domingo, 29 de maio de 2016

PARABÉNS AMANTES DE IEHOUAH E SUA TORAH!: COMPARTILHO AQUI O LIKUTEI AMARIN TANYA DISPONÍVEL EM APLICATIVO DO GOOGLE PLAY SOBRE A PALAVRA E O SOM DE IEHOUAH; SOBRE AS PALAVRAS DA TORAH


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Quando fala palavras de Torá — como está escrito: “E falarás delas” —, o espírito emerge para um estado revelado. Assim, a união do “espírito com Espírito” é principalmente realizada pela imersão da pessoa no estudo de Torá. A razão para isso é a seguinte:

- "כִּי עַל מוֹצָא פִּי ה' יִחְיֶה הָאָדָם".

pois, “Por tudo que sai da boca de D’us o homem vive”15 .

Portanto, a boca é a saída do sopro. Contudo, uma vez que o entendimento da Torá é crucial, pois através disso se dá a união do “espírito com Espírito”, por que deve alguém pronunciar as palavras com a finalidade de chegar a esse amor?

O Alter Rebe agora se dirige a essa questão e diz que, mesmo sendo verdade que para o próprio “homem” — isto é, a alma Divina — a ligação com D’us é alcançada principalmente através do entendimento da Torá, no entanto isto é suficiente apenas para a alma Divina. Para que o plano Divino seja realizado, isto é, para que a Divindade seja atraída sobre a alma animal igualmente, e para o mundo como um todo, o indivíduo deve falarpalavras de Torá. Isto porque as palavras físicas são pronunciadas pela alma animal, que por sua vez será afetada pelas palavras pronunciadas.

Uma vez que uma pessoa tem a força para falar porque ela recebe nutrição física, por conseguinte, quando ela pronuncia palavras de Torá, é realizada a suprema intenção de D’us de atrair a santidade para este mundo físico, e o “mundo inteiro está pleno de Sua glória”.

(Como pode ser facilmente entendido, esta idêntica razão se aplica não somente às palavras faladas de Torá, mas também explica por que as mitsvot devem ser cumpridas com o corpo físico e utilizando objetos do mundo material, pois é através deles que a Divindade é expressada na alma animal e no mundo material como um todo. Aqui, no entanto, o assunto em questão é o conhecimento de Torá. Neste caso, embora nada possa unir a alma Divina com a sua Fonte mais completamente que a meditação sobre a Torá, não obstante, é necessário que também sejam pronunciadas palavras de Torá, com a finalidade de atrair a Divindade para a alma animal e, efetivamente, em todo o mundo material.)

וּמִכָּל מָקוֹם, לֹא יֵצֵא יְדֵי חוֹבָתוֹ בְּהִרְהוּר וְעִיּוּן לְבַדּוֹ

No entanto, uma pessoa não cumpre a sua obrigação pela meditação e reflexão somente,

Isto é, a obrigação da pessoa não é assim cumprida, embora tal reflexão leve à união suprema da sua alma com D’us sob forma de apego de “espírito com Espírito”.

עַד שֶׁיּוֹצִיא בִּשְׂפָתָיו, כְּדֵי לְהַמְשִׁיךְ אוֹר-אֵין-סוֹף בָּרוּךְ-הוּא לְמַטָּה עַד נֶפֶשׁ 
הַחִיּוּנִית הַשּׁוֹכֶנֶת בְּדַם הָאָדָם, הַמִּתְהַוֶּה מִדּוֹמֵם-צוֹמֵחַ-חַי,

a menos que a pessoa expresse as palavras com seus lábios, a fim de atrair para baixo a luz [infinita] do abençoado Ein Sof , até para a alma vitalizante que reside no sangue do homem, que por sua vez é produzido pela ingestão de alimento dos [ mundos] mineral, vegetal e animal.

Isto quer dizer: comer e beber produz o sangue no qual a alma vitalizante está investida, e a Divindade é atraída para todos os mundos mencionados acima quando alguém fala palavras de Torá.

כְּדֵי לְהַעֲלוֹת כֻּלָּן לַה' עִם כָּל הָעוֹלָם כֻּלּוֹ, וּלְכָלְלָן בְּיִחוּדוֹ וְאוֹרוֹ יִתְבָּרֵךְ, אֲשֶׁר 
יָאִיר לָאָרֶץ וְלַדָּרִים בִּבְחִינַת גִּלּוּי, "וְנִגְלָה כְּבוֹד ה', וְרָאוּ כָל בָּשָׂר וְכוּ'",

Com isso a pessoa os eleva, todos eles — a alma vitalizante, e os mundos mineral, vegetal e animal — a D’us, junto com todo o universo, e faz com que eles sejam absorvidos em Sua abençoada Unicidade e luz, a qual iluminará o mundo e seus habitantes de uma maneira revelada, no espírito do versículo que diz: “E a glória de D’us será revelada” 16 — em tal medida, que“toda carne a verá...”

שֶׁזֶּהוּ תַּכְלִית הִשְׁתַּלְשְׁלוּת כָּל הָעוֹלָמוֹת, לִהְיוֹת כְּבוֹד ה' מְלֹא כָל הָאָרֶץ 
הַלָּזוֹ דַּוְקָא בִּבְחִינַת גִּלּוּי, לְאַהְפְּכָא חֲשׁוּכָא לִנְהוֹרָא וּמְרִירָא לְמִתְקָא, 
כַּנִּזְכָּר לְעֵיל בַּאֲרִיכוּת.

Pois esse é o propósito da descida gradual de todos os mundos — para que a glória de D’us possa permear especialmente este mundo físico , de uma maneira revelada, para mudar a escuridão das kelipot em luz de santidade , e a amargura do mundo, cuja força vital provém da kelipat nogá , em doçura de bondade e santidade , como foi explicado detalhadamente no capítulo 36 .

וְזֶהוּ תַּכְלִית כַּוָּנַת הָאָדָם בַּעֲבוֹדָתוֹ, לְהַמְשִׁיךְ אוֹר-אֵין-סוֹף בָּרוּךְ-הוּא לְמַטָּה,

E esta é a essência da intenção do serviço do homem: atrair para baixo a luz [infinita] do abençoado Ein Sof .

Portanto, embora o serviço espiritual do homem e seu profundo entendimento da Torá sejam capazes (através do pensamento apenas) de cumprir o objetivo do seu amor — aderir a D’us de uma forma da ligação de “espírito com Espírito”, no entanto, a intenção de seu serviço não deve ser somente por consideração da sua alma Divina. Ela também deve estar de conformidade com o desejo de D’us de atrair a Divindade para este mundo material. E isto se consegue através doproferimento de palavras de Torá.

Assim, antes de nos ordenar a colocar “estas palavras [da Torá] sobre o teu coração”, e em continuação a dizer que “falarás delas”, a Torá diz: “Tu amarás Hashem teu D’us com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com toda a tua força”. Pois antes de a Divindade ser atraída para baixo através da Torá, o homem deve primeiro iniciar, de sua parte, um despertar do amor. Somente então a Divindade será atraída para baixo através da Torá e das mitsvot . É isto o que o Alter Rebe dirá agora:

רַק שֶׁצָּרִיךְ תְּחִלָּה הַעֲלָאַת "מַיִן נוּקְבִין",

Contudo, a iniciativa deve vir através da “elevação doman ” ( i"n — palavra formada pelas letras iniciais das palavras mayin nukvin , literalmente, “águas femininas”, que na terminologia cabalística significa o despertar e a elevação da “fêmea”, isto é, o recipiente),

לִמְסֹר לוֹ נַפְשׁוֹ וּמְאֹדוֹ כַּנִּזְכָּר לְעֵיל

entregando a Ele sua alma e tudo o que é seu, como foi explicado acima.

Para que a Divindade seja propriamente atraída através da Torá e das mitsvot , é necessário primeiro que haja a “elevação de man ”, emanando do amor do homem a D’us a uma tal medida que ele esteja pronto para renunciar a tudo por consideração a Ele.

* * *

Com isto o Alter Rebe conclui o tema iniciado no capítulo 46, sobre o amor que é comparado à “água que reflete a imagem de uma face”, e com relação ao que ele disse, que o Shemá e suas bênçãos introdutórias são especialmente efetivas para despertar esse amor.





Comentários do Rebe Shlita Sobre a Conclusão do Capítulo 49

“Mas como ocorre a união do espírito com o Espírito... enquanto a boca, como a saída do sopro... No entanto, uma pessoa não cumpre a sua obrigação... pois este é o propósito da descida progressiva dos Mundos...”



O Rebe Shlita faz aqui seis perguntas:

1) Em termos gerais, qual é a intenção do Alter Rebe ao introduzir a passagem que começa “Mas como ocorre a união do espírito com o Espírito”?

2) A seção desde “enquanto a boca” até “o homem vive” parece ser supérflua. Uma vez que o Alter Rebe prossegue dizendo que no estudo da Torá a meditação apenas não é suficiente, e que a pessoa deve também expressar as palavras com os seus lábios com a finalidade de atrair a luz do Ein Sof para o mundo, aparentemente nada se ganhou com o acréscimo de “enquanto a boca... o homem vive”.

3) Quando o Alter Rebe cita o versículo “Por tudo que sai da boca de D’us o homem vive”, não o explicando de maneira alguma, ele está evidentemente se referindo ao significado simples do texto (e não, como poderia se dizer, que o versículo se refere a ChaBaD , a fonte da fala Divina). Que conexão, então, existe entre o significado textual simples do versículo e o seu contexto?

4) Qual é o significado das palavras “e sua emergência para um estado revelado” na frase “como a saída do sopro e sua emergência para um estado revelado ”. Na verdade, o original hebraico aqui parece repetitivo.

5) Como tudo isso está ligado com o que está sendo analisado no final do capítulo 49?

6) Além disso: “pois este é o propósito da descida progressiva de todos os Mundos” pertence ao capítulo 36, onde este assunto é discutido em detalhes. Realmente, o Alter Rebe refere-se aqui àquele capítulo, quando ele diz “como foi explicado acima detalhadamente”. Aqui, tudo indica, não é o lugar para discutir o assunto, em absoluto, mesmo de forma resumida.

* * *

Para melhor entender as respostas do Rebe Shlita a todas essas perguntas, uma breve introdução se faz necessária.

O conceito chamado de “união de beijo” evidencia a revelação de um nível de amor tão íntimo que ele não pode ser revelado na fala. Assim, também, o versículo que diz “Que Ele me beije com beijos de Sua boca”, que se refere à Torá, indica que através da Torá um judeu se une com D’us na maneira de “beijo”; ou seja, é revelada dentro dele uma manifestação de Divindade que é essencialmente removida do domínio da revelação. Ela é revelada somente por causa desse amor íntimo.

Essa revelação só ocorre através do espírito e do sopro, e tem início na “inteligência”; isto é, a revelação é atraída para o ChaBaD Supremo. Quando a alma de um judeu entende o intelecto da Torá, que é o ChaBaD Supremo, seu espírito (intelecto) fica unido com o Espírito e Intelecto Acima. Essa unificação do ChaBaD mortal com o ChaBaD Supremo é a forma mais alta de união existente (como explicado no capítulo 5).

Mas o intelecto em si, especialmente quando ele está envolvido no estágio de discussões acadêmicas, se encontra dentro da pessoa de forma oculta. Mesmo depois que um debate se cristaliza em uma decisãohaláchica final, ele ainda está oculto, quando considerado em relação à sua alma como um todo, e especialmente em relação à sua alma animal e ao seu corpo.

No entanto, quando o conceito em questão, ou seu resultado legal, é verbalizado (e a fala, afinal de contas, pertence ao “mundo da revelação”), então, não somente há uma revelação do pensamento profundo envolvido no estágio do debate intelectual, mas mesmo em relação àrevelação do intelecto como manifestada na decisãohaláchica final, a fala do estudante de Torá constitui uma revelação.

Do que foi dito acima, fica claro que a união do “beijo” é realizada principalmente no nível de ChaBaD ; neste nível ele é capaz de revelar aquilo que está essencialmente além da revelação. Este também é o significado da expressão dos Sábios, que “ HaCadosh Baruch Hu senta e estuda Torá”. Isto significa que Ele, que é essencialmente Cadosh — Santo, separado e distante — “senta” (isto é, Se abaixa) ao nível da Torá. E através do estudo da Torá, permite-se a um indivíduo absorver esse nível dentro dele mesmo.

Não obstante, a completa revelação dessa conexão tanto Acima (no ChaBad Supremo) quanto abaixo (noChaBaD mortal) é alcançada através da fala. Quando essa conexão é revelada na Fala Suprema e refletida na fala do homem, então ela realmente ilumina a alma do homem.

* * *

Depois dessa introdução, o comentário do Rebe Shlitaserá melhor entendido:

Até agora foi explicado que, como resultado das bênçãos precedentes ao Shemá , e do próprio Shemá , “Quando a pessoa inteligente refletir sobre esses assuntos nas profundezas de seu coração e seu cérebro”, e então “sua alma se acenderá” e ela desejará se apegar a D’us. A direção tomada por essa forma de serviço Divino é a elevação “de baixo para cima”, isto é, o indivíduo deseja abandonar as amarras e limitações do mundo e tornar-se um com D’us.

Este sentimento pode encontrar expressão na “expiração da alma” ( calot hanéfesh ) em seu amor a D’us. (Isto certamente não resulta em qualquer obrigação de estudar Torá com a finalidade de atrair a Divindade para baixo. Pelo contrário, uma pessoa nessa situação está em um estado de ansiedade e “expiração da sua alma” com a finalidade de se tornar unida a D’us como Ele é Acima. )

O Alter Rebe, portanto, inicia essa passagem dizendo: “Mas como ocorre a união do espírito com o Espírito?” — Não como poderíamos esperar, como descrito acima,mas : “Para essa finalidade é estabelecido ‘E estas palavras estarão... sobre o teu coração’”.*

O Alter Rebe está nos dizendo algo completamente novo: a união de “espírito com Espírito” é alcançada não através da “expiração da alma”, mas através do cumprimento do mandamento de que “estas palavras estarão... sobre o teu coração ” — através da aplicação do intelecto ao estudo da Torá.

Além disso, essa união é alcançada através do cumprimento do mandamento que “tu falarás delas”, pelo falar palavras de Torá — e a direção tomada por essa forma de serviço Divino é contrária à elevação “de baixo para cima”, pois a fala significa atrair para baixo , erevelação .

Uma vez que deve existir uma “união do espírito com o Espírito”, e o Espírito Supremo é a Sabedoria Suprema, isto é, Torá, a concentração na Torá, portanto, realiza (como explicado no capítulo 5) a união suprema doChaBaD do homem com o ChaBaD de D’us — e isto é a “união do espírito com o Espírito”.

No entanto, pode-se pensar que o pronunciamento de palavras da Torá sobre as quais a pessoa já meditou só revela a unificação de ChaBaD com ChaBad , e nada mais que isso é alcançado com o cumprimento do mandamento de que “falarás delas”. (Em outras palavras, nós podemos pensar que falar meramente relata o que transpirou no intelecto de uma pessoa, isto é, que seu intelecto está unido com o Intelecto Supremo.)

Se fosse assim, isto seria uma contradição com o que foi afirmado nos capítulos 45 e 46, e também uma contradição com o significado do versículo “Que Ele me beije com beijos de Sua boca”, o qual, conforme explicado anteriormente, significa a união da fala do homem com a fala de D’us, a fala de D’us sendo aHalachá .

O Alter Rebe, portanto, continua para afirmar: “enquanto a boca”, isto é, a boca Suprema assim como a boca do homem (o beijo sendo de boca a boca), “como a saída do sopro e sua emergência para um estado revelado”. Ele não fornece qualquer explicação adicional, uma vez que ele fala do significado simples dessas palavras, isto é, que a boca emite o espírito e a sabedoria sobre a qual a pessoa antes se concentrou. Esta é “sua revelação”, a revelação do espírito, que é a revelação do processo de pensamento e de sua conclusão. Tudo isso é emitido pela boca sob forma de revelação .

(Isto significa o seguinte: O “espírito” refere-se à concentração intelectual. Então há “sua revelação”, a revelação do “espírito” sendo a conclusão intelectual. Tudo isso é emitido pela boca sob forma de revelação. Antes de as palavras serem pronunciadas pela boca, a conclusão existia somente na mente. Através da fala, no entanto, tanto o processo pensante como sua conclusão conceitual são efetivamente revelados.)

O Alter Rebe, portanto, conclui que “a boca... representa a categoria da fala empenhada em palavras de Torá”. É necessário que os conceitos da Torá e as conclusões do estudo de Torá da pessoa sejam revelados dentro da palavra falada. A razão para isso é dada na sua próxima frase: “Por tudo que sai da boca de D’us o homem vive”. A palavra que finalmente procede da boca de D’us não é o estágio preliminar da concentração e do debate eruditos, mas “a palavra da halachá ”, a regra final sobre a questão discutida. E sobre isto o homem vive.

Contudo, algo ainda requer esclarecimento. A necessidade de “união do espírito com o Espírito” através da concentração na Torá é compreensível. No entanto, o que nos impele a dizer que o desejo resultante para ser absorvido na luz de D’us deve se manifestar nafala de palavras da Torá? — Pois a palavra atrai para baixo: a sua direção no serviço Divino é exatamente o oposto ao desejo de ser absorvido em D’us.

O Alter Rebe, portanto, diz que se fosse somente uma questão de um desejo pessoal de ser absorvido em D’us, então realmente não seria necessário para o indivíduofalar palavras de Torá; a meditação seria suficiente. No entanto, se ele não falar palavras de Torá, ele estará se esquivando de uma obrigação. Como o Alter Rebe continua: “Contudo, não se cumpre a obrigação somente pela meditação e a ponderação”.

Um judeu é obrigado a atrair para baixo a luz infinita doEin Sof até para a alma vitalizante e o mundo como um todo. Esta obrigação não pode ser cumprida através de meditação e contemplação, mas somente através de palavras faladas da Torá.

No entanto, pode parecer que isso é uma obrigação distinta e separada, totalmente desligada do amor que resulta na união de “espírito com Espírito”, um nível alcançado através do serviço Divino envolvido nas bênçãos que precedem o Shemá , assim como através do próprio Shemá .

O Alter Rebe, portanto, explica que realmente existe uma conexão entre os dois. Ao falar palavras de Torá e com isso fazer a Divindade descer sobre sua alma vitalizante e os mundos mineral, vegetal e animal, através disso o indivíduo também causará a elevação deles; eles serão todos elevados a D’us e absorvidos em Sua luz . Assim, a mesma coisa que a pessoa realiza dentro de si própria através da meditação sobre a Torá, ela também realiza em sua alma vitalizante e no mundo como um todofalando palavras de Torá.

Ainda falta compreender a ligação entre: (a) a elevação do mundo à Divindade e (b) os conteúdos das bênçãos que precedem o Shemá , assim como o início do próprioShemá (até “E estas palavras que Eu te ordeno hoje...”). Aparentemente, eles são formas distintas e separadas de serviço.

Mesmo o propósito de unir a fala do homem com a fala de D’us não repousa em ser “aceso com amor”, mas na intenção de conseguir um efeito oposto (como mencionado antes). Ainda mais com respeito à elevação do mundo material a D’us. Como isso está ligado às bênçãos que precedem o Shemá , o próprio Shemá e o seu amor resultante?

Isto é explicado pelo Alter Rebe quando ele continua a dizer: “Pois este é o propósito da descida progressiva de todos os Mundos...”, e “esta é a essência da intenção do serviço do homem”. O propósito do homem é servir a D’us, e o propósito de todos os mundos é para a glória de D’us permeá-los. Este é o conteúdo geral e a conclusão fundamental das bênçãos que precedem oShemá (pois o propósito do serviço Divino das almas judias e o propósito de todos os Mundos é atrair a Divindade para baixo, como mencionado nos capítulos anteriores com respeito à meditação que deve acompanhar a recitação dessas bênçãos).

Assim, existe uma conexão forte e direta entre o propósito fundamental dessas bênçãos e a elevação da alma vitalizante e o mundo inteiro à Divindade.

Mas como isso está ligado ao amor de D’us através da “união do espírito com o Espírito”? O Alter Rebe explica essa ligação concluindo: “ Contudo , [a iniciativa deve vir] entregando a Ele sua alma e tudo o que é seu”. Isto significa dizer que a menos que uma pessoa tome primeiro a iniciativa de se entregar a D’us, a Divindade não será manifestada neste mundo.

* * *

De acordo com a exposição do Rebe Shlita , todas as seis perguntas mencionadas acima estão agora respondidas; nós entendemos a necessidade para cada frase do texto. Além disso, muitos pontos encontrados em outros capítulos do Tanya também são entendidos agora.

No capítulo 5, por exemplo, o Alter Rebe fala da união doChaBaD do homem com o ChaBaD de D’us através de uma profunda compreensão da Torá. Ele começa o capítulo dando um exemplo de uma pessoa que entende uma halachá . Ao final daquele capítulo, no entanto, quando ele não tem a intenção de enfatizar o tipo de união que existe “de todos os lados e ângulos”, ele fala do conhecimento de Torá em geral, não especificamente da Halachá .

A razão para isso é que, a fim de alcançar a união “de todos os lados e ângulos” através do entendimento da Torá, é necessário que esse conhecimento seja revelado dentro da alma da pessoa. Essa revelação é conseguida especificamente através da decisão final da Halachá , e está ausente no debate intelectual que a precede, como foi explicado antes.

Nos capítulos 45 e 46, igualmente, onde o Alter Rebe fala da união do “beijo”, ele enfatiza “a Palavra de D’us, isto é, a Halachá ”, e não o debate intelectual que a precede. Pois somente dentro da “Palavra de D’us”, a regrahaláchica , é encontrado ali o intenso nível de revelação que é chamado de “beijos de Sua boca ”. Isto serve também para explicar outras seções do Tanya .

O Rebe Shlita soluciona aqui um problema complicado adicional: nos capítulos 45 e 46, o Alter Rebe explica que “beijo” significa falar palavras de Torá. Isto é enigmático, pois a qualidade que distingue o nível de união chamado “beijo” encontra-se no fato de que ela transcende a fala: ela não pode ser refinada na fala.

No entanto, isto será entendido à luz de uma afirmação do Alter Rebe no Likutei Torá , Shir HaShirim (p. 1d), onde ele explica que o amor descrito no versículo “Que Ele me beije com beijos de Sua boca”, que se refere à Torá, é semelhante ao amor de um pai por seu filho único. O amor sentido pelo pai por seu filho é tão grande que ele não pode ser expresso de nenhuma maneira espiritual, mas deve ser contraído, finalmente se expressando na forma de um beijo físico. O mesmo é verdade com relação à Torá.

Assim, é evidente que a revelação extremamente sublime do amor chamado “beijo” pode se expressar somente quando ele está contraído e condensado no sopro, espírito e fala da Torá.

O conceito aludido ali (em Likutei Torá ), e discutido de uma forma mais elaborada pelo Alter Rebe no maamarsobre Shir HaShirim no Sêfer HaMaamarim : Hanachot HaRap zal (p. 142), nos permite apreciar mais plenamente o que é efetivamente alcançado pelo cumprimento do mandamento de “falarás delas”. Pois nós vemos dos discursos citados acima que falar palavras de Torá não é mera descrição verbal do que está ocorrendo no ChaBaD da pessoa (ou seja, que seuChaBaD está ligado ao ChaBaD de D’us); mais propriamente, a própria contração representada pela descida da Torá para a fala da pessoa é o veículo por meio do qual o intenso amor Divino denominado “beijo” é expresso.

Nós também entendemos desses discursos que a união de “beijo” deve ser precedida pelo amor da pessoa a D’us através de dar a Ele “tudo o que é seu”.

Quando o modo de iluminação Divina que normalmente não desce até o ponto de revelação salta sobre as amarras da auto-limitação Divina, e é de fato revelada por meio de tsimtsumim (“contração”, “condensação”), essa revelação transcendente é chamada dilug(“literalmente, salto”). Com a finalidade de alavancar tal “salto” nos Mundos Acima, é necessário que o indivíduo abaixo faça um salto correspondente — amando a D’us a ponto de Lhe entregar “tudo o que é seu”.

Agora fica claro que, apesar do grande mérito da fala, o “beijo” é fundamentalmente expresso na unificação deChaBaD com ChaBaD . Para usar a frase dos Sábios: D’us que é essencialmente transcendente, isto é,HaCadosh Baruch Hu — O Santo (literalmente, separado), abençoado Ele seja — “* ‘senta’ (isto é, “desce”) e estuda Torá”: a iluminação desce aqui embaixo .

O Rebe Shlita também responde à outra incômoda pergunta. Geralmente, sempre que a unificação do nível de “beijo” é discutida em Chassidut , a explicação dada é que “beijo” resulta do grande amor daquele que dá o “beijo”. Assim sendo, que ligação isso pode ter comChaBaD , que é, além de tudo, uma manifestação do intelecto, não do amor?

De acordo com as explicações dos discursos acima mencionados, isto também se torna claro. O amor interior transforma, ou cria, as faculdades de ChaBaD , de modo que, por causa desse amor interior, uma iluminação que está essencialmente além da revelação, é atraída para baixo, para ChaBaD . Conforme isso é expresso no Tanya : “Seu grande Nome” é atraído para o povo judeu por causa de Seu grande amor por eles. Seguindo na mesma linha, o Rebe Shlita cita o Sidur do Alter Rebe, Derushei Chanucá , p. 273a, que estabelece que “beijo” deriva do “aspecto interno de coração e mente ”, pois é devido ao amor íntimo do coração que a revelação ocorre na mente.

Em resumo: de acordo com o comentário do Rebe Shlitasobre a explicação dada no capítulo 49 pelo Alter Rebe acerca do nível de unificação chamado “beijo”, nós viemos a entender que isso denota a revelação de uma iluminação que essencialmente está além do âmbito da revelação. Esse amor é “santo” (isto é, separado) e é revelado somente por causa do grande amor íntimo de D’us pelo povo judeu. Sobre esse amor está escrito: “Que Ele me beije com beijos de Sua boca”, que se refere à Torá.

Através do estudo da Torá, um judeu fica unido com D’us em uma maneira de “beijo”, e de “união do espírito com o Espírito”. Este amor é primeiramente manifestado nas faculdades intelectuais de ChaBaD , a iluminação descendo primeiro para o Intelecto Supremo. Os Rabinos o expressam assim: “O Santo senta e estuda Torá” — D’us que é Santo (isto é, separado) “senta” e desce para a Torá.

O intelecto da Torá — Intelecto Supremo — é o “Espírito” conforme se encontra no Alto. Quando um judeu compreende totalmente o Intelecto Supremo que está investido na Torá, então o seu espírito — seu intelecto — fica unido com o Intelecto Supremo e Espírito, sendo esta a “união do espírito com o Espírito”.

O “beijo”, contudo, ocorre de boca a boca, pois é através da boca da pessoa que o espírito íntimo e sopro é revelado, e é através da boca que o amor íntimo é expresso. Assim também com relação à Torá. Quando alguém cumpre o mandamento de “falarás delas”, isto não só nos diz que seu ChaBad (intelecto) está unido com o ChaBad e o Intelecto Supremos, mas que também ele serve para revelar a conclusão haláchica , o “espírito”, da Torá.

Quando o intelecto do indivíduo está imerso nas profundezas do debate, o “espírito” está em um estado de ocultação. Somente quando o “espírito” estáplenamente revelado, quando esse alguém articula ahalachá consolidada, o “espírito” atinge o seu estado mais completo — os “beijos da boca ”.

1. Parênteses como no original.

2. Bava Metsia 84a.

3. A respeito da possibilidade de “e assim por diante” referir-se às bênçãos posteriores ao Shemá , o RebeShlita nota:

“Isto não é [encontrado] no Tanya . Mais importante, a resposta para isso não é dada. Pelo contrário, ao final de sua pergunta, o Alter Rebe diz explicitamente: ‘especificamente antes dele’; ele não menciona ‘depois dele’, nem mesmo indicando isso com ‘e assim por diante’. Isto é especialmente significativo, porque háuma conexão com ‘depois dele’, pois as últimas bênçãos falam da aceitação do Jugo Celestial e do Êxodo do Egito (e esses temas se referem à recitação do Shemá , como explanado no final do capítulo 47).

“‘E assim por diante’, então, tem a intenção de incluir a recitação do Shemá da noite, ou ele se refere à conclusão do texto rabínico mencionado acima: ‘duas antes dele... e à noite’ . As duas respostas são a mesma resposta. E embora posteriormente o Alter Rebe especifique as bênçãos matutinas, o mesmo pode ser entendido daquelas referentes à noite”.

4. Mencionado em Beit Yossef , Orach Chayim , cap. 46.

5. Berachot 54a.

6. Shabat 152a.

7. Tehilim 33:9.

8. O Rebe Shlita comenta: O Alter Rebe acrescenta a palavra “significando” para nos dizer que a declaração ”Santo” aqui não significa, como ocorre em outros lugares, que está se dizendo que alguém seja santo, ou semelhante. Pois para tornar conhecido que alguém é santo implica que aquele que fala está ciente e compreende a santidade do outro. (Igualmente, sobre a mulher shunamita, que chamou Elisha de santo, aGuemará pergunta: “Como ela sabia?”).

Aqui, no entanto, quando os anjos proclamam “santo”, a intenção é justamente o oposto: eles não conhecem Ele, pois Ele é Santo — isto é, separado, e afastado deles.

(Isto sem querer faz surgir outra possível pergunta: uma vez que os anjos estão em um estado de auto-anulação, como é concebível que eles “pronunciam e declaram”? De acordo com o que foi dito acima, no entanto, isto pode ser entendido: Eles “pronunciam e declaram” que eles estão anulados para D’us, que Ele é separado e afastado deles, e que eles não possuem nenhuma concepção d’Ele.)

9. Nas passagens que precedem o Shemá .

10. Yechezkel 3:12.

11. Na Amidá .

12. Capítulos 46 e 47.

13. Capítulo 2.

14. Devarim 6:6-7.

15. Devarim 8:3.

16. Yeshaiáhu 40:5.