Israel contra instalação de força de proteção dos palestinianos em Jerusalém

Violência das últimas semanas já matou 40 pessoas
Vice-embaixador israelita considera que presença internacional seria uma alteração do 'status quo'
Israel discordou hoje da pretensão palestiniana de instalação de uma força de proteção em Jerusalém-Leste para controlar a violência em torno da mesquita de Al-Aqsa.
"Deixem-me ser cristalinamente claro: Israel não concorda com qualquer presença internacional no Monte do Templo. Essa presença seria uma alteração do 'status quo'", afirmou o vice-embaixador israelita David Roet, ao falar durante uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Este Conselho, com 15 membros, reuniu em sessão de emergência para discutir a escalada de violência entre palestinianos e israelitas, que dura há semanas, em Jerusalém e nos Territórios Palestinianos Ocupados.
Palestinianos incendiaram hoje um local sagrado judaico na Cisjordânia, no âmbito de uma "Sexta-feira de Revolução" contra Israel e um homem, disfarçado de fotógrafo, esfaqueou um soldado israelita antes de ser morto a tiro.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "condena fortemente este ato repreensível e apela a que os seus responsáveis sejam levados rapidamente à justiça", afirmou na ocasião o secretário-geral-adjunto, Taye-Brook Zerihoun, ao Conselho.
As forças de segurança israelitas foram mobilizadas massivamente para Jerusalém, depois de duas semanas de violência, que causou a morte a 39 palestinianos e ferimentos a centenas de outros, bem como sete mortos e dezenas de feridos entre os israelitas.
A violência começou em 1 de outubro, quando um suspeito de pertencer a uma célula do movimento islamita Hamas assassinou um casal de colonos na Cisjordânia, em frente aos seus filhos. Estas mortes foram antecedidas por confrontos repetidos no complexo da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém-Leste, durante o mês de setembro, entre jovens palestinianos e forças israelitas.
O enviado palestiniano, Riyad Mansour, afirmou esta semana que a situação no terreno era "muito explosiva" e que o Conselho de Segurança deveria encontrar forma de "garantir proteção" aos palestinianos. "A situação requer o fornecimento de segurança para o nosso povo nos Territórios Ocupados, a começar pela Cidade Velha de Jerusalém e a mesquita Al-Aqsa", declarou a jornalistas.
Mansour adiantou que os países árabes estão a ponderar a apresentação de uma resolução que contempla a retirada das forças israelitas das áreas de conflito e a instalação de uma força de proteção em Al-Aqsa. O complexo de Al-Aqsa é o terceiro local sagrado no Islão e o mais sagrado para os judeus, que o designam por Monte do Templo.
Os muçulmanos receiam que Israel procure mudar as regras que governam o local, que permite aos judeus visitá-lo, mas não rezar, para evitar tensões. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem garantido que quer respeitar o 'status quo'.
Hoje não foi apresentado qualquer projeto de resolução ao Conselho, mas o embaixador francês, François Delattre, afirmou que iria fazer circular um esboço de documento a apelar à calma.

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