terça-feira, 14 de julho de 2015

  1. Mudar Zahran
    Desde 1948, nós, Árabes temos aprendido que tudo o que precisamos fazer é nos livrar do Estado Judeu, e então todo o resto ficará bem. Nossos ditadores tiraram todo proveito possível desta ideia. O Presidente Egípcio Gamal Abdel Nasser prendeu e executou seus opositores usando sua famosa desculpa: "Nenhuma voz será permitida, exceto a daqueles a favor da guerra com Israel" O Presidente Iraquiano, Saddam Hussein adotou a bandeira Palestina e tinham ela impressa, distribuída e tremulando ao lado da sua própria, e até mesmo dizia, "Palestina e Iraque compartilham exatamente a mesma causa" Resumindo, nós, Árabes colocamos 70 anos de nossa existência na espera, enquanto aguardávamos por aquele "dia glorioso" em que nós derrotaríamos Israel e "alimentaríamos os peixes com os judeus".

    Mas aquele dia não chegou, nem parece estar chegando, como me disse uma vez Emad Tarifi, da oposição Jordaniana: "Parece que os peixes no mar, não estão apostando que nós vamos alimentá-los com judeus".

    Além disso, nós, Árabes temos dado aos nossos ditadores, carta branca para empobrecer, aterrorizar, oprimir e destruir a todos nós, em nome da "grande batalha Árabe para acabar com a entidade Sionista". O resultado disso tem sido claro: Enquanto Israel fez 10 novos avanços no combate ao câncer e em tratamentos cardíacos, apenas nos últimos dois anos, nós, Árabes desenvolvemos novos métodos de execução. O mais recente é a morte por afogamento em uma gaiola, como mostrado em um vídeo do grupo Estado Islâmico duas semanas atrás.

    Nós Árabes desperdiçamos sete décadas de nossa existência, aguardando o falecimento de Israel. É hora de pensar no futuro, e o "desaparecimento" de Israel deve ser o nosso último desejo.

    Sendo filho de dois refugiados Palestinos da Jordânia, encontro-me inclinado a temer o futuro. Independentemente da minha posição em relação a Israel, eu tenho que pensar: O que aconteceria se, um dia, Israel desaparecesse? Embora isso não pareça factível, este é o dia em torno do qual todos os sistemas políticos, sociais e econômicos Árabes giram.

    Não são apenas os Árabes que querem o fim de Israel. Há outros que buscam o mesmo, por exemplo, os anti-Semitas no Ocidente. Na semana passada, os neonazistas marcharam em Londres com suásticas e a bandeira Palestina. O organizador da marcha alegou que era um protesto "de todos aqueles que sofreram por causa de Israel" Há grupos que pedem um boicote à Israel "pelo bem do povo Palestino" Existem países cuja política externa como um todo parece girar em torno de uma oposição a Israel. Nós, palestinos poderíamos até acreditar que esses grupos e países realmente se preocupam conosco, mas eles não têm nenhum interesse no destino dos 150 mil Palestinos que estão morrendo de fome no campo de refugiados de Yarmouk na Síria, nem nos, estimados, 5,8 milhões de Palestinos na Jordania (como indicado por um informe da Embaixada dos EUA) que vivem como cidadãos de segunda classe, proibidos de trabalhar no governo e sem receber qualquer tipo de benefício do Estado, embora paguem integralmente os seus impostos.

    Se os que odeiam Israel tivessem o seu desejo, de ver Israel desaparecer, atendido, o que aconteceria?

    Primeiro, Israel é a única razão pela qual o Irã ainda não possui armas nucleares. O Irã poderia comprar a tecnologia para produzi-las, ou poderia aprender rapidamente, da mesma maneira como o Paquistão aprendeu. Por que o Irã tem sido lento em fazê-lo? Porque ele aprendeu uma lição com a experiência do reator de Osirak de Saddam, que foi reduzido a escombros pelos jatos israelenses em 1981.

    À época, quase todos, incluindo George H.W Bush, que era então o vice-presidente dos Estados Unidos, ficaram furiosos com a ação de Israel. Mas, 10 anos depois, quando os EUA lutaram para libertar o Kuwait, a situação teria sido totalmente diferente se Saddam tivesse mantido seu programa nuclear - e a única razão pela qual ele não o fez, foi Israel.

    Além disso, o Irã já controla pelo menos um terço do Iraque e dos seus recursos através de um regime pró-iraniano. Se Israel desaparecesse, o Irã estenderia sua influência para Jordânia, Kuwait e Bahrein, e no dia seguinte, uma vez que não teria que temer uma reação Israelense. O Irã poderia, então, colocar o mundo de joelhos, reduzindo a produção de petróleo.

    O Irã não é a única potência do mal no Oriente Médio: Nós também temos o Estado Islâmico, que já se espalhou pelo Iraque, Síria, Sinai e Líbia, com a clara ambição de entrar na Jordania. O Estado Islâmico não entrou na Jordania ainda, e isso não é por causa de algum tipo de medo do exército Jordaniano. Afinal, o site Poder de Fogo Global (Global Firepower) ranqueia o exército da Jordânia, no mesmo nível do exército Iraquiano, o qual o Estado islâmico já derrotou muitas vezes. O Estado Islâmico não se atreve a entrar na Jordania por uma única razão - seu receio de que jatos Israelenses os atacassem 15 minutos depois.

    Se Israel desaparecesse e fosse substituído por um Estado Palestino, os Palestinos mais provavelmente acabariam governados por outra ditadura Árabe que iria oprimi-los e reduzi-los a pobreza. Nós estamos, em parte, vendo isto com a Autoridade Palestina nas áreas "liberadas" que ela governa. Eu visito a Cisjordânia regularmente e tenho entrevistado dezenas de Palestinos lá. Eu posso afirmar que, por mais que odeiem Israel, eles, abertamente, ainda sentem saudades dos dias em que Israel administrava a Cisjordânia. Como me foi dito por um Palestino: "Nós orávamos para que Deus tivesse misericórdia e nos livrasse de Israel; depois, nós descobrimos que Deus tinha misericórdia por nós quando Israel estava aqui".

    Para os Árabes, Muçulmanos, Ocidentais e outros que insistem que Israel deve ser apagado da face da terra, eu digo: Não apostem nisso, enquanto Israel fica mais forte a cada dia através de sua democracia e inovação, os países Árabes vão ficando cada vez mais fracos por conta de ditaduras e desordem. E tenham cuidado com o que desejam, porque se alcançarem o que desejam, vocês, mais provavelmente, também desaparecerão, a menos que anseiem ser governados pelo Irã ou pelo Estado islâmico.

    Em resumo, se chegar o dia em que Israel caia, Jordânia, Egito e muitos outros cairão também, e os Ocidentais implorarão por petróleo ao Irã.

    Nós podemos odiar Israel, o quanto quisermos, mas precisamos entender que, sem ele, nós também desapareceremos. 

    Tradução: Ivan Kelner


    Mudar Zahran é um Palestino da Jordania que reside no Reino Unido
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