quinta-feira, 8 de outubro de 2015

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O FILTRO

De onde vem o dinheiro do Estado Islâmico?

Documentos vazados mostram que a extorsão é a principal fonte de renda de uma província controlada pelo grupo terrorista

REDAÇÃO ÉPOCA
07/10/2015 - 15h46 - Atualizado 07/10/2015 15h54
Estado Islâmico desfila armas e carros em Raqqa, Síria (Foto: AP)
O Estado Islâmico conquista cidades, compra armas, financia atividades terroristas e explode templos históricos. De onde eles tiram tanto dinheiro para fazer tudo isso? Documentos do Ministério de Finanças do grupo que foramvazados na última segunda-feira (5) mostram como os terroristas conseguem recursos.
Os documentos foram obtidos pelo britânico Aymenn Jawad al-Tamimi e publicados no site Jihadology.net. São contas referentes ao terceiro mês do calendário lunar islâmico, o equivalente ao período que vai de 23 de dezembro de 2014 até 22 de janeiro de 2015, e mostram as receitas e despesas da província de Deir az-Zor, na Síria, que está sob controle do Estado Islâmico desde julho de 2014.
Os documentos desmentem a teoria de que a exploração de petróleo pelo Estado Islâmico é a sua príncipal fonte de receita. Petróleo e gás contam com um quarto dos ganhos do EI. A maior parte dos recursos do grupo terrorista vem do confisco de não-islâmicos e de propriedades de pessoas que fugiram da guerra (44,7%), além de impostos e taxas sobre a população que ficou nas cidades controladas pelo grupo (23,7%). Em outras palavras, dois terços dos recursos do Estado Islâmico são fruto da extorsão da população, como disse um ativista sírio.
Receita do Estado Islâmico
Confiscos 44,7%
Petróleo e Gás 27,7%
Taxas 23,7%
Eletricidade 3,9%
Fonte: Jihadology.net
Segundo al-Tamimi, os documentos vazados mostram que o Estado Islâmico está em uma situação pior, em termos econômicos, do que se esperava. A província de Deir az-Zor tem os mais lucrativos poços de petróleo sob controle do grupo, mas o valor que eles lucraram com esse petróleo foi muito baixo. Os ganhos com a venda de antiguidades e relíquias históricas também estavam sendo superestimados. Essas vendas aparecem no valor de taxas, e renderam, no período dos documentos, pouco mais de US$ 10 mil.
Os documentos também registram os gastos do Estado Islâmico na provícia. Sem surpresas, mais da metade dos gastos são militares: salários de combatentes (43,6%), bases militares (19,8%) e Polícia Islâmica (10,4%).
Como o EI gasta o dinheiro
Salário de combatentes 43,6%
Bases militares 19,8%
Serviços sociais 17,7%
Polícia Islâmica 10,4%
Ajuda financeira 5,7%
Mídia 2,8%
Fonte: Jihadology.net
A boa notícia da análise das finanças do Estado Islâmico é a constatação de que o modelo do califado é insustentável economicamente. Nenhum Estado no mundo consegue se sustentar quase exclusivamente da extorsão de seus cidadãos. Além disso, um Estado funcional não reverte mais de 40% de sua renda para gastos militares - a média mundial, por exemplo, é investir 4% do PIB de um país em defesa.
Por outro lado, os balanços mostram que o grupo praticamente não depende de financiamento externo, o que indica que a estratégia de isolar o Estado Islâmico não será suficiente para cortar a renda do grupo. Como o dinheiro do EI vem principalmente dos cidadãos das cidades controladas e das propriedades confiscadas, seria preciso quebrar o controle territorialdo grupo para cortar sua fonte de financiamento, e isso, até agora, não aconteceu.
bc