Terceiro dia de choques entre palestinos e polícia de Israel na Esplanada das Mesquitas


Palestinos e forças de segurança israelenses se enfrentaram nesta terça-feira pelo terceiro dia consecutivo na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, apesar da inquietação e apelos da comunidade internacional.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que repetiu no domingo que o 'status quo' não será alterado, deve se reunir ainda nesta terça-feira com seu gabinete para discutir a questão, enquanto a ONU expressou preocupação com uma possível extensão da violência.
"Com o Oriente Médio enfrentando uma onda de terror e extremismo, estas sérias provocações têm o potencial de desatar uma violência muito além dos muros de Jerusalém", alertou nesta terça-feira o representante das Nações Unidas para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov.
Os confrontos aconteceram ao redor da mesquita de Al-Aqsa entre jovens palestinos que atiravam pedras contra policiais israelenses, que entraram na Esplanada e responderam com bombas de efeito moral.
Vinte e seis palestinos ficaram feridos e dois deles hospitalizados, segundo o Crescente Vermelho. Cinco policiais foram feridos, de acordo com a polícia. Quatro pessoas foram detidas.
"A polícia tomou de assalto a mesquita de Al-Aqsa e chegou até os pés do púltipo de Saladino, antes de sair por causa da resistência que encontraram no interior do templo", informou Firas al Dibs, da Waqf, organização que administra o local.
No entanto, a polícia assegura que não entrou na mesquita e que apenas dispersou as pessoas entrincheiradas e que impediam o fechamento das portas do templo.
A Esplanada, conhecida pelos judeus como o Monte do Templo, é cenário de confrontos desde domingo. A Mesquita de Al-Aqsa é o terceiro lugar mais sagrado para o Islã.
Os episódios de violência são frequentes, pois os muçulmanos temem que o governo israelense modifique o 'status quo' do terceiro local sagrado do islã e autorize que os judeus rezem na Esplanada.
A tensão acontece por ocasião do Ano Novo judaico. As celebrações começaram no domingo e devem terminar nesta terça-feira à noite.
Os não muçulmanos têm permissão de visitar a Esplanada, mas os judeus estão proibidos de rezar ou exibir símbolos nacionais no local, uma medida para evitar ainda mais tensão com os muçulmanos.
A direção palestina reunida em Ramallah, na Cisjordânia, pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Guardiã dos locais santos muçulmanos de Jerusalém, a Jordânia condenou "as incursões" israelenses na Esplanada e denunciou uma "agressão flagrante contra as nações árabes e muçulmanas".
O rei Abdullah II da Jordânia discutiu o assunto com os presidentes palestino, Mahmoud Abbas, e egípcio, Abdel Fattah al-Sissi.
Ele também pediu uma "posição firme" da comunidade internacional para assegurar "o fim dos ataques israelenses e as violações", em uma conversa telefônica com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.
A Jordânia é a guardiã da Esplanada das Mesquitas segundo o "status quo" de 1967.
Na segunda-feira, os Estados Unidos condenaram "todos os atos de violência" no local e pediram a Israel e a Autoridade Palestina para evitarem qualquer "ato de provocação".
As visitas de não muçulmanos ao local aumentam durante as férias judaicas, com cerca de 650 visitantes registrados no domingo, segundo a polícia. Outras 500 pessoas foram ao local na segunda-feira entre as 07H30 e as 11H00, o horário de visitas.
Nos distúrbios de domingo, testemunhas afirmaram que a polícia entrou na mesquita de forma violenta e provocou danos. A polícia alega que se limitou a fechar as portas para evitar que as pessoas que estavam do lado de dentro atirassem pedras e outros objetos.
As forças de segurança israelenses já haviam usado a mesma tática no ano passado para tentar restabelecer a calma, entretanto de forma breve a mesquita.
Israel conquistou Jerusalém Oriental, onde fica a Esplanada das Mesquitas, durante a guerra dos Seis Dias de 1967 e mais tarde a anexou a seu território, uma medida jamais reconhecida pela comunidade internacional.