quarta-feira, 3 de junho de 2015

Verdade X "Eu" - DA POBREZA AO PODER - JAMES ALLEN - יהוה YEHOWAH TSEVA'OT - יהוה IEHOUAH DOS EXÉRCITOS - O Caminho da Prosperidade e da Paz - Benaiah Cabral Ben Avraham Leiehouah The Liger. Título mais apropriado: DA POBREZA PARA O PODER - A REALIZAÇÃO DA PROSPERIDADE E PAZ






Há uma qualidade que, principalmente, distingue o homem da Verdade, do homem do "eu": é a humildade. Estar livre de toda vaidade, obstinação e egoísmo, e até considerar as suas próprias opiniões como coisa sem valor: eis o que é a verdadeira humildade.

Aquele que está imerso no "eu" inferior considera as suas próprias opiniões como verdade e as opiniões alheias como erros. Mas o humilde amante da Verdade, que aprendeu a distinguir entre a opinião e a Verdade, olha todas as pessoas com olhos da caridade, e não procura defender as suas opiniões contra as dos outros, mas sacrifica aquelas opiniões que mais ama, para que possa manifestar o espírito da Verdade, porque a Verdade, em sua real natureza, é inefável e pode ser demonstrada somente pela vida.

Quem tem a caridade, tem a Verdade.

Os homens entregam-se a ardentes controvérsias e imaginam, insensatos, que estão defendendo a Verdade, quando, na realidade, só defendem os seus próprios interesses mesquinhos e opiniões perecíveis. Os partidários do "eu" levantam as armas uns contra os outros. O adepto da Verdade só se arma contra si mesmo. A Verdade, sendo imutável e eterna, é independente da opinião de qualquer um, tanto da sua como da minha. Podemos entrar nela ou ficar afastados dela; porém, tanto a nossa defesa como o nosso ataque são supérfluos e caem sobre nós mesmos.

Os homens escravizados pelo "eu", apaixonados, orgulhosos e condenatórios, pensam que o seu credo religioso particular seja a Verdade e que todas as outras religiões sejam errôneas, procurando, com ardor e paixão, converter as outras pessoas. Há, porém, uma só Religião, a Religião da Verdade, e há um só erro, o erro do "eu". A Verdade não é uma crença formal; é o coração altruísta, santo e aspirante. Aquele que tem a Verdade está em paz com todos e nutre pensamentos de amor com todos.

Você pode, facilmente, saber se é um filho da Verdade ou um adorador do "eu", se examinar silenciosamente sua mente, seu coração e sua conduta. Você nutre pensamentos de desconfiança, inimizade, inveja, luxúria, orgulhosa ou combate frequentemente tais pensamentos? No primeiro caso, você está apegado ao seu "eu", qualquer que seja a religião que professa; no segundo caso, você é um candidato da Verdade, ainda que, externamente, não professe religião alguma. Você é apaixonado, obstinado, sempre propenso a ganhar seus próprios fins, indulgente consigo mesmo, concentrado em seu "eu" pessoal? Ou é brando, meigo, altruísta, livre de toda indulgência para consigo mesmo e sempre pronto a dar o que é seu? No primeiro caso, o "eu" é seu senhor; no segundo caso, a Verdade é o o objeto de sua afeição. Você procura riquezas? Combate apaixonadamente pelo seu partido? Sonha com poder e governo? Adora a ostentação e gosta de elogios? Ou está livre do amor às riquezas? Você se retirou de toda luta partidária? Está contente com a lugar mais baixo e na solidão, onde as pessoas não o conhecem? Parou de falar de si mesmo e a olhar a si mesmo com um orgulho complacente? Se você deu resposta afirmativa às primeiras perguntas, ainda que imagine que adora a Deus, o deus do seu coração é o "eu". Se puder afirmar a segunda série das perguntas, ainda que seus lábios não pronunciem uma palavra de adoração, você está com o Altíssimo.

Os sinais pelos quais se conhece o amante da Verdade são certos. O bem-aventurado Krishna diz, no "Bhagavad-Gita" (XVI, 1-3)
"Vou dar a você os sinais característicos dos homens que andam pelo caminho que conduz à Vida Divina; são eles: intrepidez, pureza de coração, perseverança em busca da sabedoria, caridade, império de si mesmo, verdadeira religiosidade, estudo sério, concentração, honestidade, abstenção de más ações, veracidade, mansidão, renúncia, equanimidade, boa vontade, amor e compaixão para com todos os seres, ausência do desejo de matar, ânimo tranquilo, modéstia, discrição, firmeza, fortaleza, paciência, constância, castisade, ausência da vaidade".

Estes são os sinais daqueles cujos pés caminham pelo caminho que conduz a um nascimento no céu.

Quando os homens, tendo-se perdido nos desvios do erro  e do "eu", esqueceram o "nascimento no céu", o estado de santidade e Verdade, inventaram sinais atificiais, por meio dos quais julgam uns aos outros, e aceitam como prova da Verdade sua própria teologia particular, à qual aderem; e, assim, os homens se separam uns dos outros, havendo, nesta divisão, incessantes inimizades, lutas, sofrimentos e aflições sem fim.

Você quer realizar o nascimento na Verdade? Um só caminho conduz a esse alvo: a morte do "eu" . Por isso, você deve sacudir de si mesmo todos os apetites, desejos, opiniões, concepções limitadas e prejuízos a que estava até agora, com tanta tenacidade, apegado. Não se deixe mais ser dirigido por eles, e a Verdade será sua. Pare de considerar a sua religião como superior às outras, e esforce-se humildemente por aprender a lição suprema da caridade.

Não persista mais na ideia de que o Salvador, a quem você adora, seja o único Salvador e que o Salvador adorado por seu irmão, seja um impostor - ideia esta que produz tantas lutas e desgraças; mas busque diligentemente o caminho da santidade e você reconhecerá que cada homem santo é um salvador da humanidade.

Abondonar o "eu" não significa apenas renunciar aos pecados e erros interiores. Para encontrar a Verdade, não basta abondonar riquezas ou abster-se de certos alimentos ou pronunciar palavras doces; mas é necessário abandonar os desejos de riquezas, abster-se de toda luxúria e indulgência em prazeres, Nao nutrir ódio nem inimizade, não condenar e não ser egoísta, ter coração puro e ser bondoso. Quem se portar assim, encontrará a Verdade. Quem faz as primeiras coisas e deixa de fazer as segundas, é como os fariseus e hipócritas; ao passo que a prática das coisas enumeradas no segundo lugar inclui já em si as primeiras.

Você pode renunciar ao mundo exterior e isolar-se numa caverna ou nas profundezas de uma floresta; porém, se levar consigo o seu amor-próprio, o seu "eu", e não renunciar a ele, grande será a sua miséria e enorme o seu engano. Você pode ficar vivendo onde está agora mesmo, cumprindo todos os seus deveres e, contudo, renunciar ao mundo, o mínimo interior. Estar no mundo mas não ser do mundo é a mais alta perfeição, a paz mais abençoada, a maior vitória. Renunciar ao "Eu" é andar na senda da Verdade; portanto,

Entrar na Senda; o mal maior está no ódio,
A dor na paixão, o engano nos sentidos;

Entra na Senda, onde estão bem adiantados
Os que não se vingam, nem sendo ofendidos.

À medida que conseguir vencer o seu "eu", você começará a ver as coisas em suas verdadeiras relações. Quem age movido por alguma paixão, algum preconceito, por gosto ou desgosto, relaciona tudo com estes motivos particulares e vê somente suas próprias ilusões. Quem está absolutamente livre de toda paixão, todo preconceito, preferência e parcialidade, vê a si mesmo como realmente é; vê os outros como são; vê todas as coisas em suas proporções e relações verdadeiras. Não tendo nada para atacar, nada para defender, nada para encobrir e nenhum interesse para guardar, está em paz. Esse realizou a profunda simplicidade da Verdade, porque este imparcial, tranquilo e abençoado estado da mente e do coração é o estado da Verdade. Quem o atingiu, mora com os anjos e está aos pés do Altíssimo, aos pés do Supremo. Conhecendo a Grande Lei; conhecendo a origem da aflição; conhecendo o segredo do sofrimento; conhecendo o caminho da emancipação na Verdade, como poderia dar lugar em si à discórdia ou condenação? Sabe que o mundo, cego e egoísta, cercado com as nuvens de suas próprias ilusões e submerso nas trevas do erro do "eu", não pode perceber a firme Luz da Verdade, sendo totalmente incapaz de conpreeender a profunda simplicidade do coração que morreu ou está morrendo para o "eu"; porém, sabe também que, quando os séculos de sofrimento tiverem acumulado montanhas de dores, a alma do mundo, oprimida e sobrecarregada, procurará seu final refúgio, e que, quando se completarem os séculos, cada filho pródigo voltará à mansão da Verdade.

E assim permanece em boa vontade para com todos, tratando a todos com aquela terna compaixão com que um pai olha para seus filhos que erram.

Os homens não podem compreender a Verdade, porque estão apegados ao "eu", porque creem no "eu" e amam o "eu", porque acreditam que o "eu" seja a única realidade, ao passo que ele é a única ilusão.

Quando parar de crer no "eu" e de amá-lo, você o abandonará e se refugiará na Verdade, encontrando a Realidade eterna.

Quando os homens estão intoxicados com os vinhos da luxúria, dos prazeres e da vaidade, a sede da vida cresce e expande-se neles, e eles se iludem com o sonho da Imortalidade carnal; porém, quando chegam a colher o que semearam e a dor e a aflição os visitam, então, oprimidos e humilhados, abondonando o "eu" e todas as suas intoxicações, veem, com o coração doloroso, a única imortalidade - a imortalidade que destrói todas as ilusões, a imortalidade espiritual na verdade.

Os homens passam do mal ao bem, do "eu" à Verdade, através da porta escura do sofrimento, porque o sofrimento e o "eu" são inseparáveis. Só na paz e na felicidade da Verdade desaparece todo o sofrimento.

Se você sofre porque seus planos e projetos preferidos encontraram empecilhos ou porque alguma coisa não se realiza como você deseja, a causa do seu sofrimento é apego ao seu "eu". Se você sofre remorsos por causa da sua conduta, é porque você deu valor ao "eu". Se você sente pesar e inquietação, devido à atitude de alguém para com você, é porque você ama o seu "eu". Se foi ferido com o que lhe fizeram ou com o que falaram de você, é porque você está caminhando no doloroso caminho do "eu". Todo sofrimento extingui-se na Verdade. Quando tiver entrado na Verdade e conhecê-la, você não sofrerá mais reveses, nem remorsos, nem tristeza e toda aflição fugirá para longe de você.

Tua alma está presa, porque o "eu" a liberdade corta;
E só o anjo da Verdade lhe abre
da prisão a porta.
Quando ele vier chamar-te, vai onde ele te conduz;
Ainda que vás por trevas, certo chegarás à Luz.

O homem é o autor do seu próprio sofrimento. O sofrimento purifica e aprofunda a  alma; e, quando chega ao extremo, a Verdade está próxima.

Você sofreu muito? Passou por profundas aflições? Ponderou seriamente o problema da vida? Se assim for, você está preparado para sustentar a luta contra o "eu" e tornar-se discípulo da Verdade.

O homem intelectual que não vê a necessidade de renunciar a si mesmo forja inúmeras teorias a respeito do universo e denomina-as Verdade. Você, porém, discípulo, deve seguir aquela linha reta de conduta que é a prática do bem, e chegará a conhecer a Verdade na realidade e não em mera teoria; a Verdade que é sempre a mesma, eternamente imutável. Cultive o seu coração. Regue-o continuamente com o amor altruísta e profunda compaixão, esforçando-se para excluir dele todos os pensamentos e sentimentos que não estão em acordo com o Amor. Pague o mal com o bem, o ódio com o amor, a ofensa com a brandura, e cale-se quando o atacarem. Assim você transformará todos os seus desejos egoístas no puro ouro do Amor e o seu "eu" desaparecerá na Verdade. E assim você andará sem mancha no meio dos seres humanos, levando com prazer o leve jugo da humildade e vestido com as divinas vestes da pureza.

Meu irmão cansado, que buscas as frescas águas
Da Verdade para o teu sedento coração!
Deixa esse caminho do "eu", das lutas e das mágoas,
Vem e refugia-te no Senhor da compaixão!

Declina teus passos cá, para o rio da Vida,
Vem, descansa aqui neste verde oásis de Amor;
A Verdade aqui só poderá ser reconhecida
No Princípio e no Fim, na Criação e no Criador.

Não reside teu Senhor nos montes mui distantes,
Nem nas miragens e nuvens que flutuam no ar;
Nos desertos tristes, arenosos e queimantes
Não se pode as suas fontes mágicas achar.

Não mais o procure nessa senda de egoísmo,
Porque ali não achas os vestígios do teu Rei;
Hás de ser surdo ao som do mundial abismo
Se queres ouvir a sua Voz e a sua Lei.

Foge dos lugares onde só reina a Vaidade,
Deixa tudo que amas, despega-te dos teus bens,
Assim descoberto, entra no templo da Verdade,
Que em teu coração, no seu íntimo fundo, tens.

Ali o mais Alto e Santo tem a residência:
Refugia-te neste misterioso lugar!
Ali há alegria, gozo, prazer, opulência
Para tua alma; ali entra para descansar!

Tu, irmão cansado, que buscas as frescas águas
Da Verdade para o teu sedento coração,
Deixa esse caminho do "eu", das lutas e das mágoas.
Vem e refugia-te no Senhor da compaixão.

IEHALELU ET SHEM IEHOUAH