quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Boutros-Ghali nasceu a 14 de novembro de 1922 na capital egípcia, numa família da minoria cristã copta. O seu avô, Boutros Pacha, é visto como um dos políticos que abriram o Egito ao Ocidente, sendo primeiro-ministro entre 1908 e 1910, quando foi assassinado por um nacionalista. O ataque foi motivado pelo facto de ter sido Boutros Pacha a negociar a cedência do Sudão, então sob administração do Cairo, à Grã-Bretanha em 1899. No túmulo daquele lê-se a inscrição: "Deus é testemunha de que fiz tudo o possível para servir o meu país" - ideia que o neto procurou concretizar sob diferentes formas. Escolhido pelo presidente Anwar Sadat para a pasta dos Negócios Estrangeiros, em 1977, Boutros-Ghali integrou a missão que negociou os Acordos de Camp David, assinados em 1979 pelo primeiro-ministro israelita Menachem Begin e por Sadat . Este será assassinado por islamitas, visto como traidor, como o avô de Boutros-Ghali, por ter feito a paz com Israel. Será, aliás, o diplomata a redigir o histórico discurso que Sadat pronunciou no Parlamento israelita a 20 de novembro de 1977, antes ainda de Camp David.


×
Diário de NotíciasGlobal Media GroupOBTER - na Google PlayVER

Mundo



Boutros, 'o Africano' que negociou a paz com Israel
17 DE FEVEREIRO DE 2016 00:34
Abel Coelho de Morais


Boutros-ghali à saída da Casa Branca, em 1993. Estados Unidos vetaram o seu nome para um segundo mandato

| REUTERS


PUB


Foi o sexto secretário-geral da ONU e o primeiro a não cumprir um segundo mandato. Boutros-Ghali morreu ontem no Cairo, aos 93 anos.

Foi o primeiro natural de um país africano a ocupar o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, tendo exercido funções de 1 de janeiro de 1992 a 31 de dezembro de 1996. Defensor de um pan-africanismo pluricultural e plurirreligioso, ganhou o cognome de Boutros, o Africano e coube-lhe gerir aquela organização internacional no imediato pós-Guerra Fria.

Eleito, aos 69 anos, sexto secretário-geral da ONU e primeiro a não cumprir um segundo mandato,Boutros Boutros-Ghali teve de conviver com a desagregação da Jugoslávia, o genocídio no Ruanda e as guerras civis em Angola e na Somália. Os dois primeiros conflitos vão pesar sobremaneira em Boutros--Ghali. Do primeiro fica a memória da humilhação de ver capacetes--azuis feitos reféns pelas forças do sérvio Radovan Karadzic e a irritação do então presidente Bill Clinton pelo facto de o diplomata egípcio se opor aos bombardeamentos da NATO na Bósnia. O que acabará por lhe custar o segundo mandato, quando os Estados Unidos vetaram o nome de Boutros-Ghali, abrindo caminho à eleição de Kofi Annan.

Do genocídio do Ruanda fica o fracasso da operação da ONU no país e a revelação de, enquanto no governo, ter autorizado a venda de armas àquele país, em 1990, usadas no genocídio de 1994. Quando Linda Melvern, a jornalista que descobriu o negócio (avaliado em 26 milhões de dólares), interrogou em 1999 o então ex-secretário-geral da ONU, a resposta foi infeliz: "Uns milhares de armas não teriam feito qualquer diferença."

Perante a dimensão dos conflitos e a natureza dos desafios que se colocam à ONU, elabora o relatório "Uma Agenda para a Paz", em 1992, no qual delineia os princípios de ação para as crises pós-Guerra Fria e advoga maior autonomia e nova dinâmica para a organização. As suas tentativas de reforma vão gerar anticorpos e pouco ou nada será feito.

Boutros-Ghali nasceu a 14 de novembro de 1922 na capital egípcia, numa família da minoria cristã copta. O seu avô, Boutros Pacha, é visto como um dos políticos que abriram o Egito ao Ocidente, sendo primeiro-ministro entre 1908 e 1910, quando foi assassinado por um nacionalista. O ataque foi motivado pelo facto de ter sido Boutros Pacha a negociar a cedência do Sudão, então sob administração do Cairo, à Grã-Bretanha em 1899. No túmulo daquele lê-se a inscrição: "Deus é testemunha de que fiz tudo o possível para servir o meu país" - ideia que o neto procurou concretizar sob diferentes formas. Escolhido pelo presidente Anwar Sadat para a pasta dos Negócios Estrangeiros, em 1977, Boutros-Ghali integrou a missão que negociou os Acordos de Camp David, assinados em 1979 pelo primeiro-ministro israelita Menachem Begin e por Sadat . Este será assassinado por islamitas, visto como traidor, como o avô de Boutros-Ghali, por ter feito a paz com Israel. Será, aliás, o diplomata a redigir o histórico discurso que Sadat pronunciou no Parlamento israelita a 20 de novembro de 1977, antes ainda de Camp David.

Francófono declarado e casado com Leia Maria Boutros-Ghali, de ascendência judaica mas convertida ao catolicismo na juventude, falou em 1995 ao The New York Times sobre a sua relação: "Quando estamos zangados, falamos em árabe. Quando falamos de negócios, fazemo-lo em inglês. Quando estamos bem, falamos em francês." O casal não tem filhos.

Crítico declarado do pan-arabismo de Nasser, Boutros-Ghali estudou Direito em Paris, foi professor desta área na Universidade do Cairo e é autor de vários tratados sobre relações internacionais. Integrou a direção do Partido Nacional Democrático (dissolvido em 2011, após a queda de Mubarak) entre 1980 e o início dos anos 1990. Morreu ontem, aos 93 anos, num hospital dos arredores do Cairo, onde fora internado no dia 11 depois de partir uma perna.
PUB








Últimas notícias

Defesa
Pilotos recebem instrução em aviões da Guerra Colonial


Helicópteros Alouette já operavam na década de 1960. Os Alpha-Jet, de instrução de pilotos para os caças F-16, têm mais de 40 anos

Oe2016
Centeno apaga 614 milhões do OE mas défice fica igual



Justiça
80% dos crimes que entopem tribunais vão ser decididos por acordo



Caxias
"Uma rapariga simpática, educada e de poucas falas"


Família Sónia chegou ao bairro social, na Amadora, muito pequena. Nasceu em Angola e é a mais nova de três irmãos

Caxias
Médicos não detetaram indícios de abuso sexual



Jornadas Parlamentares
PSD prepara voto contra o Orçamento de Centeno



Efisa
Relvas explica Efisa. Empresa pressiona deputados




Mais popular

1Apple não vai obedecer a ordem para desbloquear iPhone de terrorista
2Papa irrita-se com puxões e repreende multidão
3Magnata acusado de homicídio da enteada
4Aviões da RAF enviados para intercetar bombardeiros russos
5Explosão em Ancara em zona de edifícios militares. Pelo menos 28 mortosMAIS
PUB




Secções
Portugal
Desporto
Mundo
Opinião
Dinheiro
Sociedade
Artes
Pessoas
Media
Fotogalerias
Vídeos
Suplementos
Evasões
Dinheiro Vivo
Notícias Magazine
O site
Termos & Condições
Ficha Técnica
Contactos
Siga-nos
Facebook
Twitter
Google +
Linkedin
Serviços
Assinaturas
Loja do Jornal

Fundado em 29 de dezembro de 1864
Email Marketing Certified by E-goi
Diário de Notícias, 2015 © Todos os direitos reservados |Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica |Publicidade | Contactos


Close All Menus