sexta-feira, 23 de setembro de 2016

- CRIANDO FERAS ATÉ SER PRESA DAS MESMAS -

 Destaque:

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Em Yathrib, Maomé estabelece uma aliança com as tribos judaicas e pagãs que ali viviam, formando com os seus discípulos a umma, a comunidade do Islão. Através da conquista e da conversão dos Árabes à sua doutrina, Maomé conseguiu reunir uma força que provocaria a capitulação de Meca no ano de 630. Em Meca ele destrói os ídolos da Caaba e fixa a nova peregrinação. Por altura da sua morte, a8 de Junho de 632, toda a península Arábica encontrava-se quase toda unificada sob a bandeira do Islão."



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História do Islão


A História do Islã é a fé islâmica comoreligião e instituição social.

Como a maioria das religiões do mundo, o desenvolvimento histórico do islã teve um impacto claro na história política, econômica e militar das áreas dentro e fora do que se considera suas principais zonas geográficas de alcance (ver mundo islâmico).


O nascimento do IslãoEditar

Contexto geográficoEditar
A Península Arábica, local de nascimento do Islão

O islão (ou islã, no Brasil) nasceu naArábia, região à qual os árabes se referem como Jazirat Al-'Arab, "a ilha dos árabes", o que denota o seu carácter isolado, separada da África e da Ásia pelo mar. É uma região inóspita marcada pela presença do deserto, onde a água é um bem raro.

Distinguem-se na península Arábicatrês grandes conjuntos geográficos:
O Hijaz, faixa montanhosa que se estende ao longo do Mar Vermelho;
O Nadj, planalto central coberto pordunas;
O Sul, região conhecida como a "Arábia Feliz", que recebia a chuva trazida pelas monções. É a terra doincenso, onde viviam populações sedentárias.
Contexto político, social e religiosoEditar

Antes do advento do islão, os árabes não formavam uma unidade política coerente. Nos inícios do século VI a Arábia posiciona-se em torno de dois impérios que se defrontam. A oeste,Bizâncio, cristã e herdeira de Roma, dominava o norte de África, a Palestina, a Síria, a Anatólia, a Grécia e o Sul daItália. A Leste, o Império Persa Sassânida ocupa uma área que corresponde aos actuais Iraque e Irão e tinha como religião oficial ozoroastrismo, mas nele também viviam cristãos, judeus e maniqueus. A oeste da Arábia situava-se a Abissínia, que professava o cristianismo copta.

A base desta sociedade era a tribo que reunia descendentes de um mesmo antepassado. Uma tribo era composta por vários clãs, e agrupava famílias alargadas que se encontram sob a autoridade de um homem. Algumas tribos eram sedentárias e outras eram nómadas (beduínos). As tribos viviam em guerra constante.

Do ponto de vista religioso, a Arábia era a terra do politeísmo, mas também viviam nela comunidades monoteístas. Tribos judaicas, talvez chegadas à península Arábica após a destruição doSegundo Templo em 70, formavam comunidades que habitavam os locais de Fardak e Yathrib, nome pré-islâmico da cidade de Medina. Algumas tribos da Árabia setentrional tinham se convertido ao cristianismo monofisitaou ao cristianismo nestoriano. Influências zoroastrianas e cristãs faziam-se sentir a sul, no Iémen.

As principais divindades eram adoradas sob a forma de uma árvore ou de um bétilo (pedra sagrada). Alguns bétilos eram transportáveis e acompanhavam os nómadas nas suas deslocações. Os Árabes erguiam santuários e sacrificavam animais em sua honra. Outras práticas religiosas incluiam o jejum e a peregrinação. Acreditava-se igualmente na presença dos djins, espíritos, alguns dos quais tinham um carácter maligno.

Os árabes reconheciam uma divindade a que chamavam de Al-lah, criador todas as coisas, mas este não tinha o carácter que lhe foi atribuído mais tarde pelo Islão. Al-lah tinha três filhas: Allat,Manat ("Destino") e Al´Uzza ("A Poderosa").

A cidade de Meca, no Hijaz, a cerca de 80 quilômetros do mar, era o centro de uma peregrinação anual feita pelos Árabes. Nela encontrava-se um santuário, a Kaaba, onde existia a Pedra Negra, provavelmente um meteorito, que era alvo de veneração. Os peregrinos davam sete voltas em torno dela no sentido contrário aos ponteiros do relógio. No século VII a cidade adquiriu importância como centro económico: ela controlava o tráfego de caravanas que atravessam a Arábia. Por ela passavam os produtos que tinham sido trazidos para o Iémen da Abíssinia e da Índia e que eram transportados pelas caravanas para o Mediterrâneo. Uma rota que atravessava a Arábia a partir do Golfo Pérsico em direcção à Abissínia foi encerrada devido ao conflito entre a Pérsia e Bizâncio, o que fez aumentar a importância de Meca.
MaoméEditar
Antes de sua morte em 632, Maoméuniu toda a península Árabe.
Ver artigo principal: Maomé

A 12 de Rabi-al-awwal (terceiro mês do calendário árabe), no ano do Elefante - o que corresponde a 570 ou 571 da era cristã - nasce em Meca um homem que viria a alterar a história da Arábia e do Mundo. O seu nome era Maomé (Muhammad).

Maomé era filho de Abdullah e de Amina. O seu pai faleceu pouco antes do seu nascimento e a sua mãe quando ele tinha seis anos. O menino teve como tutor o avô Abdu-l-Muttalib e depois o seu tio Abu Talib. Maomé pertencia a um clã empobrecido da poderosa tribo dos Coraixitas (Quraysh, "tubarão"), os hachemitas. O poder dos Coraixitas advinha do facto de controlarem o santuário da Caaba. Maomé tornou-se um mercador, realizando nesse contexto viagens à Síria; aos vinte e cinco anos casou com uma rica viúva de nome Khadija.

Maomé tinha por hábito jejuar e meditar nas montanhas próximas de Meca. Por volta de 610, aos quarenta anos e enquanto fazia um desses retiros espirituais na montanha Hira, ele experimentou uma revelação divina. Um ser misterioso (Jibril, o arcanjo Gabriel) ordenou-lhe que recitasse; vencida a hesitação inicial, Maomé recitou aquilo que viria a ser a primeira revelação do livro que mais tarde seria compilado como o Alcorão.

Maomé duvidou de si próprio, mas estimulado pela sua esposa, começou a pregar a sua mensagem entre os mequenses. Ele proclamava omonoteísmo, criticava o materialismo que se tinha apoderado da cidade e que fazia com que se desprezasse a viúva e o órfão; anunciava o dia do Julgamento Final, no qual os actos de cada pessoa seriam avaliados e a riqueza pessoal seria inútil. As reacções à sua mensagem oscilaram entre a sincera adesão à hostilidade.

Após a morte do seu tio Abu Talib e da sua esposa, dois dos seus protectores, Maomé e os seus seguidores tiveram que fugir de Meca para Yathrib, um oásis ao norte, devido às injúrias e ataques físicos que experimentaram na cidade. Esta migração ocorre em 622 e é chamada de Hijra. Ela marca o início do calendário islâmico.

A fuga de Maomé e dos seguidores constituiu um desafio ao poder de Meca. As duas cidades entram em guerra. Em Yathrib, Maomé estabelece uma aliança com as tribos judaicas e pagãs que ali viviam, formando com os seus discípulos a umma, a comunidade do Islão. Através da conquista e da conversão dos Árabes à sua doutrina, Maomé conseguiu reunir uma força que provocaria a capitulação de Meca no ano de 630. Em Meca ele destrói os ídolos da Caaba e fixa a nova peregrinação. Por altura da sua morte, a8 de Junho de 632, toda a península Arábica encontrava-se quase toda unificada sob a bandeira do Islão.
Os quatro califas "bem guiados" (632-661)Editar
Ver artigo principal: Califado Rashidun
A expansão do Islão

A morte de Maomé - que tinha sido não só um líder religioso, mas também um líder político -, representou um momento de crise na comunidade muçulmana, uma vez que ele não nomeou claramente um sucessor.

A comunidade muçulmana decidiu convocar a Nidwa (Assembleia) para resolver o impasse e nomear um novo líder, que recebeu o título de califa (khalifa, "representante"). Nos anos que se seguiram à morte de Maomé houve quatro califas, aos quais os muçulmanos se referem como os "Califas Bem Guiados" (al-Khulufa al-Rashidun).

O primeiro foi Abu Bakr (632-634), um dos sogros de Maomé e um dos seus companheiros mais próximos encarregue por ele de dirigir a oração quando a sua doença o impedira de fazê-lo pessoalmente. Apesar de só ter governado dois anos, o seu califado foi determinante na medida em que consolidou o islão na península Arábica. Após a morte de Maomé, algumas tribos de beduínos tinham abandonado o Islão e entendiam que não deviam lealdade à Abu Bakr. Para além disso, vários homens que se apresentavam como profetas geravam agitação. A revolta dos beduínos ficou conhecida como Ridda (apostasia) e foi solucionada por Abu Bakr através da diplomacia e do recurso à força militar.

Uma vez unificada a Arábia, o califaOmar (634-644), nomeado por Abu Bakr para o suceder antes da sua morte, centrou-se na expansão do Islão para fora da península. As suas primeiras conquistas territoriais ocorreram na Síria, com a tomada da cidade deDamasco (635). Em 638 é a vez deJerusalém. Ao mesmo tempo, as tropas islâmicas avançavam para este em direcção à Mesopotâmia e à Pérsia. OImpério Persa Sassânida encontrava-se numa situação bastante debilitada devido às guerras com Bizâncio e não foi difícil para as forças islâmicas vencer a decisiva Batalha de Al- Qadisiyya, perto do rio Eufrates. As tropas islâmicas continuam o seu avanço e conquistam a capital doImpério Sassânida, Ctesifonte (637). Avançam igualmente em direcção ao ocidente e em 642 conquistam a cidade de Alexandria, no Egipto. Nos territórios conquistados foram instituídos dois tributos, kharaj (incidindo sobre a produtividade da terra) e jizya (garantia da liberdade religiosa para os não muçulmanos).

Após a morte de Omar em 644 - assassinado por um cristão persa - é eleito um genro do profeta, Otman (644-656), que continua a obra de expansão territorial. Em 647 envia uma expedição militar para oeste do Egipto, naquilo que era território bizantino. A ilha de Chipreé conquistada em 649 e por volta de653 toda a Pérsia encontrava-se submetida ao seu poder (conquista da província oriental de Khurasan). É geralmente aceite que o primeiro contacto da China como o islão ocorreu durante este califado, quando Otman enviou, em 650, uma embaixada presidida por Sa’ad ibn Waqqas (um tio materno do profeta) ao imperador chinês Yung-Wei. A missão não logrou converter o imperador ao Islão, mas este mostrou-se interessado pela religião e permitiu a construção de uma mesquita em Quanzhou.

Otman nomeou o seu primo Muawiyacomo governador da Síria, o foi interpretado como um acto de nepotismo. Ambos pertenciam ao clã Omíada de Meca, que tinha tido no pai de Muawiya, Abu Sufyan, um dos inimigos mais encarniçados de Maomé. Os gastos excessivos de Otman também geraram descontentamento e em 656 este morre assassinado.

Com a morte de Otman gerou-se uma certa confusão em torno de quem deveria ser o novo califa. Para alguns era claro que essa honra deveria ter recair sobre Ali, que já tinha sido excluído do califado três vezes seguidas após a morte de Maomé. Ali era casado com Fátima, uma das filhas do profeta, com que tinha tido os únicos descendentes de Maomé. Outra facção apoiava o primo de Otman, Muawiya.

Ali foi eleito califa em 656, mas foi contestado não só por Muawiya, mas também por Talha[desambiguação necessária]e Ibn Al-Zubayr, dois companheiros de Maomé, e por Aicha, uma das viúvas do profeta. Na Batalha do Camelo(Dezembro de 656) Talha e Zubair foram mortos e Aisha feita prisioneira. Em Julho de 657 as forças de Ali e Muawiya enfrentam-se na Batalha de Siffin, mas nenhum dos lados consagra-se como vencedor. Ali concorda então com uma arbitragem proposta por Muawiya, que terminou na nomeação deste como califa. Uma parte dos apoiantes de Ali entendeu que ele procedeu incorrectamente ao aceitar a arbitragem e retirou-se, dando origem à primeira cisão no islão, a dos carijitas. Outro partido permaneceu fiel a Ali e às suas pretensões ao califado e deu origem aos xiitas.

Ali foi assassinado por um kharijita em661 em Kufa e Muawiya alcança o poder. A esta guerra civil no coração do Islão, que chocou muitos muçulmanos, a historiografia muçulmana chamou de a "tormenta maior".
Os Omíadas (661-750)
Os abássidas (750-1258)
Os três impériosEditar


No século XV e XVI foram criados três grandes impérios que tinham no islão a sua religião oficial: o Império Otomanoque dominou o Médio Oriente, os Balcãse o Norte de África; o Império Sefévida no Irão e o Império Mogol na Índia. ~
O Império MogolEditar

O Império Mogol resultou das várias invasões mongóis na Pérsia e na Índia. Foi fundado em 1526 por Babur, um descendente de Genghis Khan e deTamerlão. O império governou os territórios que correspondem ao que hoje em dia são a Índia, o Paquistão, oBangladesh e o Afeganistão, durante vários séculos antes de cair perante os ingleses em 1857.

O império deixou um importante legado cultural e artístico na Índia. Entre os edíficios mais conhecidos mandados construir pelos Mogóis encontra-se oTaj Mahal.
O Império OtomanoEditar

O mundo islâmico atingiu um novo esplendor com o Império Otomano, cujas origens se encontram nas migrações dos turcos das estepes daÁsia Central para a Anatólia onde fundaram um pequeno estado. Em1453, depois de um cerco de dois meses, os otomanos tomaramConstantinopla. O antigo Império Bizantino foi substituído pelo novo Império Otomano como a grande potência do mar Mediterrâneo.

O auge deste império foi alcançado durante a era de Solimão, o Magnífico(1520-1566) quando foram conquistados os Balcãs e a Hungria. Em 1529 os otomanos tentaram conquistar Viena, mas o cerco à cidade fracassou. Em 1571 a Batalha de Lepanto representou um duro golpe para os otomanos, já que nela perderam parte importante da sua frota marinha (um dos grandes pontos fortes do Império Otomano). Em consequência da derrota dos otomanos na Batalha de Viena de 1883 o império perderia a posse da Hungria e de alguns territórios nos Balcãs.
O império safávidaEditar

Os safávidas governaram o Irão (Pérsia) entre 1501 e 1736. Embora se identificassem como descendentes de Ali, os safávidas tinham origens numa ordem sufista. Foi durante o governo dos safávidas, que tinham como capital a cidade de Isfahan, que o xiismo foi imposto como religião oficial do Irão, tendo sido perseguidas todas as outras formas do islão. Este facto histórico está na origem da separação religiosa actual do Irão em relação aos seus vizinhos sunitas. Até aquele momento o xiismo não tinha sido particularmente forte no Irão. Os Sefévidas foram derrubados por Nadir Xá em 1736.
O século XIX
O século XX
Bibliografia
Ligações externas




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