sexta-feira, 19 de junho de 2015

Muito Obrigado - James Allen - Da Pobreza ao Poder


Buda prometeu que não descansaria antes que chegasse ao estado da perfeição, e realizou o seu propósito.

O que realizaram os santos, sábios e salvadores, também você pode realizar, se seguir o caminho que eles trilharam e ensinaram, o caminho do sacrifício de si mesmo, o caminho do serviço abnegado.

A verdade é muito aimples. Ela diz: "Renunciem a si mesmos", "Venham a mim (abandonando todos os desvios) e Eu lhes darei descanso". Todos os inúmeros comentários que foram acumulados sobre a Verdade não podem esconde-la ao coração que busca seriamente a Justiça. Ela não exige que se aprenda; é conhecida independentemente de qualquer estudo ou aprendizagem. Disfarçada sob muitas formas pelos erros do homem, guiado pelo amor-próprio, a magnífica simplicidade e clara transparência da Verdade permanece inalterada e sempre luminosa, entrando o coração altruísta em sua brilhante irradiação e participando dela.

A Verdade é reconhecida não por meio de complexas teorias, nem pela construção de filosofias especulativas; a ela se chega por meio da pureza interna, e você a realizará, construindo o Templo de uma vida imaculada.

Quem entra neste santo caminho começa refreando suas paixões. Isto é a virtude, que é princípio da santidade, e a santidade é o princípio da divindade . O homem totalmente mundano satisfaz todos os seus desejos, e não se abstém senão daquilo que as leis do seu país proíbem; o homem virtuoso reprime as suas paixões; o santo ataca o inimigo da Verdade no seu acampamento, dentro do seu próprio coração, e abstém-se de todos os pensamentos egoístas e impuros; e divinamente santo é o homem que está livre de toda paixão e de todo pensamento impuro, e para que a bondade e a pureza se tornaram tão naturais como o perfume e a cor o são para as flores.

O homem que é divinamente santo, é divinamente sábio; só ele conhece a Verdade em sua plenitude, e entrou no descanso e na paz duradoura. Para ele, o mal cessou de existir, desaparecendo na luz universal do Todo-Bonsade, do Bem Supremo. A santidade é a insígnia da sabedoria. Como disse Krishna ao Príncipe Arjuna (Bhagavad Gita, XIII, 7 - 11): "A Sabedoria Espiritual consiste em modéstia, sinceridade, inocência, paciência, retidão, respeito para com os superiores e sábios, castidade, constância, autodomínio; ausência de sensibilidade; ausência de orgulho e vaidade; conhecimento dos males de nascimento e morte, velhice, doença e sofrimento... Da constante equanimidade tranqüilidade de espírito, tanto na ventura como na desventura. Ensina a verdadeira adoração e devoção, o isolamento do mundo profano, o amor de Deus, a persistência no verdadeiro conhecimento e a meditação sobre a Verdade. Isto é a verdadeira Sabedoria; o contrário é a ignorância".

Quem luta incessantemente contra o seu amor-próprio e se esforça por substituí-lo pelo amor que a todos abraça é um santo, quer viva numa cabana, quer resida num rico palácio, quer pregue às multidões, quer permaneça obscuro.

Para um homem mundano que começa a aspirar às coisas mais elevadas, o santo, tal como São Francisco de Assis ou Santo Antônio, é um espetáculo glorioso e inspirador; para um santo, é igualmente arrebatadora a vista de um sábio sereno e divinamente santo, vencedor do pecado e do sofrimento, a quem a tentação não pode atingir; e, não obstante, o sábio se enleva numa visão ainda mais gloriosa, a do salvador que manifesta ativamente a sua sabedoria em obras do altruísmo e torna mais potente para o bem a sua divindade, penetrando no triste, palpitante e anelante coração da humanidade.

E somente nisto consiste o verdadeiro serviço: esquecer-se a si mesmo por amor todos, perder-se no trabalho da totalidade.

Ó homem vaidoso e tolo! que pensa que a multidão de suas obras pode salvá-lo; que, aferrado a todo erro, fala emvoz alta de si mesmo, de sua obra, de seus muitos sacrifícios e engrandece a sua própria importância; saiba que, ainda que a sua fama encha a Terra inteira, todas as suas obras se converterao em pó, e você mesmo aparecerá mais baixo que os menores no Reino da Verdade.

Unicamente aquela obra que é impessoal pode viver; as obras do "eu" são impotentes e perecíveis. Onde se cumprem as verdades, por mais humildes que sejam, sem interesse pessoal e com alegre sacrifício, ali se faz um verdadeiro serviço que é duradouro. Onde se praticam atos, ainda que brilhantes e aparentemente prósperos, só por amor-próprio, ali é ignorada a Lei de Serviço, e a obra perece.

É dado ao mundo aprender uma grande e divina lição, a lição de absoluto altruísmo.

Os santos, sábios e salvadores de todos os tempos submeteram-se a esta tarefa, aprenderam a lição e viveram segundo as suas prescrições. Todas as Escrituras do mundo têm, por seu objetivo, ensinar esta única lição; todos os grandes instrutores reiteram-na. É demasiado simples para o mundo que, desprezando-a, tropeça pelos caminhos complexos do amor-próprio.

Um coração puro é o fim de toda religião e o princípio da divindade. Procurar esta retidão do coração é seguir o caminho da Verdade e da Paz, e quem entra neste caminho perceberá, em breve, aquela imortalidade que é independente do nascimento e da morte, e reconhecerá que, na Divina economia do universo, não se perde nem o mais fraco dos esforços.

A divindade de um Krishna, um Gautama ou um Jesus é a suprema glória da abnegação, o fim da peregrinação da alma na matéria e na mortalidade, e o mundo não terminará a sua longa jornada senão quando todas almas vierem a ser como estas, quando todas tiverem entrado na bem-avebturada realização de sua própria divindade!

Com grande glória é coroada toda árdua luta vitoriosa;
O homem que grandes obras fez, de mui distintas honras goza;
Quem se esforça por ganhar ouro, acumula muita riqueza;
O nome dum notável gênio a fama ilustra e embeleza.

Mas muito maior é a glória de quem, num combate pessoal 
De puro amor e sacrifício, venceu o próprio "eu" e o mal;
Mais distinta a honra daquele que, apesar do escárnio da seita Dos cegos idólatras do "eu", a coroa de espinhos aceita;

Mais alta, mais bela riqueza são as ações duma alma nobre
Que, praticando, a caridade, alivia as dores ao pobre:
E, muito acima da honra e fama célebre que um gênio reveste,
É o esplendor da Luz eterna, da Alegria, da Paz celeste.