segunda-feira, 9 de abril de 2018

"Os circassianos são um grupo étnico, a maioría dos quais vivem na Rússia e Turquía, mas também há comunidades no Médio Oriente, incluindo umas cinco mil pessoas em Israel. Natcho cresceu na cidade de Kafr Kama no norte de Israel, e é um muçulmano devoto. Neste cenário, não deixa de ser importante compreender a grande diferença entre os circassianos e a minoría árabe no país. O jogador do CSKA frisa que só quer paz em Israel: “Estou seguro de que todos acreditam na coexistência pacífica de diferentes culturas e religiões. Alegra-me ver isso, seja judeu, muçulmano, cristão ou de qualquer outra religião”, sublinhou o centro-campista de 30 anos."


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GRANDE FUTEBOL
Bibars Natcho, o primeiro jogador não judeu que chegou a capitão de Israel
ANTÓNIO JOSÉ OLIVEIRA 
2018-04-06 11:00:00
Médio do CSKA de Moscovo protagonizou um momento histórico e apela à paz num zona onde reina o conflito
Chama-se Bibars Natcho, é israelita, muculmano, joga em Moscovo no CSKA e tornou-se no primeiro jogador não judeu a capitanear a seleção num país onde a clivagem religiosa e os conflitos entre crenças têm motivado uma disputa que, quase sempre, termina em guerra. No dia em que o CSKA visita Londres para defrontar o Arsenal na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, o jornal britânico "The Independent" conta a história do jogador, que se assume como muçulmano praticante.
Faz duas semanas que Natcho foi o protagonista do momento histórico, envergando pela primeira vez a braçadeira de capitão da seleção nacional de Israel, num jogo de carácter particular disputado frente à Roménia, que terminou numa derrota caseira de 2-1, o que neste contexto, acabou por ser pouco ou nada relevante. “É uma grande honra para mim ser capitão da seleção nacional, era um dos desejos do meu pai. (…) Ele queria que eu me transformasse num líder onde quer que fosse, não apenas em mais um jogador da equipa”, contou o médio do CSKA ao The Independent, lembrando que o pai morreu há quase dez anos.
“Capitanear a seleção é importante para a nossa comunidade. Sempre senti muito apoio e é um momento especial também para eles. Estão orgulhosos”, afirmou o jogador, que pertence a uma minoria circassiana.
Os circassianos são um grupo étnico, a maioría dos quais vivem na Rússia e Turquía, mas também há comunidades no Médio Oriente, incluindo umas cinco mil pessoas em Israel. Natcho cresceu na cidade de Kafr Kama no norte de Israel, e é um muçulmano devoto. Neste cenário, não deixa de ser importante compreender a grande diferença entre os circassianos e a minoría árabe no país. O jogador do CSKA frisa que só quer paz em Israel: “Estou seguro de que todos acreditam na coexistência pacífica de diferentes culturas e religiões. Alegra-me ver isso, seja judeu, muçulmano, cristão ou de qualquer outra religião”, sublinhou o centro-campista de 30 anos.
Natcho nasceu para o futebol no Hapoel Tel Aviv. Rumou, depois, à Rússia, para reforçar o Rubin Kazan, onde esteve durante quatro temporadas. A aventura seguinte passou pela Grécia. Durante uma temporada representou o PAOK, após o que em 2014 assinou pela CSKA, onde se encontra há quatro temporadas consecutivas, sempre na condição de titular, somando 27 golos, o que para um médio não deixa de ser significativo.
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