação", de uma perfeição clássica. O despego pela filosofia está patente na sua obra apologética intitulada Kuzari, na que frente do rei dos Cazares defendem as suas crenças respectivas um filósofo, um cristão, um muçulmano e um judeu, que será o que consegue convencer ao rei.

Obras sobre religião judaicaEditar


Para Yehudah a prova da verdade da religião judaica não fica em razões filosóficas, mas nos fatos históricos da Revelação e os milagres feitos por Deus ao povo judeu, que possui a força divina impressa por Deus a Adão e que se foi transmitindo a um só homem de cada geração até chegar ao patriarca Jacó, que a transmitiu a todos os seus descendentes. Esta teoria era de origem muçulmana, não judeu, embora já fosse utilizada por Abraão bar Hiyya. Para os muçulmanos, a luz divina transmitiu-se de geração em geração até chegar aMaomé. Em última instância, o fundamento está na filosofia neo-platônica que defendia a emanação de substâncias espirituais diretamente do Um ou Deus. Kuzari foi escrito em árabe com o título de "Livro da prova e do fundamento sobre a defesa da religião desprezada", traduzido depois ao hebraico por Yehuda ibn Tibbon. Responde ao ambiente polêmico religioso medieval e é uma defesa da religião judaica, um canto da sua excelência sobre as demais, às que reconhece também coisas boas.

ObraEditar

HALEVI, Yehudah. In: Forgotten Books. Kitab al Khazari. [S.l.: s.n.]. ISBN 9781605067544
Antología poética. Traduzida do hebraico. Altalena Editores, S.A. Madrid, 1983. ISBN 84-7475-152-7
Lírica religiosa y cantos de Sión. Ed. EGA, S.L. Bilbao, 1993. ISBN 84-7726-088-5
Nueva antología poética. Traduzida do hebraico (tr. Rosa Castelo). Ed. Hiperión, S.L. Madrid, 1997. ISBN 84-7517-531-7
Poemas. Traduzida do hebraico (tr. Ángel Sáenz-Badillos e Judith Targorano) Ediciones Alfaguara, S.A. Madrid, 1994. ISBN 84-204-2817-5
Haizearen hegaletan Traduzida do basco, original em hebraico (tr. Xabier Kintana) Real Academia da Língua basca=Euskaltzaindia. Bilbao, 2002.ISBN 84-95438-07-0
Poesia hispanohebraica Tudelana. (Yehuda ha-Levi e Abraão b. Meir Ibn Ezra) Ediciones y Libros, S.A. Pamplona, 2003. ISBN 84-85112-99-7
Cuzary : livro da prova e da demonstração na defesa da religião menospreciada. Traduzida do hebraico (tr. Nuria Garcia i Amat e Albert Soriano i Blasco). Ediciones Indigo. Barcelona, 2001 ISBN 84-89768-51-X

BibliografiaEditar

KAHN, Máximo José e Gil-Albert, Juan. Yehudá Halevi Ediciones Júcar. Gijón, 1987 ISBN 84-334-3063-7
MILLÁS VALLICROSA, José María .Yehudá Ha-Levi como poeta y apologistaConsejo Superior de Investigaciones Científicas. Madrid, 1947 (ISBN 84-00-00747-6)
SÁENZ-BADILLOS, Ángel. In: Fundación amigos de Sefarad. Literatura hebrea en la España medieval. Madrid: [s.n.]. ISBN 8460410471
SCHEINDLIN, Raymond. In: Oxford University Press. The song of the distant dove : Judah Halevi's pilgrimage. New York ;Oxford: [s.n.]. ISBN 978-0-19-531542-4

Referências

Literatura hebrea en la España medieval, página 55.
Encyclopedaedia Judaica "The question of Judah Halevi's birthplace is still unsolved. Schirmann (Tarbiz, 10 (1939),237-9) argued in favor of Tudela, rather than Toledo..." [pages 355-356]
Literatura hebrea en la España medieval, pp. 121 e 122.
Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Yehudah Halevi».

Ver tambémEditar

Kuzari

Ligações externasEditar

Cuzary (traduzido por Jacob Abendana) Obra no Centro Virtual Cervantes. (em espanhol)
Judah ha-Levi na Enciclopédia judaica (em inglês)
Jarchas de Yehudah Halevi. (emespanhol)


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Yehudah Halevi
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Estatua de Yehudah Halevi enCesarea (Israel).

Yehudah Ben Samuel Halevi (en hebreo:יהודה הלוי ; Abu-I-Hasan ibn Leví, entre los árabes; Judá Leví en Occidente), nació en Tudela (Navarra), ca. 1070/75, y muere en Jerusalén, c. 1141. Filósofoy médico judío español y, sobre todo, junto con Ibn Gabirol y Samuel ibn Nagrella, uno de los poetas judíos más excelsos de la literatura hispanohebrea, inventor del género sionida, expresión de amor por la Jerusalén lejana; su obra poética fue tanto religiosa como profana.[1]


BiografíaEditar


Los datos sobre su vida son difusos. Está probado que no era de Toledo, sino de Tudela; muy joven, recibiría el influjo de la vida cultural de la musulmanataifa de Zaragoza, regida entonces por los Banu Hud, y en cuya corte literaria se encontraban intelectuales judíos, como Selomoh ibn Gabirol, ibn Yannah,Bahya ibn Paquda, Leví ibn Tabban, poetas y pensadores, y el botánico ibn Buklaris. A ello hay que añadir que, coetáneamente a Ibn Nagrella en Granada, en Zaragoza el cargo de visirestuvo ocupado por judíos: Yekutiel ben Isaq (bajo Al-Mundir II) y Abu al-Fadl ibn Hasdai (bajo Al-Muqtadir, Al-Mu'tamin yAl-Musta'in II).

También era muy amigo del rabinoJoseph ibn Migash. Mozo aún, para pasar a Andalucía tuvo que atravesarCastilla. De Córdoba se dirigió aGranada, donde Moseh ibn Ezraocupaba un puesto importante y lo mandó llamar. Los disturbios políticos de al-Ándalus lo obligaron a volver a la España cristiana, asentándose en Toledo, donde trabó amistad con el magnate de Alfonso VI, Yosef ibn Ferrusel (Cidellus), funcionario deAlfonso VI, quien lo protege, y de esa época es la jarcha en romance escrita con motivo de la reconquista deGuadalajara en 1080. El empleo de versos de la lengua popular rematando una composición literaria era hábito frecuente en al-Ándalus entre los poetas arabigo-andaluces.

Habiendo sido discípulo de Yishaq Al-Fasi, uno de los más famosostalmudistas de al-Ándalus,[2] conocía en profundidad la Biblia hebrea, la literatura rabínica, la poesía árabe, la filosofía griega y la medicina.

En su estancia en Toledo escribió Diván(Dìwan), una colección de poemas profanos escritos en hebreo, en los que hace un canto a la amistad, el amor y la naturaleza. En esta obra incluye también poemas religiosos que posteriormente se emplearían en la liturgia judía, en los que expresa su anhelo de Dios y Sion y su esperanza en la redención mesiánica del pueblo judío. Escribió también el Libro del Jazar (El Kuzarí, en:Kuzari), diálogo en árabe en el que explica el judaísmo a un conversojázaro.

Después de 1108 parece que Yehudah volvió a Córdoba, cuando el poderío almorávide se desmoronaba. A pesar de la situación insegura de los judíos, no quiso regresar a Toledo, donde había ejercido la medicina entre los cristianos, y decidió seguir la ruta que se había marcado en una obra compuesta entre 1130 y 1140, El Kuzarí, en defensa del judaísmo, y partió hacia Tierra Santa(¿1135-45?). No es seguro, sin embargo, que el autor de tantos suspiros por Sion llegara a su destino. Varios años se quedó muy cerca, en El Cairo, festejado por los notables judíos de la ciudad. La idea de Yehudah asaltado y muerto por un bandido a las puertas de Jerusalénmientras recitaba una siónida no es más que una bella leyenda; se ha datado el año de su muerte hacia 1141.
Su poesíaEditar


Está considerado como el mejor poeta medieval en lengua hebrea. Su obra poética es muy extensa, inspirándose en los temas más variados: el amor, la amistad y el mar. Del Diwan escrito en Toledo se convervan panegíricos, cantos de boda, elegías y composiciones autobiográficas.

Poeta culto, autor de una poesía lírica rica en metáforas y descripciones, donde abundan las reflexiones filosóficas y religiosas. Utiliza diversasmétricas y estrofas. Son famosas algunas de sus jarchas profanas escritas en el naciente romance, al final de las moaxajas y de gueulot y ahavot de temática religiosa, entre las que destacaEl Quesudá o Himno de la creación:¡Dios mío! ¿Con qué te compararé,si semejanza no hay en ti?¿Con qué te asimilaré,si toda forma es estampa de tu sello?Enaltecido estás sobre toda potencia,y te sublimaste por encima de todo pensamiento.¿La palabra de quién te ha contenido?¿Y la lengua de quién te ha comprendido?¿Acaso habrá corazón que te haya alcanzadoy ojo que te haya divisado? (Himno de la Creación, I, v. 1-10)

También es famosa su descripción de una tempestad en el mar, cuando viajaba hacia Egipto. Fue el creador del género poético-religioso de las Siónidas.

Su pensamiento es muy interesante por confluir en él las civilizaciones hebrea, árabe y cristiana, y porque representa la posición judía ortodoxa frente a las religiones cristiana y musulmana, pero también frente al pensamiento filosófico-teológico de origen griego.

El Kuzarí. Traducción al hebreo por Yehuda ibn Tibbon. Edición de 1880. Varsovia.

Su principal obra es el llamado El Kuzarío, en su texto árabe original, Kitab alhuyya wa-l-dalil fi nusr al-din al-dalil, es decir, Libro de la prueba y del fundamento sobre la defensa de la religión menospreciada, escrito entre 1130-1140, y compuesto de cinco discursos. El nombre dado al libro, El Kuzarí, se debe a que el autor presenta en su obra a un rey pagano —el rey de los Jázaros— que quiere conocer la verdadera religión y que, tras acudir a filósofos aristotélicos, a cristianos y a musulmanes, solo encuentra la verdad en las fuentes bíblicas del judaísmo, de las que ya le habían hablado, pero que solamente un sabio judío ortodoxo le revela en toda su verdad e integridad. Así, hace una apología del judaísmo y de lo que llama «la verdadera revelación» y, aún siendo una obra de carácter principalmente edificante y apologético, abundan en ella los conceptos teológicos y filosóficos. Constituye un extraordinario compendio de tradiciones orales y costumbres semitas.

La facilidad de improvisación poética, la hondura del pensamiento y el acendrado amor al judaísmo son las notas más características de Yehudah. Hombre de carácter amable, era bien recibido en todas partes y hacía la delicia de los contertulios por su facilidad para componer versos de tema o rima forzada; esta era una habilidad muy estimada entre los árabes, que gustaban de organizar competiciones de improvisación en sus tertulias literarias, e igualmente lo fue entre los judíos españoles, fuertemente arabizados.

Durante el califato de Córdoba, Dunas ben Labrat había introducido en la poesía hebrea la métrica árabe y la temática profana, anacreóntica, de la escuela de Bagdad, llamada «moderna» para distinguirla de la antigua beduina pre-islámica. En esta poesía «moderna» se cantaba la hermosura masculina y femenina, la belleza de las flores, la alegría del vino y el placer de los banquetes, y tiene numerosas poesías hebreas de este género, aunque sin llegar a la procacidad de algunos autores árabes, norma de moderación que en general siguieron todos los poetas hispano-hebreos.

Con el paso del tiempo empiezan a abundar en Yehudah las elegías por los amigos que mueren y se imponen los temas filosóficos y religiosos. El género zuhd de los árabes, cargado de tópicos sobre el desprecio del mundo y el elogio del ascetismo, está en frase de Millás Vallicrosa, «entonado por una emoción bíblica» y no falta la influencia de la poesía moral de Ibn Gabirol. El tema mesiánico se hace más presente con la ocupación por los cruzados de Jerusalén y la aparición en Córdoba del falso mesías Moseh Drai, en 1130, la fecha precisamente que había soñado Yehudah como la del comienzo de la Edad mesiánica, probablemente influido por el científico Abraham bar Hiyya que la había calculado para 1135. Un siglo después, Nahmánides haría otro cálculo semejante.

El amor a Sion llevó a Yehudah a dirigirse a Tierra Santa y en su viaje marítimo compuso una serie de poesías sobre el mar. Llegado a Alejandría, encontró excelente acogida y, aunque al cabo de mucho tiempo prosiguió su viaje hasta Damieta, se quedó allí cerca de dos años y volvió a El Cairo. Su estancia en Egipto revivió en él el gusto por la poesía profana, que alternó con la de nostalgias por Tierra Santa.

Como otros grandes poetas de su época (entre los que se cuentan grandes rabinos y eruditos de la época, líderes de la comunidad como Ibn Gabirol, Semuel ibn Nagrella o Moses ibn Ezra), Halevi cultivó la poesía homoerótica,[3] género que era habitual tanto entre los poetas hispanohebreos del «Siglo de Oro» de la literatura hispanohebrea como entre sus coetáneos musulmanes.[4]
Géneros poéticosEditar


Yehudah es el creador del género sionida, poesía generalmente de forma qasida, en la que se manifiesta un ardiente deseo de encontrarse en Jerusalén. Cultivó también un género ya existente, el de la ahabah o amor entre Dios, amante esposo, y del pueblo elegido, la amada al modo del Cantar de los Cantares. Entre otras poesías de carácter religioso, también, figuran las de lamentación por el destierro, geulah, y los himnos de alabanza al Creador. En ese tipo de poesía había sobresalido Selomoh ibn Gabirol con su Corona real (Kéter Malkut), imbuida de filosofía neo-platónica y conocimientos astronómicos; Yehudah tiene menos fuerza filosófica y menos cientifismo, pues le interesa más la Biblia que laFilosofía y las Ciencias, pero gana en lenguaje poético y sentimiento religioso, como se ven en su famoso Himno de la Creación, de una perfección clásica. El despego por la filosofía está patente en su obra apologética titulada Kuzari, en la que ante el rey de los jázares defienden sus creencias respectivas un filósofo, un cristiano, un musulmán y un judío, que será el que logre convencer al rey.
Obras sobre religión judíaEditar


Para Yehudah la prueba de la verdad de la religión judía no está en razones filosóficas, sino en los hechos históricos de la Revelación y los milagros hechos por Dios al pueblo judío, que posee la fuerza divina impresa por Dios a Adán y que se fue transmitiendo a un solo hombre de cada generación hasta llegar al patriarca Jacob, que la transmitió a todos sus descendientes. Esta teoría era de origen musulmán, no judío, aunque ya la utilizó Abraham bar Hiyya. Para los musulmanes, la luz divina se transmitió de generación en generación hasta llegar a Mahoma. En última instancia, el fundamento está en la filosofía neoplatónica que defendía la emanación de sustancias espirituales directamente del Uno o Dios. El Kuzarí la escribió en árabe con el título de Libro de la prueba y del fundamento sobre la defensa de la religión menospreciada, traducido luego al hebreo por Yehuda ibn Tibbon. Responde al ambiente polémico religioso medieval y es una defensa de la religión judía, un canto de su excelencia sobre las demás, a las que reconoce también cosas buenas.
ObraEditar

Antología poética. Traducida del hebreo. Altalena Editores, S.A. Madrid, 1983. ISBN 84-7475-152-7
Lírica religiosa y cantos de Sion. Ediciones EGA, S.L. Bilbao, 1993. ISBN 84-7726-088-5
Nueva antología poética. Traducida del hebreo (tr. Rosa Castillo). Ediciones Hiperión, S.L. Madrid, 1997. ISBN 84-7517-531-7
Poemas. Traducida del hebreo (tr. Ángel Sáenz-Badillos y Judith Targarona) Ediciones Alfaguara, S.A.-Grupo Santillana. Madrid, 1994. ISBN 84-204-2817-5
Haizearen hegaletan = Sobre las alas del viento: antología poética Traducida del vascuence, original en hebreo (tr. Xabier Kintana) Real Academia de la Lengua Vasca = Euskaltzaindia. Bilbao, 2002. ISBN 84-95438-07-0
Poesía hispanohebrea Tudelana. (Yehuda ha-Levi y Abraham b. Meir Ibn Ezra) Ediciones y Libros, S.A. Pamplona, 2003. ISBN 84-85112-99-7
Cuzary : libro de la prueba y de la demostración en defensa de la religión menospreciada. Traducida del hebreo (tr. Núria García i Amat y AlbertSoriano i Blasco). Ediciones Indigo. Barcelona, 2001 ISBN 84-89768-51-X
ReferenciasEditar

Literatura hebrea en la España medieval, página 55.
Literatura hebrea en la España medieval, pp. 121 y 122.
Eisenberg, 1999, p.6
Greenberg, 2005 p.114
BibliografíaEditar

Eisenberg, Daniel (1999).«Introducción». En David William Foster. Spanish writers on gay and lesbian themes: a bio-critical sourcebook(en inglés). Greenwood Publishing Group. p. 17. ISBN 9780313303326. |autor= y |apellidos= redundantes (ayuda)
Greenberg, Steven (2005). Wrestling with God and men: homosexuality in the Jewish tradition. Univ of Wisconsin Press. ISBN 9780299190941.
Kahn, Máximo José y Gil-Albert, Juan.Yehudá Haleví Ediciones Júcar. Gijón, 1987 ISBN 84-334-3063-7
Millás Vallicrosa, José María . Yehudá Ha-Levi como poeta y apologista Consejo Superior de Investigaciones Científicas. Madrid, 1947 (ISBN 84-00-00747-6)
Sáenz-Badillos, Ángel (1991).Literatura hebrea en la España medieval. Madrid: Fundación amigos de Sefarad.ISBN 8460410471.
Scheindlin, Raymond. The song of the distant dove : Judah Halevi's pilgrimage. New York ;Oxford :Oxford University Press, 2008. (ISBN 978-0-19-531542-4)
Enlaces externosEditar

Cuzary (traducido por Jacob Abendana) Obra en el Centro Virtual Cervantes.
Judah ha-Levi en laJewishencyclopedia.com (inglés)
Jarchas de Yehudah Halevi.
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