domingo, 29 de maio de 2016

Israel comporta todas as necessidades desejáveis sobre liderança sionista, envolvendo direita, ortodoxos e nacionalistas. Permite a colaboração de outras forças sociais, porém não cabe a elas a plena liderança pois estão comprometidas com visões e ideais caóticos para todas as partes.

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Projeto de energia solar na Cisjordânia e em Israel une judeus e muçulmanos
É o primeiro empreendimento do tipo com financiadores e membros das duas religiões

POR JAMES GLANZ E RAMI NAZZAL, PARA O ‘NEW YORK TIMES’
24/05/16 - 05h00 | Atualizado: 24/05/16 - 17h23
Painéis solares que dão energia a uma bomba que leva água a fazendeiros em Auja - URIEL SINAI / NYT

AUJA, CISJORDÂNIA – Samer Atiyat, lavrador palestino, havia subido até a metade de uma tamareira de seis metros de altura e estava cortando os talos com belos cachos do fruto, ainda verdes. Trabalhando perto do Mar Morto na terra que ainda evoca seu passado bíblico, Atiyat, 28 anos, se mostra animado quando questionado sobre um banco de painéis solares de 38 metros, cuja energia extrai água do subsolo para irrigar o pomar.




— A água trazida aqui vem dos painéis — diz Atiyat, usando uma gíria árabe para as unidades (muri), que também pode ser traduzida como "espelho".

Os painéis solares pontilham alguns dos vilarejos árabes mais pobres na Cisjordânia e em Israel, muitas vezes doados por governos europeus. Especialistas do setor dizem que o projeto de US$ 100 mil em Auja é o primeiro do tipo a ser financiado por um grupo envolvendo judeus e muçulmanos nos Estados Unidos, e também o primeiro a ter judeus israelenses e muçulmanos palestinos na equipe técnica. Além dos benefícios ambientais, o projeto solar dá impulso econômico aos produtores rurais que sofrem com a eletricidade pouco confiável e cara.

Ahmad Injoum, cuja família é dona da propriedade em que painéis solares foram construídos - URIEL SINAI / NYT

Em vez de animosidade nacionalista, religiosa e política, os produtores rurais palestinos abraçaram o projeto, mas com uma condição. Segundo Ben Jablonski, judeu nova-iorquino e chefe da iniciativa, a comunidade insistiu apenas para que os doadores e engenheiros não criassem laços com os assentamentos israelenses espalhados pela Cisjordânia em terras que os palestinos consideram suas. Jablonski, 33 anos, se demitiu da diretoria do Fundo Nacional Judeu, onde era um astro em ascensão, em função de seu envolvimento modesto, mas politicamente polêmico, com os assentamentos na Cisjordânia.

Ahmad Injoum, cuja família é dona da propriedade onde os painéis foram instalados e que negociou o acordo para 45 famílias de agricultores da área, destaca rapidamente que Auja, cidade com cerca de cinco mil palestinos, tem assentamentos em seus limites norte, sul e oeste.

— O que você ouviu está 100% correto — Injoum, 54 anos, afirma acerca da condição. Conhecido como Abu Bilal, pai de Bilal, na tradição palestina, ele acrescenta em relação aos doadores envolvidos com os colonos: — Nós não queremos ter nada a ver com eles.


Peter Beinart, professor da Universidade da Cidade de Nova York e grande crítico judeu-americano da ocupação de Israel, vê a iniciativa de Jablonski, chamada Construir Israel Palestina, como um sinal de que os judeus-americanos mais jovens se sentem menos confortáveis com o controle israelense sobre a Cisjordânia do que os grupos filantrópicos tradicionais.

— Para as organizações de judeus-americanos, uma coisa é falar vagamente em desenvolvimento econômico para os palestinos. Estar disposto a tomar uma posição se opondo aos assentamentos como uma parte disso, como Ben fez, é algo incomum — diz Beinart.

Russell F. Robinson, diretor executivo do Fundo Nacional Judeu, chamou Jablonski de "líder inacreditável" e disse que "nós desejamos a ele e ao seu projeto somente o melhor". Robinson admitiu que seu organismo financiou dois projetos nos assentamentos de Gush Etzion, ao sul de Jerusalém, mas o diretor busca diferenciá-lo de sua entidade irmã israelense, Keren Kayemet Leyisrael, que apoia parques, ciclovias, anfiteatro e até mesmo uma fazenda solar nas colônias na Cisjordânia. De acordo com ele, as diretorias são separadas. Robinson também destacou que o Instituto Arava, parceiro israelense na iniciativa solar, é um dos grandes beneficiários do Fundo Nacional Judeu. Em 2013, o Fundo foi o principal doador do Instituto, dando a ele US$ 1,8 milhão.

Clive Lipchin, diretor do centro de gestão hídrica do Arava, afirma que o financiamento do Fundo Nacional Judeu levou a "tensões" no instituto de 20 anos, cujos programas incluem israelenses, palestinos e jordanianos. Para ele, o projeto de Auja funcionava em parte porque foi feito em terra particular, e as pessoas trabalham diretamente com Abu Bilal e não com o governo palestino local ou nacional.

— Nós não precisamos buscar permissão de qualquer entidade política, o que explica em parte por que deu certo — afirma Lipchin.

Em sua primeira fase, iniciada em abril, o novo conjunto de painéis solares fornece quase um terço da eletricidade necessária para o funcionamento de uma bomba subterrânea; o resto vem da empresa local de energia. O projeto também incluiu treinamento agrícola para os agricultores produzirem a valorizada tâmara medjool, além de pesquisas para avaliar as necessidades dos produtores.

A água é inegavelmente escassa no Vale do Jordão, e uma reclamação antiga entre palestinos e seus apoiadores é a de que ela é distribuída injustamente pela Cisjordânia. Relatório de 2009 da Anistia Internacional, por exemplo, concluiu que os 450 mil colonos israelenses da área consumiam mais água do que a população de 2,3 milhões de palestinos.

No vale, o aquífero subterrâneo é relativamente raso, diz Deeb Abdelghafour, alto executivo da Autoridade Hídrica Palestina, e sofre pressão da seca há uma década. A eletricidade também é cara, e o serviço não é confiável. Uma vantagem do vale é a luz do sol em abundância, declara Monther Hind, engenheiro do Grupo Palestino de Engenheiros de Águas Servidas, organização particular que é parceira da iniciativa. Assim, os engenheiros tiveram a ideia de acionar a bomba com painéis fotovoltaicos.

— Eles têm luz solar, então que a usem — diz Hind a respeito do raciocínio dos engenheiros.

Em um prédio próximo aos painéis, um medidor contava a produção, e a água era audível, correndo através de um cano conectado à bomba, mais de 75 metros abaixo da terra. Ashraf Yahiaa, engenheiro da empreiteira que construiu o conjunto solar, diz que ele tem 279 metros quadrados e produz 25 mil watts quando o sol brilha mais — uma lâmpada comum consome cem watts.

Jablonski, que entrou para a diretoria do Fundo Nacional Judeu aos 27 anos e fundou um ramo para incentivar a geração mais jovem de doadores, criou o Construir Israel Palestina com Tarek Elgawhary, diretor executivo da Coexist, organização sem fins lucrativos. Logo a seguir, a iniciativa recebeu US$ 100 mil de Michael R. Bloomberg, o ex-prefeito de Nova York. Desde então, já arrecadou mais US$ 50 mil de judeus e muçulmanos, afirmam os fundadores. Jablonski conta ter deixado o Fundo Nacional Judeu depois de ouvir objeções dos produtores rurais de Auja, apesar de seu respeito duradouro por boa parte do trabalho do grupo.

— Ou você está dentro ou fora — diz ele a respeito de seu projeto com os palestinos, acrescentando ter se decepcionado com o fato de que o Fundo não iria se afastar publicamente do trabalho do Keren Kayemet Leyisrael nos assentamentos.

Em Auja, Abu Bilal rebate as críticas do prefeito de sua cidade, observando secamente que "ele irá embora em outubro", quando o mandato de quatro anos chegar ao fim. Os chefes de três das famílias de agricultores, durante encontro com Abu Bilal, contaram que também não tinham objeções à participação de israelenses ou judeu-americanos na iniciativa.

Mas um dos produtores, Ibrahim Injoum, 58 anos, tinha um pedido.

— Nós ainda precisamos de mais 'muri' — declara, usando a gíria local para painéis solares.

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