domingo, 1 de maio de 2016

ISRAEL ESTÁ DE PARABÉNS POR SUA TRANSPARÊNCIA E EFICIÊNCIA EM LIDAR COM AS NECESSIDADES E DIREITOS DE SUAS VALIOSAS SOLDADAS E CIDADÃS!


Ver Menu
Ver Navegação

1ª página
últimas notícias
opinião
colunistas
poder
mundo
mercado
cotidiano
ciência
esporte
rio-2016
f5
ilustrada
ilustríssima
tec
equilíbrio e saúde
comida
turismo
folhinha
classificados
tv folha
fotografia
sãopaulo
serafina
new york times
bbc
vice
empreendedor social
praias
aeroportos
capa do impressoBuscar no sites da Folha



mundo

Israel tem aumento de queixas de crimes sexuais no Exército

Compartilhar via Facebook
Compartilhar via Whatsapp
Compartilhar via Twitter
Compartilhar via GooglePlus
Compartilhar via Email
Compartilhar Linkedin


DANIELA KRESCH
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM TEL AVIV
25/04/2016 02h00

A carreira militar do brigadeiro Ofek Buchris, 47, um dos cotados para chefiar as Forças Armadas israelenses, estagnou assim que uma soldada alegou ter sido violada, sodomizada e assediada sexualmente enquanto ele era seu superior.

Com o uniforme cravejado de medalhas e solidéu na cabeça, Buchris, casado e religioso, jurou inocência e apresentou dois testes com detector de mentiras para provar que falava a verdade.
Menahem Kahana/AFP

Soldados mulheres participam de exercício militar em Israel; no país, elas são obrigadas a se alistarem



A reação inicial dos colegas foi apoiá-lo. Houve até abaixo-assinado de ex-comandados contra o "linchamento público" do oficial, que foi ferido numa operação militar, em 2002, e era considerado modelo de superação.

"Muitas pessoas o conhecem e podem testemunhar quanto à sua amabilidade", escreveu no Facebook uma soldada que esteve sob seu comando. "Quando ficava com ele no escritório à noite, ele fazia questão de deixar a porta aberta para que eu não me sentisse desconfortável."

Mas, quando outra soldado se queixou também de assédio e, principalmente, quando outros dois testes com polígrafo revelaram respostas enganosas, o destino de Buchris mudou. Sua promoção como chefe da Divisão de Operações do Exército foi cancelada, e ele foi afastado da caserna indefinidamente.

O número de queixas quanto a crimes sexuais no Exército tem aumentado. Pulou de 777 em 2012 para 930 em 2013 e 1.073 em 2014. As reclamações sobre estupro e casos mais violentos também estão em alta: de 6 em 2013 para 8 em 2014 e 12 em 2015.

Para alguns, esse aumento reflete uma alta na conscientização sobre os crimes sexuais. Principalmente depois de 2012, quando o Exército criou o Centro Mahut (essência, em hebraico), ao qual soldadas e soldados podem fazer reclamações anônimas.

"Não se pode dizer de uma forma concreta que, se há aumento, há mais assédio. Mas podemos dizer que, quanto mais queixas, maior a conscientização", diz a tenente-coronel Limor Shabtai, vice-assessora para Assuntos de Gênero do Exército.

SEGREDO CONHECIDO

O assédio sexual no Exército israelense, no entanto, é uma espécie de "segredo conhecido" há décadas. Há até pouco tempo, os militares eram vistos quase como celebridades, mesmo quando o tratamento dispensado às mulheres era duvidoso.

Um dos maiores exemplos é o do mitológico general Moshe Dayan, que protagonizou uma série de romances extraconjugais. Em sua autobiografia, sua primeira mulher, Ruth, escreveu que o ex-marido "não tinha bom gosto quando se tratava de mulheres". Foi a filha do casal, a ex-parlamentar Yael Dayan, que legislou a primeira lei contra o assédio sexual, em 1998.

Um recente programa de TV chocou o país ao apresentar testemunhos sobre outro ex-general mitológico, Rehavam "Gandi" Zeevi, morto em 2001 por palestinos durante a Segunda Intifada. Segundo o programa, Zeevi costumava estuprar militares mulheres em seu escritório e comprar seu silêncio com dinheiro.

A natureza do serviço militar, com bases afastadas e o trabalho em conjunto intenso, além do ambiente masculino, ainda é um desafio para as soldados –que, no passado, eram apenas secretárias ou serviam cafezinho. A combinação disso com a embriaguez do poder levar comandantes a usar suas posições para assediar subordinados.

Contribui para isso o fato de que o alistamento militar é obrigatório. Israel é o único país do mundo onde mulheres precisam servir no Exército (dos 18 aos 20 anos). "Como o alistamento é obrigatório, o Exército espelha a sociedade civil de Israel. Infelizmente, os problemas sociais não ficam de fora dos quartéis", diz Shabtai.

ELITE POLÍTICA

Acusações de crimes sexuais também têm atingido a elite política, sem contar instituições como a polícia. O principal exemplo é o ex-presidente Moshe Katsav, que cumpre pena de sete anos por estupro e assédio sexual.

"A sociedade israelense passou por uma mudança significativa quanto a ofensas sexuais", escreveu o jornalista Akiva Eldar no site "Al Monitor". "Tolerância zero para agressores sexuais é uma boa notícia para quem defende direitos humanos e feminismo".

Mas a maioria das vítimas ainda não presta queixa temendo a repercussão, principalmente da opinião pública, diante do que muitos consideram ser uma instituição eticamente quase imaculada.

Em abril de 2015, a soldada May Fatal, por exemplo, tomou coragem e acusou publicamente o coronel Liran Hajbi de assediá-la por meses. Ele foi rebaixado e dispensado. Mesmo assim, Fatal foi acusada, nas redes sociais, de querer manchar a reputação das Forças Armadas.

"Há os que vão preferir lembrar as medalhas e os prêmios (de Hajbi), mas eu só me lembro de suas ações repulsivas contra mim. Um herói de Israel (...) não está acima da lei", escreveu Fatal no Facebook.
Edição impressa

recomendado

Só 39 senadores são a favor de saída definitiva de Dilma da Presidência


Delator da Lava Jato liga entrega de propina a Gleisi, Meurer e Pizzolatti


Patrocinado5 motivos para você fazer um Liberty ResidênciaLiberty Seguros


Plano de Alckmin para construção de moradia no centro de SP falha



comentáriosVer todos os comentários (123)Comente
Termos e condições
super jew (6968)(27/04/2016 19h24) há 3 dias
Avaliar como positivo 4Avaliar como negativo 2 Denunciar


Não há "conivencia" alguma com nada que a Tzahal esteja fazendo ou deixando de fazer, apenas porque a Tzahal não está "fazendo" nada. Quem eventualmente fez foram alguns poucos individuos. Um exemplo claro é aqui, onde existem alguns poucos e patéticos antisemitas. Deveriamos considerar toda a população brasileira desprezível em virtude do comportamento de um ou dois pobres diabos ? Claro que não, isso desprezaria o bom-senso. Responder
Gilvan (1639) (25/04/2016 06h35) há 6 dias
Avaliar como positivo 6Avaliar como negativo 4 Denunciar


Infelizmente os israelenses estão confundindo o exército com um pros tíbulo, ou então, jamais viram mulheres em suas vidas, ou ainda, devem ser maní acos sex uais. Tem que efetivar psicólogos(a), para solucionar a demência desses mentes vazias. Responder
super jew (6968)(27/04/2016 19h36) há 3 dias
Avaliar como positivo 3Avaliar como negativo 2 Denunciar


"O número de queixas quanto a crimes sexuais no Exército tem aumentado. Pulou de 777 em 2012 para 930 em 2013 e 1.073 em 2014. As reclamações sobre estupro e casos mais violentos também estão em alta: de 6 em 2013 para 8 em 2014 e doze em 2015."

O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem Responder

Fale com a Redação -leitor@grupofolha.com.br

Problemas no aplicativo? -novasplataformas@grupofolha.com.br
PUBLICIDADE

Folha de S.Paulo 2016