quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PARABÉNS DONALD TRUMP. RECORDANDO QUE MUITOS DEMOCRATAS E JORNALISTAS CÚMPLICES DA DESINFORMAÇÃO TEM QUE SER INVESTIGADOS E SE CABÍVEL CONDENADOS POR SUAS AÇÕES CONTRA A NAÇÃO AMERICANA


Trump ataca "falsas notícias" após divulgação de dossiê russo




REUTERS/LUCAS JACKSON

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Na primeira conferência de imprensa desde que foi eleito, republicano criticou os serviços de informação dos EUA por terem permitido a divulgação de notícias que diz serem falsas sobre as suas alegadas ligações à Rússia

"Acho que é uma desgraça que essa informação tenha sido divulgada. São tudo notícias falsas. Isso não aconteceu. Foram opositores, pessoas doentes que o divulgaram." Donald Trump negou ontem na primeira conferência de imprensa desde que foi eleito presidente dos EUA a veracidade das informações que fazem parte do chamado dossiê russo, que denuncia a existência de alegadas ligações do milionário republicano a Moscovo e de material comprometedor que pode ser utilizado pela Rússia para o chantagear. O dossiê foi divulgado pelos media, apesar de a sua informação não ter sido confirmada.

O dossiê de 35 páginas divulgado pelo site BuzzFeed e a CNN foi escrito por um antigo membro dos serviços de informação britânicos, considerado uma fonte viável pelos norte-americanos em relação à Rússia. Os documentos, de no máximo três páginas, estão datados de 20 de junho a 20 de outubro do ano passado, e alegam que Moscovo partilha informações com Trump "há pelo menos cinco anos", com o objetivo de "encorajar divisões na aliança ocidental". Além disso, mencionam a existência de kompromat, isto é, material comprometedor recolhido com a intenção de chantagear a figura pública ou político. Neste caso, seria um vídeo de Trump num quarto de hotel de Moscovo com prostitutas.

O dossiê terá sido encomendado por adversários de Trump nas primárias republicanas, mas quando ele ganhou surgiu um cliente democrata. O autor do relatório, que não é identificado, terá passado a informação também ao FBI e, mais tarde, à revista Mother Jones (que falou da sua existência em finais de outubro). O tema é falado nos corredores de Washington e entre os jornalistas há vários meses.

Em novembro, caiu nas mãos do senador republicano John McCain. "Depois de examinar o conteúdo, e incapaz de emitir um julgamento sobre a sua veracidade, entreguei a informação ao diretor do FBI [James Comey]", confirmou ontem McCain num comunicado, dizendo que foi a sua única ligação ao caso. Desconhece-se em que fase estará a investigação. O dossiê acaba nos media depois de um resumo ter sido incluído num briefing de segurança ao presidente, presidente eleito e líderes republicano e democrata do Congresso, entre outros.

Na conferência de imprensa, tal como antes no Twitter, Trump criticou as agência de informação dos EUA por terem divulgado a informação - que classificou de "notícias falsas". E comparou a situação a algo "que a Alemanha nazi teria feito". Mais cedo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também tinha considerado "ficção" a existência de informações comprometedoras contra Trump, denunciando uma "invenção completa". Em relação aos media que os divulgaram, Trump também não poupou críticas, e chegou mesmo a mandar calar o jornalista da CNN presente na conferência de imprensa, não o deixando fazer-lhe perguntas.

A Rússia acabou por dominar o encontro com os media, no lóbi da Trump Tower, com o presidente eleito a admitir que Moscovo foi responsável pelo ataque informático ao Partido Democrata, na campanha. Algo que os russos sempre negaram. "Em relação à pirataria informática, acho que é a Rússia. Mas também somos alvo de pirataria de outros países e outras pessoas e posso dizer isso", disse, apontando também o dedo à China ou ao Japão. Sobre o presidente russo, Vladimir Putin, Trump deixou claro: "Se Putin gasta de Donald Trump, considero isso positivo, não um problema."

A conferência de imprensa tinha sido marcada inicialmente para falar dos negócios de Trump e da forma como este vai evitar acusações de conflitos de interesses. "Os meus dois filhos, Donald Jr. e Eric, vão liderar a sociedade" que Trump criou para gerir o seu império. "Eles vão geri-la de forma muito profissional. Nem vão falar comigo", afirmou o presidente eleito, dizendo que Ivanka, a filha, também se vai separar dos negócios. O seu marido será um dos conselheiros presidenciais.