sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ignorar violências contra Israel dificulta busca da paz, escreve líder judaico. Fernando Lottenberg responde a texto de Gilberto Gil e Azulay sobre o conflito israelo-palestino


https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/06/ignorar-violencias-contra-israel-dificulta-busca-da-paz-escreve-lider-judaico.shtml

Ignorar violências contra Israel dificulta busca da paz, escreve líder judaico
Fernando Lottenberg responde a texto de Gilberto Gil e Azulay sobre o conflito israelo-palestino




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8.jun.2018 às 6h00
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Fernando Lottenberg
[RESUMO] Em resposta a artigo de Jom Tob Azulay e Gilberto Gil, autor afirma que olhar somente um lado do conflito israelo-palestino contribui para seu prolongamento, e não para a paz.



Embora os judeus, desde a Antiguidade, tenham sempre correspondido a parcela mínima da população mundial, sua história marca e se confunde com a da civilização. O judaísmo foi a base para as grandes religiões monoteístas, e seus fundamentos balizam até hoje códigos morais de grande parte da humanidade.

Há cerca de 15 milhões de judeus e judias no planeta, menos de 0,2% da população mundial. Mas suas contribuições, tanto hoje quanto no passado, são fundamentais nas mais diversas áreas do conhecimento, como atestam, ano após ano, premiações científicas, econômicas e culturais. Trata-se de um povo orgulhoso, realizador e resiliente, mesmo diante de terríveis perseguições.

Entre as principais realizações e orgulhos do judaísmo moderno, se não a principal, está justamente o Estado de Israel, que completa 70 anos em 2018. Por isso, causou tristeza na comunidade judaica brasileira artigo de Gilberto Gil e Jom Tob Azulay, publicado nesta Ilustríssima.

 

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Protesto em Gaza
  
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Todos têm o direito de criticar ações do governo de Israel, a começar pelos próprios israelenses, que o fazem intensamente, numa das mais vibrantes democracias do mundo.

Contudo, dado o histórico de perseguições e difamações que afligem esse povo, precisamos estar vigilantes para que críticas bem-intencionadas, mas mal fundamentadas, não acabem fazendo o jogo da mais desabrida versão contemporânea do antissemitismo: o antissionismo, a pregação contra a existência e a legitimidade do Estado judeu.

A identificação de antissemitismo com antissionismo é evidente nos símbolos usados para difamar Israel e, sobretudo, nos ataques crescentes e muitas vezes mortais contra comunidades judaicas no mundo. Mês passado, aqui no Brasil, tentaram incendiar uma sinagoga de Pelotas (RS), na qual foram feitas pichações pró-Palestina.

Gil e Azulay certamente não são antissemitas, mas acabam lhes dando sustentação involuntária ao pôr praticamente só em Israel a culpa pelos conflitos árabes-israelenses e defini-los, em meio a tantas desgraças planetárias, como “o mais grave problema com que se defronta o mundo para a preservação da segurança e da paz”.

Chegam a dizer que “ações unilaterais mormente bélicas” solapam a legitimidade das posições de Israel. Mas, entre outras omissões, não há palavra sobre ações unilaterais inteiramente bélicas de facções terroristas que pregam a destruição de Israel —como o Hamas, grupo extremista que controla Gaza, ou o Hezbollah, no Líbano.


Manifestantes palestinos preparam pipas com material inflamável para ser jogado no lado de Israel, em foto da última segunda (4) na faixa de Gaza - Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
É fundamental ressaltar que uma ação de Israel realmente unilateral foi a retirada de suas tropas de Gaza, em 2005. Pouco depois, o Hamas deu um golpe sangrento contra a Autoridade Palestina e passou a controlar a região, massacrando oponentes e perseguindo minorias, como cristãos e homossexuais.

Em vez de fazerem de Gaza um modelo