sexta-feira, 7 de julho de 2017

Israel ainda não perdeu a esperança de vir a ser uma potência regional – com ou sem o apoio dos Estados Unidos, que flutua conforme o governo norte-americano está nas mãos dos republicanos ou dos democratas, como bem se viu nos avatares sucedidos depois de Donald Trump ter substituído Barack Obama. E a questão económica não é de somenos importância, até porque a Índia é um imenso mercado praticamente inexplorado – só falta ter uma classe média que ‘se veja’. Por último, mas não menos importante, Narendra Mido não vai reunir-se com nenhum líder palestiniano. Netanyahu deve estar farto de receber líderes internacionais que, antes ou depois, de visitarem Israel, fazem o mesmo aos territórios palestinianos, na tentativa de uma equidistância que definitivamente não agrada ao governo de Tel Aviv. A posição de Modi está nos antípodas do que o país demonstrou querer num passado recente. Durante a Guerra Fria, a Índia era um dos países que formaram o chamado grupo dos Não-Alinhados e, nessa circunstância, era aberta e declaradamente a favor dos palestinianos na sua eterna quezília com Israel. “Recebemos Modi de braços abertos. Nós amamos a Índia, admiramos a sua cultura, a sua história, a sua democracia e seu compromisso com o progresso”, disse Netanyahu, citado por diversas agências. “Consideramo-nos espíritos afins na busca comum de um futuro melhor para os nossos povos e o nosso mundo”, disse ainda. Modi disse, por seu turno, que era uma “honra singular” para um chefe do governo indiano visitar Israel. “Além de formar uma parceria para a prosperidade económica partilhada, estamos a cooperar para proteger as nossas sociedades de ameaças comuns, como o terrorismo”, enfatizou, referindo-se muito provavelmente à questão palestiniana.


http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/primeiro-ministro-indiano-de-visita-a-israel-180409

Primeiro-ministro indiano de visita a Israel

Os dois países estão a ensaiar uma aproximação que tem por trás a tentativa de ambos consolidarem uma posição planetária mais firme.

Atef Safadi/Reuters

Depois de uma curta visita a Portugal, a 24 de junho passado – apesar de tudo significativa por ser a primeira vez que um chefe de governo indiano esteve em solo português – o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, está a realizar uma visita de alto nível a Israel, para celebrar 25 anos de relações diplomáticas e fortalecer os laços bilaterais (só em 1992 os dois países iniciaram relações formais).

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, estava à espera de Narendra Modi no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, para uma visita de três dias, facto que, segundo salientavam as agências do país, está para além do protocolo tradicional nestas circunstâncias.

O acontecimento vem reforçar a opinião de alguns analistas – que afirmavam o profundo interesse pelo encontro de ambos os lados. Por um lado, a Índia tarda em assumir um papel mais presente no seio da comunidade internacional, depois de, há uns anos, ter sido apontada como um dos países emergentes mais aptos a apostar no desenvolvimento da sua economia. Palco de um assinalável acolhimento de investimento direto estrangeiro – no que chegou a bater-se com a China, dado que o inglês está muito disseminado – a Índia de Modi parece agora querer ter uma palavra mais audível no planeta. A altura é ideal: o Brasil, a outra economia emergente que entretanto entrou em regime de ‘autoafundamento’, não faz neste momento ‘sombra’ ao país asiático.

A internacionalização da economia indiana, dizem os analistas, é o que falta para o gigante asiático passar a ser um país que conta. E não é por acaso, dizem as mesmas fontes, que Modi está em Israel: é um dos centros regionais mais agitados do planeta, e a presença aí do primeiro-ministro indiano pretende mostrar a importância que Modi confere a um posicionamento mais sustentado do seu país junto dos seus parceiros internacionais.

Não é, portanto, apenas de racionais de negócio que se fala nesta viagem: é antes do mais de posicionamento diplomático.

Por outro lado, Israel ainda não perdeu a esperança de vir a ser uma potência regional – com ou sem o apoio dos Estados Unidos, que flutua conforme o governo norte-americano está nas mãos dos republicanos ou dos democratas, como bem se viu nos avatares sucedidos depois de Donald Trump ter substituído Barack Obama. E a questão económica não é de somenos importância, até porque a Índia é um imenso mercado praticamente inexplorado – só falta ter uma classe média que ‘se veja’.

Por último, mas não menos importante, Narendra Mido não vai reunir-se com nenhum líder palestiniano. Netanyahu deve estar farto de receber líderes internacionais que, antes ou depois, de visitarem Israel, fazem o mesmo aos territórios palestinianos, na tentativa de uma equidistância que definitivamente não agrada ao governo de Tel Aviv.

A posição de Modi está nos antípodas do que o país demonstrou querer num passado recente. Durante a Guerra Fria, a Índia era um dos países que formaram o chamado grupo dos Não-Alinhados e, nessa circunstância, era aberta e declaradamente a favor dos palestinianos na sua eterna quezília com Israel.

“Recebemos Modi de braços abertos. Nós amamos a Índia, admiramos a sua cultura, a sua história, a sua democracia e seu compromisso com o progresso”, disse Netanyahu, citado por diversas agências. “Consideramo-nos espíritos afins na busca comum de um futuro melhor para os nossos povos e o nosso mundo”, disse ainda.

Modi disse, por seu turno, que era uma “honra singular” para um chefe do governo indiano visitar Israel. “Além de formar uma parceria para a prosperidade económica partilhada, estamos a cooperar para proteger as nossas sociedades de ameaças comuns, como o terrorismo”, enfatizou, referindo-se muito provavelmente à questão palestiniana.

Refira-se que a Índia é um dos grandes compradores de armas israelitas: só este ano, foram assinados contratos entre os dois países da ordem dos dois mil milhões de dólares.